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Com 51 anos, o brasileiro multicampeão Milton Iwama tem uma vida dedicada ao Taekwondo (Foto: Divulgação)

TATAME
07/11/2018
15:20
Rio de Janeiro (RJ)

Por Mateus Machado

Uma vida dedicada ao Taekwondo. Assim pode ser resumida a trajetória de Milton Iwama. Atualmente com 51 anos, o paulista de Marília, no interior, começou na modalidade em 1980 e, desde então, se dedicou integralmente ao esporte, onde conquistou diversos títulos e ajudou diretamente no desenvolvimento da arte marcial no Brasil e também nos Estados Unidos, onde está atualmente, analisando propostas de trabalho para seguir sua carreira.

Hoje um esporte olímpico, o Taekwondo evoluiu de forma constante nos últimos anos, diferente do que acontecia no período em que “Miltinho” começou. O brasileiro, então, fez um paralelo sobre as mudanças ocorridas no esporte até os dias atuais, e comemorou.

- Já demos um grande salto com o esporte no Brasil. Hoje o Comitê Olímpico trabalha diretamente com a Confederação Brasileira de Taekwondo, auxiliando até na gerencia de verbas, recursos… O Ministério do Esporte também vem contribuindo com a divulgação do Taekwondo a partir do momento que se tornou esporte olímpico, bem diferente da década de 80 e 90, quando se ouvia falar no esporte apenas em situações isoladas. Atualmente os atletas já têm algum apoio, e não precisam se preocupar tanto com certas despesas - disse.

Confira a entrevista completa com Milton Iwama:

– História com o Taekwondo e títulos


Tenho 51 anos e tenho contato com o Taekwondo desde 1980. Nasci em Marília (SP), cresci em SP, tive escolas de Taekwondo em Santo André e Campinas, sou formado em Processamento de Dados e fiz três anos de Educação Física. Minha primeira academia foi em Campinas, em 1983, e logo na sequência abri uma segunda unidade, em 1987. Após me formar, voltei para Campinas e abri minha terceira escola de Taekwondo. Eu fui oito vezes campeão paulista, sete vezes campeão brasileiro e vice-campeão do mundo – sou o primeiro brasileiro a conquistar a medalha de prata em Mundiais. Tive três participações em US Opens de Taekwondo, sendo medalha de ouro em 1994, prata em 1995 e bronze em 1996. Também tive quatro participações em Pan-Americanos, sendo bronze em 1988, quinto colocado em 1990, prata em 1992 e prata em 1994. Sou campeão sul-americano de 1992, fiz parte da seleção All-Star em 1994 e 1998, que é formada por atletas de vários países e essa seleção faz uma grande turnê para divulgar o esporte pelo resto do mundo.

– Início com o Taekwondo no Brasil

Eu iniciei a prática em 1980, em Santo André (SP). Por um período, eu dei aulas na academia de Santo André e depois me transferi para Campinas, onde tive minhas escolas. Foi o período onde participei de basicamente todas as competições, de 1986 até 1996/1997. Fiz parte da seleção brasileira durante esse período e representei o país nos eventos internacionais. Atuei nesse período como atleta da seleção e técnico das minhas escolas nos eventos onde minha academia tinha representatividade. Em 1998, me mudei para os Estados Unidos para dar aula na Califórnia e perdi contato com o Taekwondo no Brasil. Meu regresso foi em 2004, e voltei em 2011 como árbitro e coordenador de arbitragem da Confederação Brasileira de Taekwondo, até fevereiro deste ano.

– Diferença para outras artes marciais

A diferença do Taekwondo em relação às outras artes marciais é a especialidade em chutes. Existe um treinamento específico para você ter técnicas bem flexíveis, plásticas e bonitas. Utiliza-se alguns golpes com a mão, porém, 70% das técnicas, são os chutes.

– Evolução do Taekwondo no Brasil

Na minha opinião, já demos um grande salto com o esporte no Brasil. Hoje o Comitê Olímpico trabalha diretamente com a Confederação Brasileira de Taekwondo, auxiliando até na gerencia de verbas, recursos… O Ministério do Esporte também vem contribuindo com a divulgação do Taekwondo a partir do momento que se tornou esporte olímpico, bem diferente da década de 80 e 90, quando se ouvia falar no esporte apenas em situações isoladas. Atualmente os atletas já têm algum apoio, e não precisam se preocupar tanto com certas despesas Hoje, em alguns eventos, já não temos mais esses problemas. O atleta tem apoio, recebe recursos para treinar e competir. Porém, mesmo com esse apoio, ainda falta oferecer condições para que o atleta se mantenha treinando, sem se preocupar com o meio de sobrevivência, porque muito atleta tem a passagem garantida, mas tem que trabalhar para cumprir com suas obrigações pessoais, de vida mesmo, e ainda lutar.

– Utilização do Taekwondo nos EUA

Eu vim para os EUA por motivos pessoais. Tenho alguns contatos aqui e, desta forma, recebi propostas para voltar a trabalhar com o Taekwondo a nível de dar aulas, ser técnico e também atualizar os atletas e até os professores em termos de arbitragem. É uma coisa que levanta muita curiosidade do pessoal aqui nos EUA, porque a visão que eles têm de Taekwondo, de competição, é um pouco diferente da nossa. Nosso estilo sul-americano é diferente do estilo norte-americano. O nosso é mais agressivo, se treina mais pesado, então, em um primeiro momento, causou um impacto positivo. O pessoal está bem animado com a possibilidade de eu auxiliar no desenvolvimento deles em competições.

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