M. Hirschi

Hirschi venceu a etapa 12. Nesta sexta-feira, na etapa 13, é dia da fuga voltar a dar show no Tour de France  AFP

Fernando Moyna
10/09/2020
22:53
BLOG SOLTANDO O FREIO


Após duas excelentes tentativas de ganhar uma etapa (foi vice na número 2),  Marc  Hirschi finalmente conseguiu, nesta quinta-feira, na etapa 12, a sua primeira vitória em Grand Tour. E logo no Tour de France. A sua equipe, Sunweb, colocou metade da equipe na fuga na montanha mais difícil do longo dia e deu início a uma série de fugas de especialistas.

O francês Julian Alaphilippe, da Quick-Step Deceuninck,  demorou a atacar. Talvez esperava a parte mais empinada da montanha para conseguir fazer mais diferença, mas ele levou vários ciclistas na sua roda. O motivo era claro: todo mundo sabe que Alaphilippe  era o melhor sprinter do grupo e ninguém iria trabalhar com o francês para tomar na cabeça na linha de chegada (e o francês foi apenas o décimo-primeiro).

Hirschi, desta vez, investiu tudo que tinha, principalmente nas descidas. E a sua vantagem não diminuiu de 30s para o segundo colocado. Como dizem os franceses “Chapeau”


O que esperar para a Etapa 13

Se nesta quinta-feira a tendência era a de que a etapa era para os especialistas em clássicas, nesta sexta-feira a certeza de que uma fuga levará a etapa 13 é ainda maior. Serão 191,5km, nada menos do que sete montanhas categorizadas  (e outras não categorizadas) e com a segunda maior altimetria de todo o Tour; 4.459. Ideal para os escaladores. Dificilmente existe um trecho plano e a última montanha da chegada tem uma rampa duríssima. Estilo Vuelta a Espanha.

A fuga deverá ser bem numerosa  já que os escaladores favoritos precisarão de gregários para manter o pelotão a distância numa etapa tão longa. Até a metade da etapa,  imagino que a equipe Bora repetirá a dose desta quinta-feira comandando a fuga; já a Quick-Step Deceuninck tentará trazer o seu ciclista líder da Camisa Verde ( dos velocistas, por pontos). Sam Bennett, para o sprint intermediário. Como não imagino que o irlandês Bennett passe as montanhas, a Deceuninck deverá tentar colocar um ou dois para chegar na frente de Peter Sagan (da Bora e que é o segundo colocado da camisa verde) e roubar esses pontos dele, mantendo Bennet em confortável vantagem na frente.

O suíço Hirschi pode tentar roubar a camisa de bolinha (de melhor escalador) do francês Cousnefroy, pois está somente a cinco pontos de diferença para o líder. Para isso, os dois deverão brigar pelo menos nas primeiras das sete montanhas.

Fique de olho

Com uma fuga desse tamanho e com tantos interesses em jogo, imagino que haverá grande distância do escapador para o pelotão que briga pelo título maior, o da classificação geral (camisa amarela, por tempo). Algo como 5 ou 10 minutos, pois as equipes dos favoritos para a amarela estarão preocupadas em levar seus capitães até a última montanha e principalmente a última rampa.

Lá, sim, devemos ter diferenças entre os favoritos. As equipes com gregários inferiores aos das equipes Ineos (do vice-líder e atual campeão Egan Bernal) ou Jumbo (do lider Primoz Roglic) deverão enviar gregários na fuga para esperar seus capitães caso eles precisem no fim da etapa.  Bahrain, Movistar, EF Education, Astana, Arkea... todas deverão colocar gregários para ficar de roda na fuga. “Descansando” até os capitães chegarem.

Esse tipo de final com percentuais acima de 10% de inclinação nos últimos 4km favorece os mais explosivos como Roglic, Pogacar, Yates e menos para os escaladores de longas montanhas como Bernal, Superman Lopez, Quintana e Landa.

Roglic não pode mais desperdiçar essas chances para ganhar alguns segundos sobre seus adversários já que mais da metade do Tour já se passou e as altas montanhas começam já no domingo onde poderá estar em desvantagem.

Com briga na camisa verde, na camisa de bolinha e na camisa amarela, a etapa desta terça-feira (que terá transmissão da ESPN 2 a partir das 10h, de Brasília) está imperdível!!