Pará

Participação ofensiva de Pará tem crescido desde a chegada de Cuca (Foto: Ivan Storti/Santos)

Fábio Lázaro*
31/08/2020
07:43
Santos (SP)

É inegável que o Santos desde que foi assumido por Cuca tornou-se um time mais ofensivo do que no primeiro semestre, quando dirigido por Jesualdo Ferreira. E isso se deve muito ao novo posicionamento e a participação ofensiva dos seus laterais.

No entanto, ainda isso seja um fator que evidencie a melhoria santista, ele também pode ser responsável por gols sofridos, como no revés por 1 a 0 para o Flamengo, neste domingo (30), pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, na Vila Belmiro.

Cuca, portanto, terá que trabalhar alguma forma de manter a qualidade ofensiva nas subidas dos laterais ao ataque sem deixar brechas nos espaços defensivos pelas pontas do campo.


Como pode dar certo?

Com Jesualdo, os quatro homens de defesa se posicionavam em linha. Com Cuca, desde a sua estreia, já era notável que os laterais sempre se colocavam um passo a frente dos zagueiros na saída de bola. Neste domingo, a variação foi além em alguns momentos, com o Peixe em 3-6-1 na saída de jogo, explorando a qualidade na saída de bola de Jobson, que substituía o volante Alison, suspenso.

Nesses momento, os laterais compuseram o meio, que tinha os dois pontas, Marinho e Soteldo, aberto nas extremidades, os laterais no meio-campo, pendendo cada um para o seu lado, e a dupla de meias, Pituca e Sánchez, centralizados. Jobson se posicionava entre os zagueiros Lucas Veríssimo e Luan Peres. Raniel era o único a frente, mas se movimentando bastante.

Embora ainda tivesse abusado das ligações diretas, o que é compreensível já que o Santos tem os seus dois principais jogadores, Marinho e Soteldo, atuando pelas pontas, se viu a atitude de um Peixe tentando sair trocando passes. Valeu a ideia, mas a execução precisa ser melhorada com a manutenção mais duradoura da distribuição. Em todo o caso, para que isso aconteça, o posicionamento dos laterais é fundamental para que o meio-campo possa estar melhor preenchido.

E ainda que o Alvinegro Praiano siga apostando nas bolas longas, que não tem como deixar de fazer do dia para noite, a aproximação dos laterais aos pontas amplia o repertório dos extremos, que poderão trabalhar a tabela, como foi na criação do primeiro gol anulado do Santos contra o Fla, onde Marinho foi pra cima de Filipe Luís, soltou para Pará, que cruzou a meia altura para Raniel escorar pro gol, quanto pode abrir espaço para a jogada individual dos atacantes, explorando tanto o chute de média distância, quanto o mano a mano, ambas características muito presentes em Marinho e Soteldo.

Onde pode dar errado

No gol flamenguista, Felipe Jonatan erra um passe no comando de ataque, os cariocas descem em bloco e Gabigol, ao receber um passe na grande área, do lado direito, não perdoa. Minutos antes, Pará tenta fechar os espaços de Arrascaeta que encontra Bruno Henrique entre os zagueiros e o atacante para no goleiro João Paulo.

Embora no lance do gol rubro-negro a falha tenha sido individual do lateral-esquerdo santista, se analisarmos os dois lances citados é notável que o avanço dos laterais, seja em estocadas defensivas ou se posicionando à frente dos zagueiros, e não em linha, como era feito com Jesualdo, propicia espaços vitais para o adversário explorar, e traz a certeza de que para manter essa ideia de jogo, qualificada ofensivamente, Cuca terá que pensar em soluções para fortalecer a marcação defensiva.

Com o retorno de Alison para o duelo contra o Vasco, nesta quarta-feira (02), às 21h30, na Vila Belmiro, o time ganha um atleta mais forte na marcação, embora perca opção de saída com passes. Mesmo assim, a entrada do camisa 5 talvez seja a solução para encorpar a cobertura defensiva santista.

* Sob supervisão de Vinícius Perazzini