Ronaldinho e Assis presos no Paraguai: relembre o caso de 2020
Ronaldinho Gaúcho e Assis ficaram presos no Paraguai por 171 dias em 2020.

No dia 4 de março de 2020, o mundo do futebol foi surpreendido com a notícia de que o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário Roberto de Assis Moreira haviam sido presos no Paraguai, acusados de entrarem no país utilizando passaportes falsos. Os documentos afirmavam que os dois seriam cidadãos paraguaios naturalizados — o que não era verdade. O Lance! relembra a prisão de Ronaldinho e Assis no Paraguai.
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O motivo da viagem era participar de eventos publicitários e lançar o livro "Craque da Vida", mas a recepção calorosa no aeroporto de Assunção acabou virando caso de polícia. Ainda no aeroporto, as autoridades perceberam inconsistências nos passaportes apresentados, mas optaram por não deter imediatamente a dupla para evitar tumulto. Na madrugada do dia 5, agentes foram até o hotel onde os brasileiros estavam hospedados e encontraram os documentos falsificados.
Como foi o processo judicial de Ronaldinho e Assis?
Ronaldinho e Assis foram levados para depor e, inicialmente, o Ministério Público do Paraguai culpou o empresário Wilmondes Sousa Lira como responsável pela falsificação. Também foram denunciadas duas cidadãs paraguaias, María Isabel Galloso e Esperanza Apolonia Caballero, que teriam ajudado no esquema.
O caso tomou outro rumo quando o MP alegou que, apesar de Ronaldinho ter apresentado documentos falsos, ele não sabia da origem ilícita, e que apenas Assis tinha conhecimento da fraude. Mesmo assim, ambos colaboraram com as investigações, o que os colocou sob o chamado "critério de oportunidade", que os livraria de novas denúncias — mas isso mudou dias depois.
Prisão preventiva decretada para Ronaldinho e Assis
Na audiência decisiva, o MP recuou e pediu prisão preventiva para os irmãos. A Justiça acatou o pedido e, no dia 6 de março de 2020, Ronaldinho e Assis foram detidos e levados à Agrupación Especializada, um centro de detenção da polícia paraguaia. A justificativa para mantê-los presos era evitar prejuízos às investigações.
Durante o processo, a defesa tentou diversas vezes converter a prisão preventiva em domiciliar, mas teve três recursos negados. Ronaldinho passou 171 dias sob custódia — parte em cela comum, parte em regime de prisão domiciliar num hotel de luxo em Assunção.
No final, ambos foram liberados após pagamento de multas que, corrigidas, somam cerca de R$ 1,4 milhão. O processo foi encerrado em agosto de 2020, e hoje os irmãos não têm mais pendências com a Justiça paraguaia.
A peça-chave do caso segue foragida
A empresária Dalia López, apontada como mentora intelectual do esquema de falsificação, é considerada a peça-chave do caso e permanece foragida. Foi ela quem, segundo as investigações, intermediou os eventos de Ronaldinho no Paraguai e viabilizou os documentos falsificados.
A ordem de prisão contra Dalia foi emitida em 7 de março de 2020, e desde então há um mandado internacional de captura expedido pela Interpol. Mesmo assim, ela nunca se apresentou às autoridades, apesar de ter sido vista publicamente em Assunção em ocasiões posteriores.
A Justiça acredita que Dalia comandava uma rede de confecção de documentos falsos usados para lavagem de dinheiro, com apoio de funcionários públicos. Em 2023, sete réus foram condenados por envolvimento no caso — entre eles, dois servidores estatais. Mas Dalia continua sendo o elo que falta para entender o esquema em sua totalidade.
Ronaldinho hoje: de preso a showman
Cinco anos depois, Ronaldinho Gaúcho continua vivendo de sua imagem carismática e trajetória como ídolo do futebol. Ele participa de jogos beneficentes, eventos internacionais e lançou recentemente o curso online "Manual do Bruxo", voltado para jovens atletas. Além disso, o ex-camisa 10 do Barcelona e da Seleção Brasileira flerta com o mercado de criptomoedas, dando indícios de que pode lançar sua própria memecoin.
Apesar dos episódios polêmicos e da passagem pela prisão, Ronaldinho mantém sua aura de ídolo mundial e continua sendo um dos nomes mais populares do futebol brasileiro no exterior.
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