Caos no Egito paralisa campeonato local

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A rodada de fim de semana do Campeonato Egípcio foi cancelada pela federação local por conta dos protestos que acontecem no país contra o presidente Hosni Mubarak, que está há 30 anos no poder. Até o momento não há um número oficial, mas estima-se que cerca de 70 pessoas tenham morrido.
– O que vemos aqui são muitos incêndios,muita fumaça. Queimaram pneus e outras coisas como carros de polícia também. E ocorreram confrontos entre manifestantes e policiais. O exército não estava presente – disse o técnico Manuel José, que comanda o Al-Ahly, do Egito, à TVI de Portugal.
O Campeonato Egípcio é disputado por 16 clubes, que jogam no sistema de pontos corridos. O Zamalek fechou o primeiro turno na liderança 32 pontos contra 29 do Ismaily. A Federação Egípcia ainda não informou as novas datas para a realização dos jogos adiados.
O presidente do país, Hosni Mubarak, está no poder desde 1981. Através da internet, as críticas pesadas ao ditador (os egípcios reclamam que o país parou no tempo diante dos vizinhos do norte da África) transformaram-se no movimento, que até agora ficou marcado pela violência.
– Ficar 30 anos prometendo que vai melhorar a economia, a segurança, e não melhorar nada é complicado. Ao mesmo tempo, sou contra a falta de civilização dos manifestantes – analisa Mohammed Yousef, agente de viagens egípcio que trabalha no Brasil, e ficou sem contato com a família durante quatro dias. As comunicações no país foram cortadas e só começaram a ser restabelecidas no sábado. Enquanto isso, o Campeonato Egípcio segue paralisado.
– A expectativa é de que tudo isso ainda dure por mais uma semana. Até lá, acho difícil ter futebol no país – completa Mohammed.
Com a palavra: Mohammed Yousef, agente de viagens egípcio que mora no Brasil
"O fato de terem visto o que aconteceu na Tunísia motivou os protestos. O problema é que lá é um país pequeno, e o Egito tem 80 milhões de pessoas. É um país falido, que vê seus vizinhos irem muito bem economicamente e está parado no tempo. É por isso que protestam.
Porém, está complicado fazer contato com as pessoas por lá. Consegui falar com a minha família apenas hoje (sábado).
Internet e telefone foram cortados, é algo extremamente irritante. Acho normal os protestos, não concordo com a forma que isso está sendo feito. É equivocado. Incêndios, pessoas mortas..."
Entenda o caso: protestos se alastram nos países do norte da África

O começo de tudo: A situação política na Tunísia desagradou a população, que foi às ruas protestar. A frase "Fora com o partido da ditadura" era ouvida pelas ruas, numa antecipação ao governo que assumiu o país na metade do mês. O movimento revolucionário causou algum efeito e, principalmente, contegiou os países ao redor da Tunísia (confira no mapa acima, os países com um ponto vermelho têm ocorrências de manifestações).
Movimento cresce: Mauritânia, Argélia, Jordânia, Iêmen, Omã, Sudão e Egito foram os países em que grupos revolucionários foram às ruas protestar contra os governos. A onda se alastrou pelo norte da África, e alguns países, como o Marrocos, ainda tentam se proteger da contaminação. Embora tenham existido casos isolados de atentados, o Marrocos não foi tomado pela onda de manifestações.
No Egito: O movimento ganhou muito corpo no Egito, do ditador Hosni Mubarak, que está no poder no país desde 1981. No dia 25 de janeiro, manifestantes começaram a ir às ruas mobilizados por uma campanha que começou na internet. Mubarak mandou policiais e militares às ruas, e os confrontos já deixaram cerca de 70 mortos - número não oficial. Não há previsão de fim das manifestações no país.
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