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Treinador mais bem pago do mundo, Simeone busca terceira final de Champions

Treinador está no Atlético de Madrid desde 2011

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Rio de Janeiro (RJ)
Dia 05/05/2026
06:00
Diego Simeone comemora gol com jogadores do Atlético de Madrid (Foto: Thomas COEX / AFP)
imagem cameraDiego Simeone comemora gol com jogadores do Atlético de Madrid (Foto: Thomas COEX / AFP)

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O Atlético de Madrid visitará o Arsenal nesta terça-feira (4) pelo segundo jogo da semifinal da Champions League, no Emirates Stadium, em Londres (ING). Após empate por 1 a 1 na Espanha, os Colchoneros buscam alcançar a quarta final da competição em sua história e a terceira sob o comando de Diego Simeone. Treinador mais bem pago do mundo, com salário de 34 milhões de euros por ano, "Cholo" mudou o patamar do clube para sempre após 14 anos e busca coroar de vez sua passagem com a inédita "Orelhuda".

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O Atlético de Madrid de Simeone se popularizou após 2012, com a conquista da Europa League e se tornando de vez a terceira força de La Liga, com rivalidade ferrenha contra Barcelona e Real Madrid. Porém, como tudo que é popular e tem apoiadores, também tem críticos, principalmente sobre o estilo de jogo dos Colchoneros. O futebol (que era) praticado pelo Atleti também sofre com críticas pela catimba, retranca e não conquistar um título nos últimos cinco anos.

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Mas é inegável ignorar a grandeza de Diego Simeone, que pegou um clube que vivia de campanhas fracas em La Liga e transformou-o em um dos mais ricos da Europa, com ele sendo o treinador mais bem pago do mundo. Porém, como ele chegou até aqui, próximo da sua terceira final de Champions League?

Simeone orienta jogadores do Atlético de Madrid contra Club Brugge, pela Champions League
Simeone orienta jogadores do Atlético de Madrid contra Club Brugge, pela Champions League (Foto: Nicolas Tucat/AFP)

O início

Em 23 de dezembro de 2011, o Atlético de Madrid anunciou a contratação de Diego Pablo Simeone, ex-jogador do clube com 134 jogos e com trabalhos no Racing, Estudiantes, River Plate, San Lorenzo e Catania. O treinador argentino assumiu após a demissão de Gregorio Manzano, que deixou o Atleti na 10ª colocação de La Liga e com uma eliminação precoce na Copa do Rey.

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O impacto da chegada de Simeone foi revolucionário e imediato. Com um trabalho focado na recuperação da confiança e na organização defensiva, Simeone guiou a equipe até a final da Europa League daquela mesma temporada. Em maio de 2012, o Atlético superou o Athletic Bilbao, com uma vitória por 3 a 0, com gols de Radamel Falcao e do brasileiro Diego.

Falcao García - Atletico de Madrid x Deportivo de la Coruna (Foto: Pedro Armestre/AFP)
Falcao García - Atletico de Madrid x Deportivo de la Coruna (Foto: Pedro Armestre/AFP)

O sucesso europeu seguiu e, em agosto de 2012, a equipe colchonera conquistou a Supercopa da Europa ao golear o Chelsea por 4 a 1 em Mônaco, com uma atuação de gala e um hat-trick de Falcao. No entanto, o momento de maior simbolismo nos primeiros anos de Simeone ocorreu na final da Copa do Rey de 2013.

O Atlético de Madrid enfrentou o rival Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu e, após um empate no tempo normal, garantiu o título com um gol de cabeça de Miranda na prorrogação. A vitória por 2 a 1 não apenas garantiu a taça, mas também encerrou um incômodo jejum de 14 anos sem vitórias sobre o maior rival em partidas oficiais.

Amor em La Liga e dor na Champions

A temporada 2013/2014 marcou a consolidação definitiva do trabalho de Simeone, elevando o Atlético de Madrid ao topo do futebol espanhol. Mesmo com a venda de Falcao ao Mônaco e a chegada de David Villa, o time seguiu bem e chegou líder de La Liga na última rodada.

Contra o Barcelona, no Camp Nou, o Atlético precisava apenas de um empate para se tornar campeão. Na partida, Diego Costa e Arda Turan se lesionaram na primeira etapa e o Atleti saiu atrás no placar com gol de Alexis Sánchez. No segundo tempo, os Colchoneros buscaram o empate com um gol de cabeça histórico do zagueiro Diego Godín, que definiu o placar em 1 a 1. A conquista quebrou um jejum de 18 anos sem títulos da liga para o clube e atingiu a marca recorde de 90 pontos.

Diego Godin - Atlético de Madrid (Foto: Quique Garcia/ AFP)
Diego Godin - Atlético de Madrid (Foto: Quique Garcia/ AFP)

Na mesma temporada, o argentino levou o Atlético de Madrid à final da Champions League de forma invicta, eliminando potências como Milan, Barcelona e Chelsea. A decisão em Lisboa contra o Real Madrid tornou-se um dos capítulos mais dramáticos da história do esporte.

Após tentar um tratamento alternativo para jogar a final, Diego Costa teve que ser substituído no primeiro tempo. Ainda assim, Diego Godín abriu o placar aos 36 minutos. Com uma substituição a menos, o Atlético de Madrid foi se esgotando fisicamente, mas liderava o placar até os 49 minutos, quando sofreu o empate com gol de Sergio Ramos. Na prorrogação, os Merengues marcaram mais três vezes e garantiram a 10ª conquista da Champions.

O cenário de dor repetiu-se na temporada 2015/2016. Após eliminar novamente o Barcelona e o favorito Bayern de Munique de Pep Guardiola, a equipe de Simeone chegou a mais uma final continental contra o Real Madrid, no San Siro, em Milão.

No primeiro tempo, Sergio Ramos, em condição irregular, abriu o placar. Porém, na segunda etapa, os Colchoneros cresceram e tiveram uma grande chance com Griezmann, de pênalti, mas o francês acertou o travessão. Apesar disso, o Atlético seguiu superior e igualou o marcador com Ferreira Carrasco. Com o empate persistindo, a decisão foi aos pênaltis, na qual Juanfran perdeu a terceira cobrança e o Real Madrid se tornou campeão mais uma vez.

Diego Simeone durante coletiva pelo Atlético de Madrid na Champions League
Diego Simeone durante coletiva pelo Atlético de Madrid na Champions League (Foto: Reprodução/Atlético de Madrid)

Reconstruções

Apesar dos duros golpes na Champions, a principal marca da passagem de Diego Simeone pelo clube sempre foi a capacidade de reconstrução. O treinador precisou lidar constantemente com a saída de suas principais estrelas, como Diego Costa, Thibaut Courtois, Arda Turan e, mais tarde, os pilares de sua defesa histórica, como Godín, Juanfran e Filipe Luís.

A resposta do argentino vinha sempre em forma de adaptação e novas conquistas. O Atlético de Madrid faturou mais uma Liga Europa em 2018, superando o Olympique de Marselha com grande atuação de Antoine Griezmann, e voltou a derrotar o Real Madrid na Supercopa da Europa do mesmo ano.

A temporada 2019/2020 exigiu uma drástica mudança com a saída de Griezmann para o Barcelona e pela contratação recorde do jovem João Félix, por 120 milhões de euros, além de nomes como Marcos Llorente e Luis Suárez. O processo de maturação do novo elenco culminou em mais um título de La Liga temporada 2020/2021.

Líder desde o começo do campeonato, o Atlético de Madrid conquistou o seu segundo troféu de La Liga sob a batuta de Simeone, decidindo o torneio na última rodada com uma vitória sobre o Real Valladolid, com Suárez sendo decisivo. Ao longo desse período, Simeone quebrou recordes históricos, superando a lenda Luis Aragonés como o técnico com mais vitórias na história da instituição e Miguel Muñoz em número de jogos comandando um único clube na primeira divisão espanhola.

Suárez - Atlético de Madrid
Suárez marcou o gol do título do Atlético de Madrid (Foto: CESAR MANSO / AFP)

Mudança tática

O modelo de jogo implementado por Simeone em seus primeiros anos no clube baseava-se em uma organização defensiva rigorosa. A equipe atuava frequentemente estruturada no esquema 4-4-2. A estratégia tática priorizava a compactação dos setores e a formação de duas linhas defensivas próximas para reduzir os espaços na região central do campo.

Essa tática tinha como característica direcionar as ações ofensivas dos adversários para as laterais e aplicar uma marcação agressiva na recuperação da posse de bola. Ofensivamente, o sistema funcionava de maneira reativa. O foco estava na eficiência dos contra-ataques rápidos e no aproveitamento de jogadas de bola parada para definir os confrontos. Com esse estilo, o Atleti ganhou a fama de "retranqueiro", que até hoje se perpetua.

Manchester United x Atlético de Madrid - Diego Simeone
Diego Simeone chegou à final da Champions duas vezes como treinador do Atlético de Madrid (Foto: PAUL ELLIS / AFP)

Ao longo de mais de dez anos de trabalho, a comissão técnica precisou realizar adaptações devido aos processos naturais de reformulação do elenco. A saída de jogadores veteranos e a contratação de atletas com perfis mais construtivos exigiram alterações.

A partir da temporada 2020/2021, o Atlético de Madrid passou a utilizar formações com três zagueiros, alternando entre os esquemas 3-5-2 e 5-3-2. A mudança estrutural proporcionou maior amplitude ao time através do avanço dos alas e resultou em um aumento estatístico na média de posse de bola.

Com as alterações, a equipe desenvolveu a capacidade de construir ações ofensivas a partir do campo de defesa e de propor o jogo de forma mais constante, mantendo a disciplina tática implementada desde o início da gestão do treinador.

Diego Simeone no comando do Atlético de Madrid (Foto: Fadel SENNA / AFP)
Diego Simeone no comando do Atlético de Madrid (Foto: Fadel SENNA / AFP)

Em busca do sonho

Nesta temporada, o Atlético de Madrid fez investimentos altos, principalmente com as contratações de Álex Baena, Johnny, Raspadori e Thiago Almada. Mesmo com os novos jogadores, os Colchoneros não embalaram em La Liga e viram os rivais se distanciarem na ponta, apesar de uma goleada por 5 a 2 sobre o Real Madrid. Longe do título nos pontos corridos, as copas se tornaram prioridade.

Com o time ganhando forma em janeiro, Simeone ganhou outra contratação, o nigeriano Ademola Lookman, que caiu como uma luva no esquema do argentino. Na semifinal da Copa do Rey, o Atlético de Madrid goleou o Barcelona por 4 a 0 no jogo de ida e, apesar da derrota por 3 a 0 na volta, se garantiu na decisão após 12 anos.

Atlético de Madrid goleou o Barcelona por 4 a 0 na semifinal da Copa do Rei (Foto: Pierre-Philippe MARCOU / AFP)
Atlético de Madrid goleou o Barcelona por 4 a 0 na semifinal da Copa do Rei (Foto: Pierre-Philippe MARCOU / AFP)

Enquanto isso, na Champions, o Atleti teve que jogar os playoffs, onde passaram pelo Club Brugge por 7 a 4 no agregado. Nas oitavas, passaram sem problemas pelo Tottenham, após vencer por 5 a 2 em Madri e perder por 3 a 2 em Londres. Porém, nas quartas, o Atlético de Madrid teve o Barcelona pela frente mais uma vez.

No Camp Nou, após expulsão de Pau Cubarsí, o Atleti controlou o jogo e venceu por 2 a 0. Na volta, o Barcelona chegou a igualar o placar agregado, mas Lookman marcou o gol da classificação colchonera às semifinais. Dias depois, o Atlético de Madrid disputou a final da Copa do Rey contra a Real Sociedad, mas, após empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, os Bascos se sobressaíram nos pênaltis e frustraram as pretensões de Diego Simeone.

Sem a Copa do Rey, a Champions League se tornou a única esperança de um troféu nesta temporada, que será a última de Antoine Griezmann, maior artilheiro da história do Atlético de Madrid. Para Simeone, a pressão está ainda maior, já que não conquista um título desde 2021, com a La Liga. Após transformar o clube em uma das maiores potências da Europa, "Cholo" trata a Champions League para além do sonho, mas também para libertar o grito de "campeão europeu" dos torcedores que se frustraram em 1970, 2014 e 2016.

Diego Simeone durante o jogo entre Atlético de Madrid x Arsenal, pela Champions League
Diego Simeone durante o jogo entre Atlético de Madrid x Arsenal, pela Champions League (Foto: Javier Soriano/AFP)

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