Yago Mateus - Paulistano - NBB

Armador é um dos destaques do basquete brasileiro (Foto: Lucas Guanes/Locomotiva Esportiva)

Sergio Santana
09/02/2019
11:00
Franca (SP)

Yago Mateus, por si só, é um dos protagonistas do NBB. No Ginásio Pedrocão, casa do Franca e palco do Jogo das Estrelas, a coisa fica pior: por defender o Paulistano, um dos maiores rivais da equipe local, ele sofre com as vaias que vêm das arquibancadas. Ao LANCE!, ele falou, nesta sexta-feira, que essa situação reflete no bom trabalho que ele produz no clube que defende.

- Se eles estão pegando no meu pé, se estão torcendo contra eu acho que alguma coisa boa eu devo estar fazendo. Fui para a final com um cara que é daqui, a torcida vaiou, mas o cara é meu irmão, respeito muito, faz parte da minha família. Quem ganhasse não importava, para ele também eu acho que não, isso é uma festa, a gente está participando e o importante é isso - afirmou.

O armador destacou o amor que possui pelo Paulistano, seu atual clube, e que, por isso, deve passar por cima de qualquer situação adversa para conquistar vitórias. Uma dessas é possuir um bom psicológico para aguentar momentos de vaias que vêm das arquibancadas e transformar esse fator em algo que pode servir como estímulo dentro de quadra.

- Eu jogo e faço de tudo para defender meu time. Começam a vaiar, eu começo a jogar mais, então, se isso parte deles, eu faço minha parte de mostrar dentro de quadra, joguei muito aqui, perdi e ganhei, então isso é o que basquete proporciona para gente, pessoas contras e a favor. Eles fazem o papel deles, que é vaiar e torcer para quem é daqui e eu estou fazendo o meu na quadra. É o esporte. Não sei o que acontece, se eles têm raiva de mim, então eu acabo mostrando dentro de quadra e é isso que vou fazer sempre - contou.

Apesar de ser vaiado na grande maioria das vezes que pisou no Ginásio Pedrocão, Yago afirma que, após as partidas, os torcedores que participam disso pedem para tirar fotos. Na opinião do atleta, isso representa que ele está alcançando um bom nível dentro do basquete nacional.

- Eu tenho a cabeça no lugar, trabalho muito isso, procuro ficar perto de pessoas que me ajudam. Atingir esse nível é muito gratificante, trabalho muito para melhor cada vez mais e eu vejo isso sempre que eu venho aqui, vou jogar em Mogi, enfrento o Flamengo, e as pessoas vaiam, mas quando acaba o jogo elas me cumprimentam, dizem que foi um bom jogo. Isso me deixa satisfeito e motivado para melhorar. Se for para ser vaiado, eu vou ser vaiado, se for para jogar aqui e a torcida gritar meu nome vai ser desse jeito - contou.

Yago chegou até a final do torneio de habilidades do NBB, mas perdeu para Lucas Dias, jogador do Franca, o que fez a torcida ir ao delírio. Os dois jogaram juntos na temporada passada no próprio Paulistano, venceram um título nacional e, por isso, construíram uma amizade.

- Ele é o cara que eu respeito muito, ele é meu irmão e a gente está sempre brincando um com o outro. Tanto que, na hora de ir (para a final do torneio de enterradas), eu disse "Quem ganhar, a gente divide" e é um cara que mereceu, ele tem um potencial gigante e estar em uma final com ele foi algo inédito, uma coisa que eu sempre falava e hoje aconteceu.

Yago carrega o fardo de ser um dos mais promissores jogadores do basquete brasileiro, fazendo parte da seleção principal e sendo um dos líderes do Paulistano em quadra. Todo esse destaque cama, consequentemente, um interesse de equipes de fora do país, algo que o atleta não esconde que está em sua mente.

- Eu tenho muitos sonhos e um deles é jogar fora do país, estou trabalhando para isso acontecer o mais rápido possível, mas não se é agora, se vai ser amanhã, daqui a dois anos.. Eu preciso estar pronto para as oportunidades e uma delas é isso, estar em um ginásio, jogar contra dois caras de Franca, ser vaiado e mesmo assim ter a cabeça no lugar. Isso é uma coisa que eu trabalho para lá na frente, quando eu jogar lá fora, conseguir me destacar - finalizou.