Quem é Gilles Villeneuve, lenda da Fórmula 1 que leva o nome do Circuito do Canadá
Sua pilotagem agressiva impactou o mundo do automobilismo

A cidade de Montreal vai receber mais uma edição do GP do Canadá neste final de semana. O circuito leva o nome do canadense Gilles Villeneuve, um nome bem importante para a Fórmula 1. Mesmo sem grandes números de vitórias e títulos, o seu estilo de pilotagem conquistou o coração de muitos fãs e se tornou um dos nomes mais icônicos que passou pela Ferrari.
Apesar de ser uma das maiores lendas do automobilismo, Gilles, que morreu em 1982 aos 32 anos, não é tão conhecido pelo público mais jovem que acompanha F1. Seu sobrenome voltou às pistas, através de seu filho Jacques, que pilotou pela Williams e foi campeão da F1 em 1997.
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O INÍCIO
Nascido em 1950, Gilles começou sua careira no automobilismo nos anos 1970, ainda no Canadá, em competições de moto de neve, chamadas em inglês de "snowmobile". Em seguida, mudou para os monopostos, com passagens pela Fórmula Ford e F-Atlantic e desde o início começou a se destacar pela sua pilotagem.
Aos 25 anos, o canadense foi campeão da Fórmula Atlantic em seu ano de estreia. No ano seguinte, ele repetiu o feito e venceu novamente. Esta corrida impressionou todos ao seu redor, ao derrotar uma figura lendária da F1, o britânico James Hunt, que também gostou da atuação do novato e o convidou para participar do GP da Grã-Bretanha, em Silverstone.
A primeira equipe a dar uma oportunidade foi a McLaren, em 1977 Villeneuve competiu com o modelo M23, que era bem desatualizado para a época. Mesmo com as dificuldades, conseguiu a nona colocação, à frente de Jochen Mass, piloto fixo da equipe britânica, que competia com um carro melhor, o M26. O canadense conquistou a bandeirada na 11 colocação e foi o suficiente para atrair a atenção das escuderias.
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ERA FERRARI

O homem que sentiu mais atração pela forma que Gilles dirigia foi ninguém menos que Enzo Ferrari. O dono da maior marca de carros do mundo gostava da agressividade e arrojo do piloto, na qual segundo ele lembrava o lendário italiano Tazio Nuvolari, vencedor de 24 grandes prêmios e uma 24 Horas em LeMans. Então, Jody Scheckter foi chamado para se juntar à Scuderia.
A temporada de 1978 foi marcada por aprendizagem para o jovem piloto, mesmo com resultados positivos como o seu primeiro pódio, um terceiro lugar na Áustria e sua primeira vitória em casa, houve muitos abandonos por erros e acidentes. Mesmo com os problemas e ter sido ofuscado pelo seu parceiro de equipe, Carlos Reutemann, a equipe entendeu que ele ainda estava em evolução.
O final da década de 70 para Gilles e para a Ferrari foi um momento de mudanças, com um conjunto sólido de modelos da linha 312T, a equipe tinha perdido dois grandes nomes de referência no volante, Niki Lauda em 1977, e Reutemann, em 1978. Para fazer companhia para o cidadão de Quebec, a Ferrari trouxe Jody Scheckter, que vinha da equipe Wolf.
A CHANCE DE TÍTULO
No próximo ano, Villeneuve começou a temporada de maneira forte emendando vitórias em Kyalami e Long Beach e assumindo a ponta do campeonato. No entanto, seu companheiro de equipe conseguiu se impor em todo o duelo, abriu vantagem na liderança da tabela e garantiu o título daquele ano com duas corrias de antecipação, o que no início era um sonho para o canadense, se tornou um pesadelo.
Mesmo com a vitória em cima de Watkins Glen, no encerramento da temporada, que garantiu o vice para Villeneuve, o momento se mostrou a maior chance dele lutar por um título da F1.
O MITO
A passagem sem títulos de Gilles não impediu dele ser uma figura memorável na categoria, a sua dirigibilidade se tornou um encaixe perfeito na Ferrari. Os resultados importavam, lógico, no entanto o seu estilo de pilotagem selvagem ofuscava os resultados mediados, caindo na graça de tifosis (torcedores da Ferarri) e do próprio Enzo.
Vários acontecimentos simbolizavam este estilo. O GP da França de 1979 é um dos grandes exemplos, o canadense disputava lado a lado o segundo lugar com o René Aunox e Villeneuve levou a melhor.
O DESENTENDIMENTO EM ÍMOLA

A temporada de 1982, além de ter sido uma dos anos mais atípicos a história da F1, foi também a época da intriga de Gilles com seu colega de equipe Didier Pironi. No GP de San Marino daquele ano, que foi marcado pela disputa política entre a FISCA (Federação Internacional de Automobilismo Esportivo) e a FOCA (Associação dos construtores), teve a participação de apenas 14 carros na pista. O canadense duelou com o Pironi, mas ficou irritado, pois o francês não cumpriu a ordem da equipe de não lutar por posição.
No final desta corrida, Pironi venceu e Villeneuve se sentiu traído. Essa questão foi tão profunda para o primeiro piloto da Ferrari que ele pediu para trocar de equipe e chegou a recorrer e abrir negociações com a Williams. No entanto, não foi isso que ocorreu afinal.
O ADEUS TRÁGICO
Duas semanas depois, a categoria chegou ao GP da Bélgica, que era disputado na cidade de Zolder. O dia 8 de Maio daquele ano foi trágico para a F1. Nos minutos finais da classificação, Villeneuve tentou fazer um tempo melhor, pois estava abaixo de seu companheiro Pironi, mas se deparou com a March de Jochen Mass e atingiu a traseira do alemão que estava em baixa velocidade.
Gilles foi arremessado e decolou a mais de 220 km/h e às 21h locais foi declarado morto, devido as inúmeras lesões generalizadas incluindo fraturas no pescoço.
Sua passagem pelo automobilismo se resume, além de 67 largadas, seis vitórias e um vice campeonato. O legado de Gilles foi marcado por um piloto agressivo, destemido, uma figura carismática e que dava risadas quando escutava a palavra limite. Seu personagem encantou torcedores e rivais mesmo sem grandes títulos, uma das pessoas que mais contribuiu para a Fórmula 1.

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