Carisma e simplicidade: bastidores da entrevista de Ronaldinho ao L!Net

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Em uma quinta-feira chuvosa, ficou inviável fazer a entrevista com Ronaldinho Gaúcho em uma área aberta do Centro de Treinamentos do Atlético-MG (Cidade do Galo). A água que caía em Vespasiano deixou a conversa para a sala de fisiologia do CT, o que colocou o bate-papo no mesmo ambiente do vestiário dos jogadores.
Ronaldinho não demorou a chegar ao local e a equipe de reportagem do Diário LANCE! e da LANCE!TV fazia os últimos preparativos para receber o craque. Como de costume, ele cumprimentou a todos os presentes de forma tímida (o motorista da equipe, o fotógrafo, o cinegrafista e os dois repórteres). 'Fora do ar', ele comentava sobre o treino feito minutos antes, com três times formados sobre uma chuva que teimava em não terminar.
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O jogador, mesmo tendo uma fama internacional e a idolatria de quase todo torcedor de futebol, espanta pela simplicidade e fala baixa. De bermuda surfista, chinelos personalizados e uma boina nova, ele colocou o microfone de lapela com paciência e se sentou ao lado da Ana Luiza Prudente (Luli). R10 se sentia confortável, pela posição corporal adotada, apesar de ser avesso à entrevistas.
Com a porta transparente fechada, alguns jogadores do Galo apareciam do lado de fora e espiavam o que estava acontecendo. A convivência entre eles, que se pôde observar nesta ocasião, era de perfeita harmonia. Eles passavam de um lado para o outro, se preparando para irem embora, enquanto distribuíam autógrafos para um torcedor mirim, cheio de camisas no ombro.
Um momento curioso foi quando Ronaldinho teve uma de suas respostas interrompidas por Pierre. O xodó da torcida do Galo não sabia que estava em uma zona de entrevista quando passou pelo corredor de fora da sala. E, com a janela totalmente aberta, bradou: "Eu vou dizer uma coisa para vocês, nós somos vencedores!". A situação serve para simbolizar dois acontecidos: o gol de treino que o volante fez no dia, e que foi muito comemorado pelos companheiros, além do ótimo momento que o clube mineiro vive dentro e fora de campo.
Ronaldinho deu respostas claras, não fez rodeio, citou entrevistas de Guardiola quando questionado sobre a qualidade do futebol nacional e se mostrou bastante tranquilo nos questionamentos sobre o Flamengo e a briga que teve no clube. Pelas afirmações, somadas às observações do dia a dia, é notável que R10 se sente em casa no Galo, onde não possui sua vida particular vasculhada pela mídia e voltou a ser elogiado pelo futebol.

No final da conversa, o craque ficou ainda mais descontraído. Falou sobre mulheres em sua vida e seu fanatismo por NBA. Para finalizar um bate-papo, repetiu a comemoração que faz com o amigo Jô, mas em Luli. Por fim, já em pé, Ronaldinho aceitou o pedido de fazer algumas embaixadas com a bola - tirou o chinelo para caprichar no malabarismo. Depois, pegou a bola, foi para o fundo do recito, fez algumas jogadas de basquete e tirou fotos posadas nas lentes de Gil Leonardi.
Na despedida, voltou a cumprimentar a todos e foi abordado por Alcides Germano, o motorista, que fez questão de tirar foto ao lado do jogador. Alcides perguntou se R10 lembrava dele, pois estava acostumado a levá-lo de taxi para a sua casa, em Lagoa Santa (MG). Solícito, o maestro alvinegro colocou a mão no ombro de Alcides, em sinal de proximidade e atenção, e disse se lembrar das 'viagens'.
Ao sair da sala, pegou seu óculos de sol, sua mochila de mão e seu celular. Então, tirou seu microfone e não deixou Luli esquecer seu papel com as perguntas e sua bolsa na cadeira tomada de empréstimo na sala de fisiologia. Antes de ir, R10 ficou lá perto do local, já sem a camisa branca de viagem da Lupo. Enquanto a equipe terminava de desmontar o equipamento, ele batia um último papo com seu melhor marcador: o segurança Lúcio Fábio.
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