Comitê Rio-2016 enfrenta problemas que abalam imagem do Brasil lá fora
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A proximidade dos Jogos Olímpicos Rio-2016 aumenta a expectativa por uma grande festa do esporte em escala internacional. Ao mesmo tempo, expõe ao mundo uma série de percalços que o Comitê Organizador do evento tem de enfrentar a exatamente um ano da Cerimônia de Abertura.
Alguns são comuns entre países que já se propuseram a sediar o evento, como a necessidade de cumprir prazos e determinações rígidas do Comitê Olímpico Internacional (COI) e das federações de cada esporte que integra o programa olímpico. Mas outros evidenciam particularidades bem brasileiras.
A grande preocupação do COI é a condição das águas da Baía de Guanabara, palco de três de cinco raias da disputa da vela. A despoluição é responsabilidade do governo estadual, que já descartou a meta anterior de tratar 80% do esgoto despejado. O Rio-2016 diz que não há riscos à saúde dos atletas e não considera mudar o local das provas.
– É inacreditável que os organizadores envolvidos não estivessem realizando todos os testes possíveis na Baía de Guanabara – disse ao LANCE! Laura McQuillan, repórter freelancer da Nova Zelândia, que mora no Rio há quatro meses para a cobertura dos preparativos.
Paralisação de obras por determinação da Justiça Federal e suspeitas de conflito de interesse envolvendo Carlos Arthur Nuzman, que preside tanto o Comitê Rio-2016 quanto o Comitê Olímpico do Brasil (COB), são outros dos desconfortos recentes (veja mais abaixo).
– Problemas existem todos os dias, mas vêm sendo superados. Entregaremos a maior Olimpíada da história, pelo evento e pela transformação da cidade – afirmou o Secretário de Coordenação da prefeitura, Pedro Paulo Carvalho.
Com a palavra
Laura McQuillan
Jornalista freelancer da Nova Zelândia
É difícil saber se o problema da Baía foi descuido, incapacidade ou esforço de negação
Pelo que tenho visto, as coisas definitivamente estão melhorando em comparação à situação de pânico no ano passado, quando John Coates, vice presidente do COI, chamou os preparativos de "os piores já vistos". O Parque Olímpico e Vila dos Atletas estão aparecendo e o evento-teste do triatlo foi bem organizado.
Vai ser interessante ver o progresso de Deodoro. Quando os grandes locais estão longe dos olhos do público, é difícil medir o progresso, mas sei que há alívio do Comitê Olímpico da Nova Zelândia sobre como todas as instalações estão moldando-se, em comparação com a forma como olhavam até o fim do ano passado.
Obviamente, a Baía de Guanabara é uma preocupação enorme. Acho que a comunicação em torno da qualidade da água tem deixado a desejar.
Vimos triatletas dizerem que não tiveram restrições ao irem para a água em razão da garantia dos organizadores de que o local é seguro, mas, ao mesmo tempo, o que efetivamente fez o COI implementar testes de vírus foi a investigação da Associated Press.
É inacreditável que os organizadores olímpicos não estivessem realizando todos os testes possíveis lá, e é difícil saber se foi um descuido, incapacidade ou um esforço de negação! Também é preocupante que os atletas possam ter sido enganados sobre sua saúde e segurança.
Será interessante ver o que os testes do COI encontrarão, e o que o Governo fará para tentar corrigir os problemas da Baía nos próximos 12 meses.
O Rio é obviamente um lugar muito desafiador para se realizar um evento desta magnitude, com toda a coordenação que requer, mas o teste do triatlo foi bem executado, e acho que o mundo estará bastante tranquilo sobre como os Jogos serão um sucesso.
OS PERCALÇOS DOS JOGOS RIO-2016
Baía de Guanabara
Promessa do governo estadual na época da candidatura do Rio como sede dos Jogos em 2009, a despoluição da Baía avança em passos lentos, o que põe em dúvida a saúde dos atletas. O Comitê Rio-2016 e autoridades dizem que o local tem condições de receber as provas.
Nuzman na mira
Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) publicado na semana passada apontou conflito de interesses de Carlos Arthur Nuzman, que preside tanto o Comitê Rio-2016 quanto o Comitê Olímpico do Brasil (COB). Para o órgão, eventuais dívidas do Rio-2016 colocam em risco os cofres públicos. O governo federal, por lei, pagará futuras despejas deixadas pela entidade.
Doença de cavalos
A poucas semanas do evento-teste do hipismo, que começa amanhã e vai até domingo, no Complexo de Deodoro, 17 cavalos foram diagnosticados com mormo, doença letal e de fácil transmissão entre animais.
Marina da Glória
Em julho, aprovação da reforma do local chegou a ser suspensa pela Justiça Federal, já que a área é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas foi liberada.
Estádio de Remo
Também em julho, o projeto de construção de uma arquibancada flutuante no Estádio de Remo da Lagoa foi reprovado pela Justiça Federal.
Julio Delamare
Em meio à indefinição sobre as reformas do entorno do Maracanã, o Comitê Rio-2016 retirou em maio o Parque Aquático Julio Delamare dos Jogos. O local receberia partidas preliminares do polo aquático. Até agora, o novo palco não foi anunciado.
Indefinição na APO
Desde o pedido de demissão do general Fernando Azevedo e Silva, em fevereiro, a Autoridade Pública Olímpica (APO), órgão criado em 2011 com o objetivo de integrar e monitorar os compromissos dos governos municipal, estadual e federal em relação às obras dos Jogos de 2016, segue sem presidente.
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