Tadej Pogacar

Esloveno Pogacar em ação (AFP)

Fernando Moyna
19/09/2020
22:00
BLOG SOLTANDO O FREIO

Realmente vimos o esloveno Tadej Pogacar (Emirates) ter uma performance histórica. Nada menos do que isso. Entrou na penúltima etapa da Volta da França, um contrarrelógio, reverteu uma diferença de 57 segundos para o líder Primoz Roglic (da Jumbo) e ainda por cima colocou mais 59 segundos em cima do seu compatriota ,  vice-campeão mundial de contrarrelógio (2017), num percurso bem semelhante ao deste sábado. E  além disso, Pogacar venceu a etapa colocando 1min21s em cima do campeão mundial daquele mesmo ano, Tom Dumoulin (outro ciclista da Jumbo).

Já vimos algo parecido nos 107 anos do Tour de France. Lemond ganhando por 8 segundos do francês Fignon no último dia, revertendo uma diferença de 50 segundos. Porém,  Fignon não era um bom contrarrelogista. Já Lemond era um especialista. De alguma forma era bem mais possível acontecer, embora difícil.

Roglic é um especialista! E Pogacar ter sido tão melhor passa a impressão de que Roglic pode ter amarelado ou medido errado as suas energias. Mas  não foi o caso. O ex-líder fez uma etapa dentro do esperado, assim como dois de seus companheiros da Jumbo,  Dumoulin e Aert (o quarto colocado). Todos os três dentro de uma diferença de 30 segundos e com Roglic no Top5 da etapa.

Para relembrar:  em 2019,  na Vuelta da Espanha, Pogacar tomou 1min29s num ondulado contrarrelógio de 36,2km. O garoto ficou em terceiro lugar geral enquanto Roglic foi o campeão. Em menos de um ano, POgacar reverte isso e sem o seu compatriota ter tido um mau dia. Incrível!

Pogacar é um garoto, completará 22 anos na próxima segunda-feira, e ainda está descobrindo seus limites. Tem ousadia e muita atitude, que foram a sua marca na etapa seguinte (#8) a que perdeu tempo no vento cruzado. Não por sua culpa, mas por um furo de pneu no momento errado quando o ritmo estava fortíssimo. Prejuízo de 1min21s. Por[em, ele  não perdeu tempo em começar a peneirar segundos a cada etapa para voltar para a briga. Foi o único que desafiou a equipe Jumbo nas montanhas efetivamente. Bom lembrar que Pogacar perdeu seus dois melhores gregários de montanha desde a semana passada: Aru e Formolo. Cara de garoto e atitude de um veterano.

Outras mudanças de posições aconteceram no top 10, mas claro, perderam a importância perto do que o Pogacar conquistou.

Superman López esteve ótimo nos Alpes, mas foi muito mal no contrarrelógio. Esse sim performou abaixo do que poderia e perdeu nada menos do que três posições. Agora está em sexto.

Richie Porte (australiano da Trek)  finalmente sobe ao pódio com excelentes atuações, na quinta passada quando furou o pneu no “gravel” (terreno em cascalho) e conseguiu voltar para o pelotão dos favoritos; e agora no contrarrelógio fazendo o mesmo tempo que o Dumoulin e fechando em terceiro lugar.

O espanhol Mikel Landa (Bahrain)  repete a sua melhor colocação, consolidando-se em quarto lugar, com um contrarrelógio acima da média. Enric Mas (espanhol da Movistar) fecha o top 5 mostrando que está se recuperando das várias doenças do ano passado.

A equipe Emirates  começou com a “zebra” do Kristoff ganhando a 1ª etapa no sprint . Agora vai terminar com outra “zebra” vestindo a camisa amarela. As duas muito merecidas e a bicicleta para desfilar na última etapa amanhã no Champs Élysées já está pronta nas mãos do Sr. Colnago.