Homens de Ferro que voam, partidas e chegadas e o mundo da bola
O Ironman, a Inter de Milão e a pacata Eugene, nunca mais serão os mesmos!

Alexandre Médicis partiu- Meu oráculo para longevidade e bem viver pediu as contas, fez seu último trote, tomou a saideira e se foi. O Rei do humor, e do mau-humor, numa mesma frase. O cara que colecionava com estupenda facilidade medalhas e amigos, quilômetros e copos, histórias e estórias. Mas sua maior coleção e maior legado, é a vida que viveu, os amigos que deixou.
Não éramos amigos chegados, talvez companheiros que compartilhavam os mesmos lugares para correr e prosear. Mas, sempre que nos víamos, era o mesmo ritual, um levantar de olhos, um meio sorriso e um leve balançar de cabeça. Em mim isto soava como um "é isso aí, moleque, o mundo passa por nossos pés, sigamos, pois". E seguíamos. Eu, com o mesmo pensamento de sempre quando nos cruzávamos: quando crescer quero ser Alexandre Médicis! E o tempo foi passando, como só ele sabe passar. Lá se foram os 80, 90, milênio... e lá íamos nós, primeira e segunda décadas do novo milênio. Nossos pontos de geo-convergência mudaram, Barra da Tijuca, às vezes trotando, outras pedalando, saindo do Metrô, seguíamos, nos esbarrando. E Alexandre sempre me inspirando, seguindo, a colecionar centenas de medalhas, entre triathlons e maratonas.
Aos quase 100 anos, já sentindo alguma dificuldade em trotar, mas a vivacidade e lucidez de menino, tive o prazer de uma última prosa, que levarei comigo até sempre, num encontro, semanas atrás, até reportado em uma de minhas colunas aqui. Entre amigos de longa data, Alexandre era o "decano", aliás o "quase centano". Relembramos provas, de Triathlon e maratonas, rimos, gargalhamos e brindamos, à vida vivida e a por viver.
Pois é, o que nos resta é viver, da melhor forma possível, como forma de homenagear, de recordar, a quem soube com maestria e dignidade, viver! Saiba meu amigo Alexandre, hoje e sempre, os sinos dobrarão por ti!
Homens de Ferro que voam- Façamos um exercício (ora, iremos falar de alta performance no Triathlon, e de homens de ferro), fechemos os olhos e imaginemos algum bom triatleta, na aprazível Cabo Frio, a iniciar uma dura jornada, nadando 3,8km em alta intensidade (tipo, cobrir esta distância em míseros 47 minutos, no mar). Ao final, este tresloucado irá deixar os apetrechos de natação e vestir-se de ciclista, montar em sua bike aerodinâmica e, com ares futuristas, baixar a cabeça e cumprir, em alta intensidade, os 180 quilômetros que separam este delicioso balneário do, por exemplo, Aterro do Flamengo. Bem, após exatas 4 horas, mantendo a média de 45km/h (significa andar a maior parte do tempo lá pelos 48, 49km/h), trocar-se novamente, de roupa e de modalidade, não satisfeito com o que já fez, largar para, aproveitando o local escolhido, a Maratona do Rio, da semana passada. E, de forma supra-humana, fechar a prova na 12ª colocação geral, com o tempo de 2 horas e 30 minutos! Sim, aconteceu neste domingo, no Ironman de Frankfurt, quando o dinamarquês Kristian Blummenfelt, ouro no Triathlon de Tóquio 2021, venceu a prova com esta aberração de tempos e performance. Elevando o nível das grandes façanhas desportivas da raça humana (apesar de que começo a desconfiar da natureza humana de Blu!).
Como alguém consegue, primeiro, numa etapa de ciclismo, cravar 4 horas para a distância de 180km, a despeito de ventos e leves subidas. Lembro estarrecido que foi quase este o tempo que levei, ano retrasado, quando voltei, DE CARRO, da mesma Cabo Frio, numa manhã de segunda-feira. E, relevando este fato histórico e o desgaste estúpido, largou para a maratona, encaixadinha, para 2 horas e 30 minutos! Seu tempo total de prova, foi um verdadeiro escracho, 7 horas e 25 prosaicos minutos! Os 10 primeiros colocados fecharam a prova baixo de 7 horas e 45 minutos. Esses homens de ferro aprenderam a voar?
Talvez, mas o que verdadeiramente mudou o perfil do atleta de Ironman desta década, em relação aos das décadas anteriores, é que houve uma invasão de atletas de elite olímpicos. E a intensidade de treinos e, consequentemente, das provas aumentou drasticamente. Eles tornaram o Ironman uma prova mais veloz. Até as transições, entre as modalidades, se tornaram curtas e ligeiras!
Se eu, por acaso, fosse congelado em 2016, logo após os Jogos do Rio, e me degelassem nos dias de hoje, e por acaso, encontrasse o ótimo atleta alemão, Paul Schulter, e perguntasse a ele como foi em Frankfurt. E ele me respondesse: fiz 7 horas e 43 minutos. Eu, com certeza, diria: uau! E quem foi o segundo e o terceiro. Ele, com um sorriso amarelo, a contragosto, me responderia: eu fui o décimo, imbecil!!
Enfim, tirando o mau-humor típico do Schulter, o Ironman pediu pista e decolou!
De volta pra casa- E a Copa do Mundo de Clubes entra na fase de jogos eliminatórios. É a hora do jogo jogado. Palmeiras e Fluminense, que venceram, respectivamente, Botafogo (em fogo amigo) e Inter de Milão (um dos 4 grandes da Europa), os sobreviventes do Brasil, com competência e muita garra, chegam às quartas de final. Em jogos que acontecem na sexta-feira. Se seguirem em frente, difícil (mas sonhar não custa caro), teremos uma semifinal brasileira. Será?
Cartas para a redação.
Alerta ligado para a Diamond League no Oregon, com provas espetaculares!
Na coluna de sexta, dia anterior à competição, que acontece em Eugene, descreverei as melhores disputas da Prefontaine Classic na sua 50ª edição. Uma homenagem merecida a Steve Prefontaine, um fundista americano, que em sua curta carreira se especializou em quebrar recordes e regras! Transmissão, sábado, no Sportv e em streaming.
Nos vemos na sexta, então.
Lauter Nogueira

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