Papo com Helio Castroneves: e lá vou eu para minha 26ª Indy 500, de olho no quinto anel
A prova das 500 Milhas de Indianápolis traz nova oportunidade para o Brasil na modalidade

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Olá, pessoal, tudo bem? Espero que sim. Hoje vou contar um pouco de história e, obviamente, dada a proximidade do Super May no automobilismo dos Estados Unidos, de onde escrevo, tudo gira em torno da centenária e fantástica prova 500 Milhas de Indianápolis.
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Tenho muitos orgulhos na minha carreira como piloto profissional e, sem dúvida, minha história com o Indianapolis Motor Speedway é um dos principais. Na prova do dia 24 de maio próximo, a edição de número 110 da Indy 500, completarei 26 participações na mais incrível corrida do mundo. Não me entendam mal: não estou menosprezando outras corridas e campeonatos, mas, por suas características tão exclusivas e extremas, a principal corrida do calendário do NTT IndyCar Series não tem paralelo.
Lembro de ter visto pela televisão, junto com meu pai, seu Helio, a vitória do Emerson Fittipaldi, em 1989. Tinha acabado de fazer 14 anos, estava andando bem no kart — naquele mesmo ano seria campeão brasileiro de kart — e meus pensamentos de criança me direcionavam para a Europa. Obviamente, o sonho era a Fórmula 1 — Piquet tinha acabado de ser tricampeão mundial e o Senna já tinha faturado o primeiro dos três que conquistaria —, mas o que parecia mais palpável naqueles dias era a participação no Mundial de Kart da FIA, do qual tomei parte algumas vezes.
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Indianápolis, porém, era grandioso demais, louco demais, fantástico demais — algo que minha cabeça, em processo de construção naqueles inesquecíveis dias de Ribeirão Preto, entendia como muito distante, inatingível. Só que a maneira como eu via o mundo, em 1989, era muito restrita diante do plano que Deus tinha para mim. Tanto é verdade que, exatamente 12 anos desde aquele 28 de maio de 1989, o Helinho de Ribeirão Preto, o "pé vermeio", o filho da dona Santa e seu Helio, irmão da Kati, iniciava sua história na Indy 500.
É verdade que meu "cartão de visita", a primeira coisa que as pessoas lembram quando falam do Helio Castroneves piloto — sim, tenho de fazer essa diferenciação porque, acreditem, muita gente, principalmente aqui nos Estados Unidos, é fã do Helio Castroneves dançarino — é minha trajetória vitoriosa na Indy 500. Também pudera: o cara vem lá de Ribeirão, estreia na prova, em 2001, com vitória; volta no ano seguinte e vence novamente; depois triunfa em 2009 e, quando chega 2021, quando muita gente falava que eu deveria me "aposentar", o que acontece? O Castroneves vai lá e vence novamente. Quatro vitórias.

É por isso que digo que a Indy 500 não é uma simples corrida, uma mera etapa do calendário do NTT IndyCar Series. É mais do que isso, é muito mais. É um compromisso com a velocidade, é reverência diante de um dos maiores e mais importantes templos do automobilismo, é um estilo de vida. É a frequência cardíaca que só se manifesta quando você ingressa no Indianapolis Motor Speedway, passando por baixo da pista, dando de frente para o museu e trafegando pela Rua Castroneves, antes de estacionar no espaço reservado para pilotos e equipes.
Com 25 corridas já disputadas e quatro vitórias imensamente conhecidas, existiram outras 21 Indy 500 que não venci, mas que ajudam a contar uma "vida" de amor pelo automobilismo. Disseram-me que 500 palavras é um bom tamanho para a coluna e, pelo que vejo no marcador do Word, já passei esse número. Por causa disso, vou deixar para falar sobre as 21 corridas não vencidas em outro momento, enquanto minha 26ª Indy 500 não vem.

Mas, só para terminar, uma coisa posso garantir, sem medo de errar: cada uma delas, independentemente do resultado final, carrega doses elevadas de dedicação, dramaticidade e emoção.
É isso, amigos. Vou ficando por aqui para a coluna não ficar muito longa, mas não sem antes desejar a todos um maravilhoso fim de semana e ótimo trabalho para quem, como muitos de nós, esportistas e jornalistas, quase nunca consegue colocar "fim de semana" e "folga" na mesma frase.
Até semana que vem e fiquem com Deus.


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