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Ministério Público Federal pede condenação de Júlio Cocielo por racismo contra Mbappé

Influenciador escreveu uma frase direcionada ao atacante durante a Copa do Mundo de 2018

PorLance!São Paulo (SP)
03/01/2024 20:03

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Cocielo ficou marcado por fala racista contra Mbappé (Reprodução / X; FRANCK FIFE / AFP)

O Ministério Público Federal (MPF), pediu a condenação do influenciador digital Júlio Cocielo, após falas racistas em sua conta no X (antigo Twitter). Durante a Copa do Mundo de 2018, o youtuber atacou o atacante Mbappé, onde foi duramente criticado na época.

O MPF identificou nove vezes em que Cocielo teria praticado preconceito racial. A mais lembrada justamente foi contra o atacante francês, durante a partida entre a França e Argentina na Copa do Mundo de 2018. Na época, Júlio disse que "Mbappé conseguiria fazer uns arrastão top na praia, hein".

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Outras postagens como "o Brasil seria mais lindo se não houvesse frescura com piadas racistas, mas já que é proibido, a única solução é exterminar os negros" e "nada contra os negros, tirando a melanina…", foram citadas pelo MPF no processo.

Após a repercussão sobre Mbappé, o influenciador apagou cerca de 50 mil publicações. Em seu canal no YouTube, ele postou um pedido de desculpas.

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CONSEQUÊNCIAS:

Segundo o MPF, a liberdade de expressão não é absoluta e deve ser exercida em harmonia com outros direitos fundamentais, sob a prevalência dos princípios da igualdade e da inviolabilidade da honra e da imagem das pessoas. A livre expressão do pensamento, portanto, não admite manifestações que impliquem a incitação ao racismo. Esse entendimento – ancorado em tratados internacionais, na Constituição e em diversas decisões do Supremo Tribunal Federal sobre o assunto – afasta os argumentos da defesa de Cocielo, de que o influenciador estaria exercendo legitimamente seu direito enquanto humorista ao fazer as postagens.

- Ainda que o réu seja humorista, não é possível vislumbrar tom cômico, crítica social ou ironia nas mensagens por ele publicadas. Pelo contrário, as mensagens são claras e diretas quanto ao desprezo do réu pela população negra - destacou o procurador da República João Paulo Lordelo, responsável pela ação do MPF.

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- As publicações do réu não expõem ao ridículo as estruturas de um sistema discriminatório, mas ridicularizam os próprios sujeitos historicamente subjugados. Não é humor; é escárnio - concluiu o procurador.

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Cocielo responde pelo crime fixado no artigo 20 da Lei nº 7.716/89 (conhecida como Lei do Racismo), que prevê condenação a quem praticar, induzir ou incitar discriminação, preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

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Cada postagem feita separadamente, em contexto autônomo, poderá gerar pena de até cinco anos de prisão ao influenciador, considerando-se o agravante de as mensagens terem sido veiculadas em uma rede social.

A denúncia contra Cocielo foi originalmente ajuizada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. O caso chegou ao MPF em 2022, quando foi definida a competência da Justiça Federal para julgá-lo.

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Após toda a instrução do processo, o MPF apresentou suas alegações finais em novembro de 2023, reafirmando a acusação contra o influenciador. A manifestação é a última etapa antes do proferimento da sentença pela Justiça.

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