Treinador mais bem pago do mundo, Simeone busca terceira final de Champions
Treinador está no Atlético de Madrid desde 2011

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O Atlético de Madrid visitará o Arsenal nesta terça-feira (4) pelo segundo jogo da semifinal da Champions League, no Emirates Stadium, em Londres (ING). Após empate por 1 a 1 na Espanha, os Colchoneros buscam alcançar a quarta final da competição em sua história e a terceira sob o comando de Diego Simeone. Treinador mais bem pago do mundo, com salário de 34 milhões de euros por ano, "Cholo" mudou o patamar do clube para sempre após 14 anos e busca coroar de vez sua passagem com a inédita "Orelhuda".
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O Atlético de Madrid de Simeone se popularizou após 2012, com a conquista da Europa League e se tornando de vez a terceira força de La Liga, com rivalidade ferrenha contra Barcelona e Real Madrid. Porém, como tudo que é popular e tem apoiadores, também tem críticos, principalmente sobre o estilo de jogo dos Colchoneros. O futebol (que era) praticado pelo Atleti também sofre com críticas pela catimba, retranca e não conquistar um título nos últimos cinco anos.
Mas é inegável ignorar a grandeza de Diego Simeone, que pegou um clube que vivia de campanhas fracas em La Liga e transformou-o em um dos mais ricos da Europa, com ele sendo o treinador mais bem pago do mundo. Porém, como ele chegou até aqui, próximo da sua terceira final de Champions League?

O início
Em 23 de dezembro de 2011, o Atlético de Madrid anunciou a contratação de Diego Pablo Simeone, ex-jogador do clube com 134 jogos e com trabalhos no Racing, Estudiantes, River Plate, San Lorenzo e Catania. O treinador argentino assumiu após a demissão de Gregorio Manzano, que deixou o Atleti na 10ª colocação de La Liga e com uma eliminação precoce na Copa do Rey.
O impacto da chegada de Simeone foi revolucionário e imediato. Com um trabalho focado na recuperação da confiança e na organização defensiva, Simeone guiou a equipe até a final da Europa League daquela mesma temporada. Em maio de 2012, o Atlético superou o Athletic Bilbao, com uma vitória por 3 a 0, com gols de Radamel Falcao e do brasileiro Diego.

O sucesso europeu seguiu e, em agosto de 2012, a equipe colchonera conquistou a Supercopa da Europa ao golear o Chelsea por 4 a 1 em Mônaco, com uma atuação de gala e um hat-trick de Falcao. No entanto, o momento de maior simbolismo nos primeiros anos de Simeone ocorreu na final da Copa do Rey de 2013.
O Atlético de Madrid enfrentou o rival Real Madrid em pleno Santiago Bernabéu e, após um empate no tempo normal, garantiu o título com um gol de cabeça de Miranda na prorrogação. A vitória por 2 a 1 não apenas garantiu a taça, mas também encerrou um incômodo jejum de 14 anos sem vitórias sobre o maior rival em partidas oficiais.
Amor em La Liga e dor na Champions
A temporada 2013/2014 marcou a consolidação definitiva do trabalho de Simeone, elevando o Atlético de Madrid ao topo do futebol espanhol. Mesmo com a venda de Falcao ao Mônaco e a chegada de David Villa, o time seguiu bem e chegou líder de La Liga na última rodada.
Contra o Barcelona, no Camp Nou, o Atlético precisava apenas de um empate para se tornar campeão. Na partida, Diego Costa e Arda Turan se lesionaram na primeira etapa e o Atleti saiu atrás no placar com gol de Alexis Sánchez. No segundo tempo, os Colchoneros buscaram o empate com um gol de cabeça histórico do zagueiro Diego Godín, que definiu o placar em 1 a 1. A conquista quebrou um jejum de 18 anos sem títulos da liga para o clube e atingiu a marca recorde de 90 pontos.

Na mesma temporada, o argentino levou o Atlético de Madrid à final da Champions League de forma invicta, eliminando potências como Milan, Barcelona e Chelsea. A decisão em Lisboa contra o Real Madrid tornou-se um dos capítulos mais dramáticos da história do esporte.
Após tentar um tratamento alternativo para jogar a final, Diego Costa teve que ser substituído no primeiro tempo. Ainda assim, Diego Godín abriu o placar aos 36 minutos. Com uma substituição a menos, o Atlético de Madrid foi se esgotando fisicamente, mas liderava o placar até os 49 minutos, quando sofreu o empate com gol de Sergio Ramos. Na prorrogação, os Merengues marcaram mais três vezes e garantiram a 10ª conquista da Champions.
O cenário de dor repetiu-se na temporada 2015/2016. Após eliminar novamente o Barcelona e o favorito Bayern de Munique de Pep Guardiola, a equipe de Simeone chegou a mais uma final continental contra o Real Madrid, no San Siro, em Milão.
No primeiro tempo, Sergio Ramos, em condição irregular, abriu o placar. Porém, na segunda etapa, os Colchoneros cresceram e tiveram uma grande chance com Griezmann, de pênalti, mas o francês acertou o travessão. Apesar disso, o Atlético seguiu superior e igualou o marcador com Ferreira Carrasco. Com o empate persistindo, a decisão foi aos pênaltis, na qual Juanfran perdeu a terceira cobrança e o Real Madrid se tornou campeão mais uma vez.

Reconstruções
Apesar dos duros golpes na Champions, a principal marca da passagem de Diego Simeone pelo clube sempre foi a capacidade de reconstrução. O treinador precisou lidar constantemente com a saída de suas principais estrelas, como Diego Costa, Thibaut Courtois, Arda Turan e, mais tarde, os pilares de sua defesa histórica, como Godín, Juanfran e Filipe Luís.
A resposta do argentino vinha sempre em forma de adaptação e novas conquistas. O Atlético de Madrid faturou mais uma Liga Europa em 2018, superando o Olympique de Marselha com grande atuação de Antoine Griezmann, e voltou a derrotar o Real Madrid na Supercopa da Europa do mesmo ano.
A temporada 2019/2020 exigiu uma drástica mudança com a saída de Griezmann para o Barcelona e pela contratação recorde do jovem João Félix, por 120 milhões de euros, além de nomes como Marcos Llorente e Luis Suárez. O processo de maturação do novo elenco culminou em mais um título de La Liga temporada 2020/2021.
Líder desde o começo do campeonato, o Atlético de Madrid conquistou o seu segundo troféu de La Liga sob a batuta de Simeone, decidindo o torneio na última rodada com uma vitória sobre o Real Valladolid, com Suárez sendo decisivo. Ao longo desse período, Simeone quebrou recordes históricos, superando a lenda Luis Aragonés como o técnico com mais vitórias na história da instituição e Miguel Muñoz em número de jogos comandando um único clube na primeira divisão espanhola.

Mudança tática
O modelo de jogo implementado por Simeone em seus primeiros anos no clube baseava-se em uma organização defensiva rigorosa. A equipe atuava frequentemente estruturada no esquema 4-4-2. A estratégia tática priorizava a compactação dos setores e a formação de duas linhas defensivas próximas para reduzir os espaços na região central do campo.
Essa tática tinha como característica direcionar as ações ofensivas dos adversários para as laterais e aplicar uma marcação agressiva na recuperação da posse de bola. Ofensivamente, o sistema funcionava de maneira reativa. O foco estava na eficiência dos contra-ataques rápidos e no aproveitamento de jogadas de bola parada para definir os confrontos. Com esse estilo, o Atleti ganhou a fama de "retranqueiro", que até hoje se perpetua.

Ao longo de mais de dez anos de trabalho, a comissão técnica precisou realizar adaptações devido aos processos naturais de reformulação do elenco. A saída de jogadores veteranos e a contratação de atletas com perfis mais construtivos exigiram alterações.
A partir da temporada 2020/2021, o Atlético de Madrid passou a utilizar formações com três zagueiros, alternando entre os esquemas 3-5-2 e 5-3-2. A mudança estrutural proporcionou maior amplitude ao time através do avanço dos alas e resultou em um aumento estatístico na média de posse de bola.
Com as alterações, a equipe desenvolveu a capacidade de construir ações ofensivas a partir do campo de defesa e de propor o jogo de forma mais constante, mantendo a disciplina tática implementada desde o início da gestão do treinador.

Em busca do sonho
Nesta temporada, o Atlético de Madrid fez investimentos altos, principalmente com as contratações de Álex Baena, Johnny, Raspadori e Thiago Almada. Mesmo com os novos jogadores, os Colchoneros não embalaram em La Liga e viram os rivais se distanciarem na ponta, apesar de uma goleada por 5 a 2 sobre o Real Madrid. Longe do título nos pontos corridos, as copas se tornaram prioridade.
Com o time ganhando forma em janeiro, Simeone ganhou outra contratação, o nigeriano Ademola Lookman, que caiu como uma luva no esquema do argentino. Na semifinal da Copa do Rey, o Atlético de Madrid goleou o Barcelona por 4 a 0 no jogo de ida e, apesar da derrota por 3 a 0 na volta, se garantiu na decisão após 12 anos.

Enquanto isso, na Champions, o Atleti teve que jogar os playoffs, onde passaram pelo Club Brugge por 7 a 4 no agregado. Nas oitavas, passaram sem problemas pelo Tottenham, após vencer por 5 a 2 em Madri e perder por 3 a 2 em Londres. Porém, nas quartas, o Atlético de Madrid teve o Barcelona pela frente mais uma vez.
No Camp Nou, após expulsão de Pau Cubarsí, o Atleti controlou o jogo e venceu por 2 a 0. Na volta, o Barcelona chegou a igualar o placar agregado, mas Lookman marcou o gol da classificação colchonera às semifinais. Dias depois, o Atlético de Madrid disputou a final da Copa do Rey contra a Real Sociedad, mas, após empate por 2 a 2 no tempo regulamentar, os Bascos se sobressaíram nos pênaltis e frustraram as pretensões de Diego Simeone.
Sem a Copa do Rey, a Champions League se tornou a única esperança de um troféu nesta temporada, que será a última de Antoine Griezmann, maior artilheiro da história do Atlético de Madrid. Para Simeone, a pressão está ainda maior, já que não conquista um título desde 2021, com a La Liga. Após transformar o clube em uma das maiores potências da Europa, "Cholo" trata a Champions League para além do sonho, mas também para libertar o grito de "campeão europeu" dos torcedores que se frustraram em 1970, 2014 e 2016.

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