Conmebol investe valor recorde, mas não compete com as cifras bilionárias da Europa
Entidade sul-americana cresce premiações, mas ainda fica muito atrás do cenário europeu

- Matéria
- Mais Notícias
A temporada 2026 será a de maior investimento da Conmebol na premiação dos clubes campeões da Libertadores e Sul-Americana. A entidade anunciou as novas cifras que serão pagas nos torneios, que aumentaram mais de 400% ao longo dos últimos dez anos, o que mostra a força comercial que as copas da América do Sul alcançaram. Mas os valores ainda não colocam os campeonatos na primeira prateleira quando se fala do poder financeiro.
➡️ Acompanhe os negócios no esporte em nosso novo canal. Siga o Lance! Biz no WhatsApp
Neste ano, o vencedor da Libertadores pode faturar pelo menos R$ 171 milhões considerando todas as bonificações distribuídas ao pongo do torneio. Na Sul-Americana, as cifras chegam a pouco mais de R$ 66 milhões, também considerando as bonificações variáveis pagas pela Conmebol. Ao traçar um paralelo com o cenário europeu, a América do Sul ainda fica para trás.
A "concorrente" Champions League, torneio continental de equipes europeu e considerada a maior competição de clubes do mundo, investe 15 vezes mais do que a Conmebol em premiação. Desde que foi aplicada a mudança no formato da copa da Uefa, o valor mínimo pago pela entidade aos clubes é de 18,6 milhões de euros, pouco mais de R$ 110 milhões na cotação atual. Isso representa quase o valor total pago ao campeão da Libertadores.
O torneio teve seus valores alavancados por conta do novo formato que estreou no ano passado. Mais clubes, mais jogos e mais exposição para as marcas parceiras. O mesmo acontece com a Liga Europa, corresponde à Sul-Americana, que também teve acréscimo nos seus valores após a reformulação feita pela Uefa. Ao fim da última temporada, o PSG, campeão da Champions, faturou pouco mais de 110 milhões de euros pelo título, ou mais de R$ 650 milhões na cotação atual. Já o torneio de "segundo escalão" pagou ao campeão Tottenham quase R$ 240 milhões com o troféu.

Evolução do investimento da Conmebol e Brasil favorecido
O crescimento constante das premiações pagas pela Conmebol foi de 439% entre 2015 e 2026. Essa evolução é uma consequência do desenvolvimento da indústria do futebol, que se tornou um negócio ainda mais rentável nas últimas décadas. O principal salto aconteceu entre 2018 e 2019, quando os investimentos totais da entidade sul-americana saíram de pouco mais de R$ 141 milhões para R$ 211 milhões no ano seguinte.
O principal fator que contribuiu para a valorização do torneio foi a transformação em jogo único. O modelo, adotado há décadas pela Champions League, torna o produto ainda mais atrativo do ponto de vista comercial, concentra em uma única data e local os investimentos das marcas e movimenta setores como turismo e hotelaria nas sedes da decisão. Tudo isso se transforma em benefício para a própria Conmebol, que pode aumentar preços dos ingressos e cobrar ainda mais caro pelos direitos de exibição.
E o país que tirou o maior proveito desse aumento nas premiações foi o Brasil. Isso porque a liga brasileira domina a Libertadores desde 2019 e apenas times da Série A ergueram o troféu e, consequentemente, tiveram acesso às bonificações mais relevantes da história do torneio. Os outros países tiveram protagonismo na Sul-Americana, com três títulos da Argentina, três do Equador e um do Brasil.

Mercado local europeu também é valorizado
A Europa conseguiu potencializar ao longo das últimas década todo o ecossistema do futebol, não só as competições continentais. Atualmente, o torneio com maior premiação do mundo é a Premier League, a liga nacional da Inglaterra, que pagou ao Liverpool, último campeão, 151,4 milhões de euros, ou quase R$ 980 milhões na cotação da época.
Os números alcançados são fruto de um processo que torneios da Conmebol e até o Brasileirão têm passado atualmente. A liga inglesa percebeu a necessidade de expandir sua marca para mercados do exterior, se manter antenada e atualizada quanto às tecnologias que melhoram o jogo dentro do campo e como espetáculo nas transmissões, além de prezar que os seus clubes tenham bom desempenho técnico, o que atrai a atenção do público e de outros grandes jogadores para atuar na competição.
Na temporada 2024/25, a Premier League gerou 3,9 bilhões de euros (R$ 24,2 bilhões à época) com a venda dos direitos de TV, o que inclui os acordos de transmissão domésticos e internacionais. A La Liga, na Espanha, e a Bundesliga, na Alemanha, também ultrapassam a marca do bilhão de euros na venda dos seus direitos de imagem. Isso é um fator condicionante para que as entidades possam distribuir premiações cada vez mais robustas aos seus clubes.
Isso retroalimenta o mercado interno, porque os clubes passam a ter mais capacidade de investimento em suas estruturas, nos seus elencos e nas estratégias e tecnologias que vão melhorar o nível do jogo. É o que tem acontecido com o Brasil ao dominar a Libertadores, ainda que numa escala reduzida quando comparado à Europa.
- Matéria
- Mais Notícias


















