Marcão e Roger Fluminense

Marcão e Roger Machado são auxiliar e treinador do time principal (Foto: Mailson Santana / Fluminense FC)

Luiza Sá
11/03/2021
05:00
Rio de Janeiro (RJ)

O Fluminense está no mercado em busca de reforços para aumentar o nível do elenco visando principalmente a Libertadores. Até o momento, Samuel Xavier, Rafael Ribeiro e Wellington foram os contratados, com Hudson encaminhado, mas o clube ainda procura um nome de peso, que pode ser Willian Bigode, do Palmeiras. Mas se engana quem acha que o Tricolor fará o famoso "pacotão de reforços" por conta da competição continental. Dentre as prioridades estão um atacante de lado e um centroavante, mostrando que a base será mantida.

Uma das filosofias da atual diretoria é justamente mudar pouco o elenco para garantir entrosamento e uma transição mais tranquila entre uma temporada e outra. Dando continuidade não só com treinadores, como era o projeto com Odair Hellmann e agora é com Roger Machado, mas também para jogadores.

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Se pensar apenas no que mudou do elenco anterior para este, saíram apenas os atacantes Felippe Cardoso e Wellington Silva, mas é preciso lembrar que este grupo viveu altos e baixos ao longo da temporada, com eliminações precoces na Sul-Americana e na Copa do Brasil, apesar da ótima campanha no Brasileirão. Quando foi apresentado, o técnico Roger Machado já havia deixado subentendido que o plantel estava praticamente completo.

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- Tenho certeza que por como acabou o ano, os resultados positivos, me dão a convicção que temos um grupo forte, quase completo. Associando ao grupo a juventude dos meninos de xerém que se mostraram promissores com a experiência de jogadores mais vividos. A parceria é a combinação ideal. A equipe grande está sempre aberta a prospectar talentos, mas diante do conhecimento mais aprimorado do elenco vamos projetar o futuro a médio e longo prazo. Isso partindo do princípio que o que temos neste momento mostrou-se de grande capacidade. Já vamos ver no Estadual com os grandes valores que o clube revela - disse.

Um ponto importante é a falta de experiência do grupo na Libertadores, que pode justificar a procura por nomes como Willian Bigode ou Eduardo Sasha, atletas mais caros do que o padrão do Fluminense. Boa parte do elenco fará a estreia na competição, dos mais experientes, como Luccas Claro, até todos os jovens que subiram da base e fazem suas primeiras temporadas como profissionais. Apenas Muriel, Danilo Barcelos, Egídio, Nenê, Ganso, Lucca, Fernando Pacheco e Fred já atuaram no torneio.

Entretanto, dos três contratados até o momento, só Wellington tem experiência internacional, sendo até campeão da Sul-Americana com o Athletico-PR em 2018. As posições de lateral-direito e zagueiro eram necessidades ainda não respostas no elenco desde as saídas de Gilberto e Dodi, mas apenas o nome de Samuel Xavier agradou a torcida. Rafael Ribeiro fez a estreia no último domingo, mas não teve boa atuação.

Com relação às posições buscadas neste momento, entende-se que Luiz Henrique e outros garotos formados em Xerém podem dar conta do recado, mas o Flu quer ter mais alternativas para dar velocidade pelos lados. Já para o setor de Fred, o centroavante não poderá estar em campo em todas as partidas. Assim, além de Samuel, o Tricolor busca possibilidades. O sentimento atual é de cautela nessa busca, já que o Fluminense não pode se dar ao luxo de dar tiros arriscados por conta da limitação financeira.

Cabe ressaltar que os jovens integrados ao grupo Sub-23 também estão sob análise da comissão técnica de Roger Machado e podem ajudar a aumentar este grupo que disputará não só a Liberta, mas também Copa do Brasil, Carioca e Campeonato Brasileiro.

- O clube segue em reconstrução e tem as metas realistas. Quando trouxemos reforços considerados de peso no início de 2020 fomos criticados porque eram velhos, quando não existe jogar velho no futebol, tem uns que se cuidam e outros não, como o Nenê. Na temporada os "reforços" que vieram foram de Xerém. Fomos o clube com melhor custo benefício, mas as pessoas esquecem de colocar nesse pacote de investimento o valor gasto em contratações - disse o presidente Mário Bittencourt em entrevista coletiva.

- Nossa folha do futebol variou de R$ 2,8 milhões e R$ 3,2 milhões. Há uma previsão orçamentária de reajuste de 20%. Vamos trazer jogadores que estão sendo discutidos pelo departamento de futebol. Eles sabem da nossa realidade e vão se enquadrar dentro disso. Tenho certeza que serão reforços de peso, mas no peso que esses profissionais entendem que podem ajudar a encorpar esse grupo que está 80% mantido e é muito qualificado. Vamos trabalhar com o que temos de condição financeira e o que decidirmos para qualificar o grupo. Será um ano difícil. Estaremos em quatro ou até cinco competições. O que vai mudar não é o perfil. Entendemos que quem vem de Xerém é reforço, quem chega por empréstimo também. Jogador caro é o que não joga - completou.