A história do Clube dos 13; o que foi o movimento que mudou as transmissões do Brasil
Criado em 1987, o C13 uniu os grandes clubes para negociar TV e enfrentou a CBF.

- Matéria
- Mais Notícias
O Clube dos 13 nasceu em um momento de ruptura no futebol brasileiro. Em 11 de julho de 1987, treze dos principais clubes do país decidiram se unir para defender interesses comerciais e políticos diante da fragilidade da Confederação Brasileira de Futebol. A entidade, oficialmente chamada União dos Grandes Clubes do Futebol Brasileiro, marcaria o início da era moderna das transmissões do Campeonato Brasileiro. O Lance! relembra a história do Clube dos 13.
Relacionadas
➡️ Siga o Lance! no WhatsApp e acompanhe em tempo real as principais notícias do esporte
A crise da CBF naquele período era financeira e organizacional. Sem recursos para estruturar um campeonato rentável, a confederação abriu espaço para que os clubes assumissem protagonismo. Foi nesse contexto que surgiu a Copa União de 1987, organizada pelo próprio grupo e viabilizada por um plano de marketing robusto, negociado com a TV Globo, Coca-Cola, Varig, Editora Abril e outros parceiros.
A história do Clube dos 13
Fundação em 1987 e a Copa União
Os treze fundadores foram: Clube de Regatas do Flamengo, Sport Club Corinthians Paulista, São Paulo Futebol Clube, Sociedade Esportiva Palmeiras, Club de Regatas Vasco da Gama, Fluminense Football Club, Botafogo de Futebol e Regatas, Santos Futebol Clube, Clube Atlético Mineiro, Cruzeiro Esporte Clube, Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, Sport Club Internacional e Esporte Clube Bahia.
A Copa União, organizada pelos clubes e posteriormente reconhecida pela CBF como parte do Campeonato Brasileiro de 1987, representou a primeira grande negociação coletiva de direitos de TV no país. Em apenas um mês, o plano de marketing arrecadou cerca de seis milhões de dólares, valor que cobriu despesas operacionais e criou nova fonte de receita para os clubes.
A média de público superior a 20 mil pessoas por partida reforçou que o produto "Brasileirão" poderia ser tratado como ativo comercial estruturado.
O papel central na negociação dos direitos de TV
A partir de 1988, o Clube dos 13 passou a concentrar sua atuação na negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro. A entidade tornou-se interlocutora direta das emissoras, negociando pacotes nacionais e repartindo as cotas entre os associados.
No início dos anos 1990, os direitos foram vendidos com exclusividade para a Bandeirantes. Em seguida, Globo e Band passaram a formar consórcios, com a Globo reassumindo protagonismo nas transmissões. O modelo consolidava o jogo de domingo à tarde como produto fixo da TV aberta, criando padrão de grade e audiência.
Em 1997, o C13 fechou contrato de três anos com a Globo (1997–1999). Já em 2008, firmou acordo para o triênio 2009–2011 avaliado em aproximadamente 1,4 bilhão de reais, marco da valorização das cotas de TV no futebol brasileiro.
Expansão e organização da Copa João Havelange
Nos anos seguintes, a entidade ampliou o número de membros, chegando a 20 clubes. Em 2000, diante de impasse jurídico que impediu a CBF de organizar o Campeonato Brasileiro, o Clube dos 13 assumiu a organização da Copa João Havelange, competição com 116 equipes divididas em módulos.
A vitória do Vasco da Gama naquela edição reforçou o papel da associação como organizadora e não apenas negociadora comercial.
Mudança no modelo de divisão de cotas
A partir de 2001, o C13 alterou o sistema de distribuição de receitas. Surgiram grupos com cotas diferenciadas, favorecendo clubes de maior torcida e audiência. A mudança consolidou a concentração de receitas em poucos clubes, mas manteve a negociação coletiva como regra.
Esse modelo ajudou a estruturar financeiramente os grandes clubes, transformando a TV na principal fonte de receita do futebol brasileiro.
Crise, concorrência e ruptura do Clube dos 13
Entre 2010 e 2011, o cenário mudou. A Record e outras emissoras passaram a disputar os direitos do Brasileiro, e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica questionou cláusulas de renovação automática com a Globo. Internamente, clubes começaram a defender negociações individuais.
Em fevereiro de 2011, o Corinthians anunciou sua saída da entidade. Logo depois, Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, Santos, Palmeiras e outros clubes também optaram por negociar diretamente com a Globo para o ciclo a partir de 2012.
Sem os principais membros, o Clube dos 13 perdeu função prática e foi desativado ao longo da década de 2010, permanecendo apenas formalmente ativo por questões judiciais.
Legado do Clube dos 13
O Clube dos 13 foi responsável por transformar o Campeonato Brasileiro em produto televisivo estruturado. Criou padrão de transmissão nacional, negociou contratos bilionários e deu protagonismo comercial aos clubes.
Ao mesmo tempo, sua lógica de concentração de receitas e a dependência de uma emissora dominante contribuíram para sua própria implosão. Quando parte dos clubes concluiu que poderia ganhar mais negociando sozinha, o modelo coletivo perdeu força.
Ainda assim, o C13 marcou a virada do futebol brasileiro para a era dos grandes contratos de TV e consolidou o Brasileirão como produto central da indústria esportiva no país.
Tudo sobre
- Matéria
- Mais Notícias


















