Diego e Caio Henrique

Diego e Caio Henrique (Fotos: Alexandre Vidal / Flamengo; Mailson Santana/Fluminense FC.)

Sergio Santana
06/04/2019
09:30
Rio de Janeiro (RJ)

Flamengo e Fluminense vão jogar neste sábado, às 16h, no Maracanã, pela semifinal do Campeonato Carioca. No gramado, estarão Abel Braga e Fernando Diniz, treinadores das respectivas equipes que possuem estilos distintos no que se diz sobre a estratégia dos times em campo, mas com o mesmo problema: a questão do meio-campo.

Enquanto o Flamengo apresentou dificuldade, até aqui, no funcionamento do meio-campo como um conjunto, o Fluminense tem dor de cabeça por conta da distribuição dos jogadores no setor. O LANCE! explica o principal embate tático envolvendo as duas equipes que buscam uma vaga na final do Estadual.

Fluminense e a dificuldade na transição entre defesa e ataque
O Fluminense, por ser uma equipe moldada na posse e valorização da bola, possui, de forma natural, um time que busca o gol adversário através dos toques curtos e rápidos dos atletas ao longo do campo. A questão, porém, é que o Tricolor não desenvolve esse aspecto quando é pressionado desde o campo de defesa pelo adversário - algo que o Flamengo fez com frequência nos últimos dois jogos, vencidos pelo Rubro-Negro.

Essa dificuldade se traduz pela posição média dos jogadores em campo. No Fluminense, enquanto um jogador é responsável pela saída de bola, o outro está em uma posição avançada do campo. Não há um atleta entre a defesa e o ataque e, por isso, a bola para os atacantes em uma posição perigosa do sistema ofensivo, já que os jogadores que atuam nos lados do campo precisam recuar para ter a posse. Nesse contexto, falta alguém para fazer a transição entre a primeira metade e a segunda metade do campo.

Montagem Abel Braga e Fernando Diniz
Abel Braga e Fernando Diniz travarão mais um duelo em 2019 (Fotos: Alexandre Vidal/Flamengo e MAILSON SANTANA/FLUMINENSE FC.)

Flamengo e a necessidade do articulador dentro de campo
O clube da Gávea, por sua vez, sente dificuldade por conta do equilíbrio do meio-campo como um conjunto. Contra o Peñarol, a equipe comandada por Abel Braga não trocou passes e avançou quando os uruguaios fizeram uma marcação agressiva em cima dos jogadores e colocaram as linhas de defesa e meio-campo próxima uma das outras, não dando liberdade para Diego.

O Rubro-Negro se vê perdido sem a presença de um articulador principal em campo. A equipe de Abel Braga já provou que pode ser uma equipe também baseada na posse da bola, mas depende muito da figura individual para criar uma oportunidade clara de jogo. Titular nos últimos jogos, a responsabilidade disso é de Diego, que não produz com quantidade quando está bem marcado.

Como será o clássico?
No fim, as equipes são moldadas em cima de paradoxos: enquanto o Flamengo possui, no papel, mais qualidade técnica do que o rival, é o Fluminense que consegue, a partir dos toques rápidos e movimentações dos jogadores, criar espaços e oportunidades de gol. O Rubro-Negro, por sua vez, mostra, até aqui, que depende de lampejos individuais para criar uma jogada perigosa.

Nos últimos clássicos, o meio-campo foi uma peça fundamental para a partida. O Fluminense mostrou dificuldade diante da pressão alta e o Flamengo ainda não montou um esquema que consiga potencializar o conjunto. Agora, os times vão se enfrentar por uma vaga na final do Campeonato Carioca.