Célio de Barros não vai mais ser demolido no Rio de Janeiro
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O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral Filho, anunciou na manhã desta sexta-feira que o Estádio de Atletismo Célio de Barros não vai mais ser demolido. A decisão foi tomada após uma reunião com o presidente da Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Alberto Lancetta, o presidente da concessionária Complexo Maracanã Entretenimento S.A., que gere o estádio, João Borba, e outros políticos. Na segunda-feira, Cabral já tinha cedido a outra pressão popular e de atletas: a de também não demolir o Parque Aquático Júlio de Lamare. Ambos seriam derrubados por conta das obras para a Copa do Mundo de 2014.
- Diante do impasse que foi criado, além dos pedidos das federações e dos atletas, abrimos o diálogo, voltamos a conversar e refletimos sobre o assunto. Mesmos convencidos de que o melhor era o previsto na licitação, que traria um grande legado para o Rio, com lazer, esporte e entretenimento. Após duas horas de reunião, comunicamos ao consórcio verbalmente que manteremos o Célio de Barros. Vamos oficializar também a permanência do Júlio de Lamare e daremos 20 dias para o consórcio se manifestar - afirmou Cabral, revelando que recebeu uma carta do ex-atleta Joaquim Cruz pedindo a permanência do Célio de Barros no Complexo do Maracanã.
O governador do Rio lembrou que, nas últimas semanas, o governo se viu diante de decisões da Justiça paralisando as demolições e também do pedido do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a suspensão das obras até a emissão de um parecer sobre um possível tombamento dos equipamentos esportivos. E que isso se somou aos pedidos das entidades e atletas, levando o governo do estado a tomar a decisão anunciada segunda e nesta sexta.
- Mas quero ressaltar que o Iphan foi consultado antes da licitação e declarou que os dois equipamentos não eram tombados. Somente o Maracanã e o Maracanãzinho - declarou Cabral.
Lancetta agradeceu ao governador pela oportunidade de externar o sentimento da família do atletismo e pela decisão de não demolir um equipamento emblemático.
- Na quinta-feira, recebi emails dos atletas que estão no exterior treinando para o Mundial de Atletismo de Moscou pedindo a manutenção do Célio de Barros. Tenho um compromisso com os clubes e não medimos esforços pela permanência do estádio. Essa é uma decisão que atende aos anseios da comunidade do atletismo - disse o dirigente.
Enquanto o Júlio de Lamare está pronto para voltar a funcionar, segundo Cabral, o Célio de Barros precisará de reformas já que foi praticamente demolido. Em um cálculo inicial, a reforma deve ficar em torno de R$ 10 milhões. Como o consórcio ainda vai se posicionar se manterá ou não a concessão, ainda não está definido quem arcará com essa quantia. A previsão seria de cinco a seis meses para o estádio ser reinaugurado, porém há outro problema para se resolver: a arquibancada tem falhas estruturais e precisa ser reformada.
Ainda de acordo com o governador do Rio, a permanência dos dois equipamentos esportivos no Complexo do Maracanã não trazem problemas para a Copa do Mundo. E que o governo do estado será o responsável por gerir os dois.
Pelo planejamento do edital de licitação, o Júlio de Lamare e o Célio de Barros seriam demolidos e novas instalações seriam construídas em um terreno do Exército na Quinta da Boa Vista, próximo ao Maracanã. No lugar dos dois equipamentos, o consórcio iria erguer o Museu do Futebol, dois edifícios-garagens, além de lojas e restaurantes.
Sumiço de equipamentos
O secretário de Estado de Esporte e Lazer, André Lazaroni, informou que a secretaria abriu sindicância para apurar o sumiço de equipamentos de atletismo durante as obras no Célio de Barros. Ele, inclusive, declarou que, quando foi informado por Lancetta sobre o ocorrido, registrou queixa na delegacia.
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