Vinicius Eutropio Bolívar

Ex-técnico da Chapecoense, Vinicius Eutrópio dirigiu o Bolívar de janeiro a junho deste ano (Foto: AFP/Divulgação)

Ana Canhedo
20/09/2018
07:00
São Paulo (SP)

Técnico do Bolívar, principal time da Bolívia, de janeiro a junho deste ano, o brasileiro Vinicius Eutrópio enfrentou o Colo-Colo, do Chile, duas vezes na fase de grupos da Libertadores e atendeu a reportagem do LANCE! na última terça-feira para contar alguns dos segredos do adversário do Palmeiras nesta quinta, às 21h45, no Monumental de Santiago, pela ida das quartas de final. Do esquema de jogo aos craques e jogadas preferidas, abaixo o treinador destrincha o time chileno com dicas, anotações e impressões pessoais. 

Terceiro colocado do Grupo 2 da Libertadores, o Bolívar somou os mesmos oito pontos do time chileno na primeira fase, mas caiu por ter saldo de gols pior. Nos confrontos direto, o Colo-Colo arrancou um empate em 1 a 1 na altitude boliviana e saiu com uma vitória por 2 a 0 em Santiago, no Chile. O Atlético Nacional, da Colômbia, ficou com a outra vaga do grupo. O Delfín, do Equador, terminou na última posição. 

Valdívia 'enganche' e estilo de jogo do Colo-Colo
Segundo Eutrópio, o Colo-Colo costumava jogar no 4-2-3-1, com dois volantes e Valdívia, velho conhecido dos palmeirenses, jogando como um "enganche", um meia bastante adiantado no ataque e pronto para tabelar com o atacante. Na primeira fase, esse atacante era Esteban Paredes, de 38 anos. Agora, a equipe conta também com o ex-jogador do Palmeiras Lucas Barrios, de 33. 

- Colo-Colo era uma equipe que começou mal o Chileno, houve mudança de treinador e dentro dessa dificuldade é importante ressaltar que eles têm um grupo experiente e se uniram mais. Eu pude sentir isso no jogo em Santiago, estavam realmente bem fechados, unidos, com um propósito. São jogadores experientes, a maioria deles já jogou na seleção chilena. Era uma equipe que jogava no 4-2-3-1, com uma boa saída com os dois volantes e o Valdívia fugindo da característica de quando jogava no Brasil - afirma Eutrópio, e explica: 

- Era um Valdívia mais como um enganche, jogador muito próximo ao Paredes, porque eles jogavam com dois abertos nos extremos e o Paredes centralizado. Então, o Valdívia encostava muito nele. Não era muito de armação, ficava mais próximo para tentar jogar nas costas dos meus volantes. Era esse o Colo-Colo na primeira fase da Libertadores.

Mudanças para o mata-mata
Desde a chegada de Hector Tapía ao comando técnico da equipe, o esquema de jogo sofreu algumas alterações, que não passaram despercebidas por Vinicius Eutrópio. O antigo 4-2-3-1 virou um 5-3-2 ou um 3-4-1-2, com os dois laterais soltos pelas alas e uma linha de três zagueiros. Assim, Valdívia retornou ao seu posicionamento antigo, buscando mais a bola atrás e Paredes passou a dividir as funções ofensivas com Barrios. 

- Com a vinda do Barrios, eles mudaram. Até por ser mata-mata. Fizeram agora uma linha com três zagueiros e dois laterais, dois volantes, o Valdívia e na frente Paredes e Barrios. Como agora o Valdívia tem na sua frente dois atacantes, voltou àquela característica do Brasil de vir buscar a bola, fazer armação, fazer os giros. Quando ele recebe a bola de frente, ele tem a opção de tocar para os dois laterais alas. Com três zagueiros, liberam os dois laterais. E também fazer esse passe em profundidade vertical para os dois atacantes. Basicamente, é tocar para a lateral e da lateral fazer o cruzamento, porque o forte deles é a joga aérea com Paredes e Barrios - completa Eutrópio.

Dica para o Palmeiras
E é justamente nessa mudança tática que Eutrópio acredita que o Palmeiras possa encaixar seu estilo de jogo. Com a movimentação dos alas e a presença de três zagueiros, segundo o treinador, a defesa passa a "cutucar" o rival com linhas mais altas de marcação. Nesse buraco aberto pela subida de um dos defensores, uma infiltração de um meia ou de um ala alviverde pode terminar em jogada de gol.

- É uma equipe experiente, cadencia muito, sabe dosar, gerenciar os minutos. A velocidade que eles têm é só pelas alas, por dentro é muito difícil. Com esse sistema novo, com cinco defensores, estão deixando mais espaço e não estão trabalhando em um bloco tão próximo com quando era no 4-2-3-1 como era quando eu joguei contra eles. Estão mais espaçados. Zagueiros saem mais na caça, buscam os atacantes. Se houver uma troca, de um atacante vir buscar e um meia ou um ala fazer a infiltração, eu acredito que o Palmeiras vai conseguir espaços até por dentro - finaliza.

Provável time do Colo-Colo para o jogo contra o Palmeiras
Orión; Zaldivia, Barroso e Insaurralde; Óscar Opazo, Carlos Carmona, Baeza e Pérez; Valdivia; Lucas Barrios e Paredes.