Luiz Gomes: 'Comum acordo vira regra e libera demissões de técnicos'
Colunista do LANCE! analisa saída de Felipão do Grêmio e brecha encontrada por clubes para burlar regra da CBF sobre treinadores no Brasileirão

Luiz Felipe Scolari é mesmo um gremista de coração. Só isso explica o fato de " class="font-bold break-normal hover:underline" style="color:#00A021" target="_blank">ele ter aceitado deixar o comando do time "de comum acordo", o que permite ao Grêmio driblar a regra da CBF, o artigo 32 do Regulamento Específico do Brasileirão, que limita a uma única demissão de treinador por clube durante a competição.
Os fatos indicam que não foi bem um comum acordo o que aconteceu na reunião da madrugada de domingo para segunda e que selou a saída do treinador. Basta ver a entrevista de Felipão, ainda na Vila Belmiro, depois de mais uma derrota do tricolor gaúcho, dessa vez para o Santos e com requintes de crueldade com um gol de Wagner Leonardo num lance confuso e já nos acréscimos da partida. O técnico, é claro, lamentou a derrota, mas afirmou que o trabalho era bom e que estava disposto a prosseguir no cargo para tirar o Grêmio da incômoda posição de vice-lanterna na zona de rebaixamento.
A decisão de demitir o técnico foi da diretoria e ponto final. A cartolagem simplesmente não resistiu às pressões internas e externas para trocar o treinador. Um jogo a mais ou a menos, este era um cenário inevitável. Quem chegar terá uma tarefa difícil, de reconstruir um time com a autoconfiança em frangalhos e tendo de fazer uma campanha de G4 para escapar do Z4. Será o quarto treinador do Grêmio na temporada, depois do longevo Renato, do meteórico Tiago Nunes e do próprio Felipão.
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O trabalho de Scolari, considerando-se apenas os resultados, não era mesmo dos mais animadores. O técnico, que assumiu em julho e tinha contrato até o final do ano que vem, comandou o time em 21 jogos com nove vitórias, nove derrotas e três empates, 23 gols sofridos e 22 marcados e um aproveitamento de 47,6%. Seu único momento de glória foi a vitória, surpreendente, que se diga, sobre o poderoso Flamengo no Maracanã, após diversos resultados adversos contra o Rubro-Negro.
Mas será que sua substituição resolve o drama gremista? Não foi assim com a saída dos antecessores. Ao contrário, a falta de continuidade de trabalho, com trocas sucessivas de treinadores, tem sido um fator determinante para o rebaixamento dos clubes na Série A do Brasileirão. O próprio Grêmio já passou por isso, em 2004, quando caiu pela segunda vez para a Segundona e chegou a ter quatro técnicos durante a temporada daquele ano – inclusive Cuca, hoje no comando do favorito Atlético-MG.
A regra da CBF foi um avanço. Pelo menos no papel criou-se um instrumento capaz de acabar com a farra das demissões de técnicos, uma modalidade em que nenhum outro país do mundo consegue sequer ameaçar a supremacia brasileira. Mas esse esforço torna-se em vão quando os principais interessados, por óbvio os próprios treinadores, contribuem para manter o status quo, legitimando junto aos clubes a tal saída do comum acordo. O acerto de Felipão com o Grêmio está longe de ter sido o único. Mas decisões individualistas como essa, por paixão clubística – ou em outros casos, quem sabe, por polpudos acertos financeiros – não deveriam se impor ao interesse coletivo de toda uma categoria. Que depois, não reclamem.

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