Fluminense renova crédito com a torcida após reação na Libertadores
Das vaias à vibração, Tricolor ganha ânimo para desafios após a Copa do Mundo

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Mesmo após vencer o Deportivo La Guaira por 3 a 1, o Fluminense ainda não estava classificado para as oitavas de final da Libertadores. Jogadores, comissão técnica e torcedores passaram a acompanhar os minutos finais de Bolívar x Independiente Rivadavia em uma mistura de ansiedade, esperança e nervosismo.
Foi apenas quando os argentinos marcaram os gols que decretaram a derrota dos bolivianos que o Maracanã explodiu de vez. O Fluminense estava classificado, mas a vaga nas oitavas pode ter representado algo ainda maior para o clube. Depois de semanas de desgaste, críticas, vaias e desconfiança, o Tricolor ganhou uma oportunidade rara: reconstruir a relação com sua torcida antes da pausa para a Copa do Mundo.
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O Fluminense abriu o placar com Savarino logo aos nove minutos, mas viu o La Guaira empatar apenas um minuto depois. O gol venezuelano, marcado após uma jogada individual de Londoño, trouxe de volta fantasmas que acompanham o time há semanas. A torcida voltou a demonstrar impaciência.
Toda vez que o La Guaira conseguia trocar passes, avançar ou pressionar a saída de bola tricolor, as reclamações apareciam nas arquibancadas. Jemmes e Freytes, especialmente, foram alvos frequentes de protestos. O cenário não era novidade.
Nove jogos seguidos sofrendo gols
A equipe chegou à partida acumulando nove jogos consecutivos sofrendo gols. Antes do duelo decisivo pela Libertadores, já eram 12 gols sofridos nesse período, um problema que passou a ser uma das maiores preocupações do trabalho de Luis Zubeldía.
Após a vitória sobre o Bolívar na rodada anterior, o goleiro Fábio já havia admitido que o problema não era apenas da defesa.
— Todas as situações a gente tem que corrigir. A situação do gol fica muito nítida ali para a parte da defesa, mas são situações que englobam o grupo todo. Às vezes, nem tanto pela qualidade do adversário, mas muito por algumas situações de leitura do nosso time.
A classificação também não escondeu uma contradição que acompanha o Fluminense durante toda a temporada. O próprio Zubeldía voltou a abordar o tema após a partida. O treinador destacou que o Fluminense é um dos times que mais cria oportunidades no futebol brasileiro, mas reconheceu que a postura ofensiva tem cobrado um preço alto defensivamente.
— Somos uma equipe muito ofensiva. Os laterais são ofensivos. Freytes é ofensivo. Jemmes é ofensivo. Hércules gosta de atacar. Martinelli é o mais equilibrado defensivamente. Jogamos com dois meias criativos. Somos ofensivos. Isso tem um custo e precisamos encontrar uma solução — disse o treinador, que também apontou a saída de Thiago Silva como um fator importante no processo.
— A presença de um jogador como Thiago Silva não era um detalhe pequeno. Ele dava experiência, segurança e liderança. Perder isso e reconstruir rapidamente não é fácil.

Classificação evitou uma crise maior
O jogo contra o La Guaira era tratado como o mais importante da temporada. A classificação não significava apenas seguir vivo na Libertadores, também envolvia questões esportivas, financeiras e políticas. O Fluminense chegou à última rodada pressionado por uma campanha abaixo do esperado em um grupo considerado acessível. O próprio Zubeldía reconheceu isso após a partida.
— No papel, era um grupo acessível. Não fácil. Fácil não existe no futebol. Mas era um grupo acessível. E acabamos sofrendo muito mais do que deveríamos — afirmou Zubeldía.
O clube já havia deixado milhões de reais pelo caminho ao vencer apenas duas partidas na fase de grupos. Uma queda precoce obrigaria o Fluminense a buscar receitas em outras competições e poderia aumentar a necessidade de vendas na próxima janela. Por isso, a classificação teve peso muito maior do que apenas uma vaga.
Canobbio simboliza momento
Poucos jogadores representaram melhor o espírito da noite do que Agustín Canobbio. Autor de um golaço que encaminhou a vitória, o uruguaio atuou mesmo podendo se apresentar antecipadamente à seleção de seu país para a Copa do Mundo. O gesto foi destacado publicamente por Zubeldía.
— Canobbio poderia ter ido para a seleção uruguaia sem jogar hoje. Mas ele deixou claro que a prioridade era estar aqui pela necessidade que tinha o Fluminense. Isso demonstra muito comprometimento.
Após a partida, o atacante também destacou a importância da torcida na classificação.
— A gente sempre falou que a gente tinha que se concentrar no (nosso) jogo, fazer o nosso trabalho e ganhar. Jogo difícil, a gente começou bem, cometemos um erro e pagamos muito caro, depois tivemos que correr atrás. Agora, desfrutar com a torcida, que era o que o grupo queria: levantar a torcida, como eles vieram apoiar no jogo passado e agora de novo, a gente sentiu. Temos que desfrutar um pouquinho — disse à "TV Globo".
Oportunidade para virar a chave
O Fluminense ainda precisa resolver problemas importantes. A defesa continua sofrendo gols em excesso. O desempenho está longe da regularidade desejada. A comissão técnica sabe que precisará aproveitar a pausa para corrigir falhas estruturais e integrar reforços, incluindo Hulk. Mas o cenário é muito diferente daquele que existiria em caso de eliminação.
O clube permanece vivo na Libertadores, segue entre os primeiros colocados do Brasileirão e terá uma janela para ajustes sem conviver diariamente com uma crise institucional. Por isso, o duelo contra o Cruzeiro ganha um peso simbólico. Uma vitória no Mineirão permitiria ao Fluminense encerrar o semestre fortalecido, consolidar a reaproximação com a torcida e entrar na pausa para a Copa do Mundo olhando para cima.

O que vem por aí para o Fluminense?
Antes da pausa para a Copa do Mundo, o Fluminense enfrenta o Cruzeiro pelo Brasileirão, no domingo (31). A bola rola às 20h30 (de Brasília), no Mineirão. Depois disso, o Tricolor volta a campo apenas no dia 22 de julho, contra o Bragantino.
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