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Finanças do Santos explicadas: fracasso esportivo desafia e põe em xeque trabalho de recuperação

Clube tem queda no faturamento e vê dívida aumentar. Controle de custos é ponto positivo

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imagem cameraControle de gastos impede agravamento da crise financeira (Arte Lance!)
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Lance!
Rio de Janeiro (RJ)
Dia 07/07/2023
11:25
Atualizado em 07/07/2023
12:05

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Lance!Biz dá sequência, nesta sexta-feira (7), à série especial sobre as finanças do futebol brasileiro. Em parceria com a Pluri Consultoria, o estudo se baseia nas demonstrações contábeis mais recentes, referentes a 2022. A matéria de hoje analisa as contas do Santos.

Destaques:

> Peixe tem queda de 16% no faturamento em 2022;

> Controle de gastos impede agravamento da crise financeira;

> Falta de resultados é obstáculo para novas receitas e põe trabalho em xeque.

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Panorama geral das finanças do Santos

O primeiro indicador da saúde financeira é a comparação entre o faturamento e o endividamento. Pelo critério adotado pela Pluri Consultoria, o Santos terminou 2022 com uma proporção de 1,58 entre a dívida líquida e as receitas totais - o que representa uma piora em relação a 2021, quando a proporção foi de 1,25.

Queda significativa nas receitas

Em 2022, o Santos alcançou R$ 342 milhões em receitas totais - uma redução de 16% em relação aos R$ 407 milhões faturados no ano anterior. Essa queda preocupa, mas já era esperada. Um motivo é o contexto da pandemia, que inflacionou os números financeiros da temporada 2021.

Outra razão é o fracasso no desempenho esportivo, que fez reduzir as receitas do clube com premiações e bilheteria. Em 2022, o Santos terminou o Brasileirão em 12º e foi eliminado nas oitavas da Copa do Brasil e da Sul-Americana.

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> Boas notícias: Receitas recorrentes ficaram acima do patamar de 2019, indicando uma recuperação. Distribuição de receitas foi equilibrada, sem grande dependência de nenhuma fonte específica. Marketing e comercial foram um destaque positivo em 2022.

> Más notícias: Queda de 16% nas receitas totais, com impacto principalmente nas linhas de Transmissão e Matchday. Redução no faturamento contribuiu para o aumento de 6% na dívida líquida.

Torcida Jovem Santos
Santos teve queda significativa de receitas em 2022 (Foto: Raul Baretta/Santos)

Direção austera impede um cenário pior

A queda brusca nas receitas só não impactou mais as finanças santistas por causa da direção austera de Rueda. O clube conseguiu controlar de maneira eficiente os custos em 2022, ao ponto de conseguir se aproximar dos valores apresentados em 2018.

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Este processo de racionalização, porém, não veio acompanhado de uma melhora na eficiência da gestão do futebol, que seguiu sem apresentar um desempenho satisfatório dentro de campo. A situação se repete em 2023 e levanta a dúvida: até quando torcedores e conselheiros vão ter paciência com o processo de recuperação?

Visão do especialista

- Em 2022, o Santos apresentou forte queda em quase todas as suas categorias de receitas, com exceção do belo resultado das receitas comerciais e de marketing. O clube, porém, manteve-se no azul e neutralizou parcialmente os efeitos da queda de receitas, ao manter a nítida trajetória de controle de despesas, que voltaram praticamente ao patamar de 5 anos atrás, num louvável esforço de equilíbrio financeiro. O superávit, porém, não foi suficiente para reduzir o endividamento líquido que foi turbinado pelo seu próprio custo financeiro, equivalente a 13% das receitas totais.

Para ter sucesso e colocar o Santos em um ciclo virtuoso, o ajuste financeiro do clube precisa ser acompanhado por um aumento da eficiência na gestão dentro de campo, até que as receitas voltem a subir e permitam uma retomada no aumento do investimento no futebol.


Fernando Ferreira, sócio-diretor da Pluri

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