Mata-mata no Paulistão testa ambição e afirmação do Santos na temporada
Peixe disputa as quartas de final do Campeonato Paulista neste domingo (22), contra o Novorizontino

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O Santos vive a expectativa de disputar, pelo terceiro ano consecutivo, a semifinal do Campeonato Paulista. Neste domingo (23), a equipe da Baixada Santista entra em campo pelas quartas de final da competição, contra o Grêmio Novorizontino, fora de casa, às 16h (de Brasília), com força máxima para buscar a classificação.
Na última temporada, o Peixe somou apenas 20 vitórias em 57 partidas, além de 16 empates e 21 derrotas.
A virada do ano, porém, trouxe um cenário que rapidamente se mostrou ilusório. A renovação repentina de contrato de Neymar até o fim desta temporada e a contratação de Gabriel Barbosa reacenderam o entusiasmo da torcida, que ainda convivia com o trauma de ter brigado contra a queda durante praticamente todo o último ano, logo após o primeiro rebaixamento da história do clube. Entretanto, a realidade foi o início de 2026 sendo marcado por dificuldades para garantir vaga no mata-mata do estadual e pela presença na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro já nas primeiras rodadas.
Agora, o time tenta reorganizar a temporada após um início irregular, que ganhou novo capítulo com o transfer ban imposto pela FIFA na última quinta-feira (19). A punição se deve a uma dívida com o Arouca, de Portugal, pela contratação do zagueiro João Basso, jogador que soma apenas 39 partidas pelo Santos em dois anos e meio de clube.
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Neymar como salvador da pátria?
Recentemente, Gabriel Barbosa afirmou, em zona mista após duelo no Morumbis, que a necessidade de mudança é coletiva: "do roupeiro ao presidente". O atacante saiu em defesa do trabalho do elenco e da comissão técnica, ressaltando a tentativa de recalcular a rota, mas também disse compreender as críticas e os protestos recentes da torcida. Em um deles, a principal organizada do clube permaneceu em silêncio durante o primeiro tempo da partida contra o São Paulo, na Vila Belmiro.
O camisa 10 também ponderou que Neymar não pode ser tratado como "salvador da pátria", responsável por solucionar todos os problemas em campo. O ídolo retornou aos gramados no último domingo (14), após dez partidas afastado para se recuperar da quarta lesão sofrida em menos de um ano pelo clube.
Com a situação financeira constantemente apontada como delicada pela diretoria, o Santos adota medidas pontuais no mercado, em um cenário descrito internamente como "vender o almoço para comprar o jantar". A avaliação é de que reforços eram indispensáveis após um início de temporada abaixo do esperado. Depois de Gabriel Barbosa, o clube ainda anunciou Gabriel Menino, Rony e Moisés.
No ano passado, o clube recorreu a uma janela emergencial no meio da temporada. Algumas peças deram retorno técnico, como Willian Arão, Adonis Frías e Igor Vinícius. Outras, porém, não corresponderam, casos de Billal Brahimi e Gustavo Caballero, que já deixaram o clube.
Paralelamente, o Executivo de Futebol Alexandre Mattos e a diretoria trabalham para aliviar a folha salarial. A recente saída de Tiquinho Soares para o Mirassol faz parte desse movimento, assim como a tentativa de negociar atletas fora dos planos da comissão técnica, como João Basso e Tomás Rincón. Outros, como JP Chermont, buscaram mais minutos em outros clubes diante do pouco espaço no time principal.
Torcida, transfer ban e contratações
Nesta semana, o Santos foi surpreendido com a "antecipação" do transfer ban para a última quinta-feira (19). Internamente, a expectativa era de notificação apenas no dia 26 de fevereiro, o que daria ao clube alguns dias para tentar antecipar receitas, avançar em conversas com patrocinadores e até utilizar parte do valor da venda de Souza ao Tottenham, da Inglaterra.
A ideia inicial era direcionar o recurso do clube inglês para os próximos meses da folha salarial. Com a punição, porém, o dinheiro passa a ser prioridade para viabilizar o registro de novos atletas. O uruguaio Christian Oliva será o quinto reforço da temporada, mas a documentação não ficou pronta a tempo para o anúncio, e o transfer ban atrasou ainda mais sua regularização no BID da CBF.
Não estava nos planos da comissão técnica contar com o volante de 29 anos na reta final do Paulistão, mas a notificação da FIFA escancara a fragilidade administrativa e o planejamento curto de um clube que ainda atravessa um processo longo de reconstrução.
Em meio à pressão, a torcida voltou a protestar no último domingo (14), com cobranças direcionadas ao presidente Marcelo Teixeira, ao executivo Alexandre Mattos e a jogadores que pouco entregaram em campo, como Mayke, além de críticas às vendas precoces de promessas da base.
É nesse cenário que o Santos entra em campo neste domingo (22), às 16h (de Brasília), fora de casa, contra o Grêmio Novorizontino, pelas quartas de final do Paulistão. Mais do que uma vaga na semifinal, o duelo representa a chance de dar uma resposta em campo em meio ao turbulento ambiente político e financeiro.
A classificação pode servir como ponto de virada e sustentar o discurso interno de recuperação e ambição por título. Uma eliminação, por outro lado, tende a ampliar a pressão e reforçar a sensação de que a reconstrução ainda está longe de se consolidar.
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