Fluminense - Fernando Diniz

Fernando Diniz durante a derrota do Fluminense para o Vasco (FOTO: LUCAS MERÇON/ FLUMINENSE F.C.)

Victor Mendes
21/07/2019
08:00
Rio de Janeiro (RJ)

Quem olha a tabela de classificação do Campeonato Brasileiro e vê a posição do Fluminense nela se surpreende. Afinal de contas, o Tricolor é alvo de constantes elogios por parte da opinião pública pela forma como vem atuando na temporada. Sob o comando de Fernando Diniz, o time apagou totalmente a conversadora e por vezes previsível versão de Marcelo Oliveira, no segundo semestre de 2018. O Flu segue a cartilha do treinador: saída construída desde a defesa, manutenção da posse de bola e apreço pela pelota. No entanto, ocupa a 16ª posição com nove pontos. O que está acontecendo?

No sábado, diante do Vasco, a derrota por 2 a 1 foi o reflexo da má atuação que teve em campo. Embora Diniz tenha afirmado que, no onze contra onze, o Flu possivelmente teria saído vencedor, o cenário do jogo até a expulsão de Digão mostrava um Cruz-Maltino mais próximo do empate do que de sofrer o 2 a 0. Depois do segundo cartão vermelho, de Frazan, veio o gol imediato de Bruno César. Com dois a menos e sem nenhum centroavante (Pedro foi substituído para dar lugar a Aírton, que ocupou o espaço de Yuri, improvisado na defesa), a equipe de Vanderlei Luxemburgo defendeu-se confortavelmente.

Verdade seja dita, exibições ruins como a de São Januário não têm sido a tônica do ano. O Fluminense, por exemplo, é a quarta equipe com maior média de finalizações a gol (12 por jogo). Só contra o Ceará foram 16. E é aí que mora o maior problema em 2019: traduzir as oportunidades em gols e, consequentemente, triunfos. As duas vitórias em onze jogos e o calamitoso aproveitamento de 27.3% são diametralmente opostos à positiva estatística de criação de jogadas.

Aparentemente, o cenário remete à fase de Diniz no Athletico-PR. Na prática, porém, o técnico prefere não traçar comparativos. Ele acredita que no CAP, sim, as partidas ruins foram frequentes. Daí para a pressão da torcida e a posterior demissão foi um passo. De qualquer forma, entre Tricolor e Furacão, o mineiro venceu apenas quatro de 23 jogos de Campeonato Brasileiro. Não à toa, flertou com o rebaixamento lá e agora aqui.

 - A pontuação sempre preocupa muito. Sou um cara que não jogo do jeito que jogo para empatar o jogo. Jogo para aumentar as chances de ganhar. A pontuação é o que mais preocupa. O time tem jogado bem. Fazíamos uma boa partida dentro das circunstâncias do jogo e da proposta que tivemos. O Allan iria jogar, em cima da hora não pôde mais jogar, o Yony saiu... O time está em constante mudança. Mesmo sendo o mesmo técnico. Não é algo que fique me queixando, mas é uma constatação. O time que jogou a Taça Guanabara é praticamente todo diferente. Temos um volume de boas atuações que precisa ser traduzida dentro do campo, senão não adianta. Temos que passar a ganhar jogos - admite.

Entre lesões, suspensões e saídas de jogadores, Diniz esbarra em alguns contratempos. Atualmente, dois dos cinco zagueiros estão lesionados (Matheus Ferraz e Léo Santos). Digão recuperou-se há pouco tempo após ficar três meses fora e não está na melhor forma física. Everaldo, que, individualmente, era o jogador de maior capacidade de drible do elenco, transferiu-se ao Corinthians no início do Brasileirão. Kelvin e Brenner, contratados para emular o camisa 37, não convenceram. Luciano, homem de confiança, despediu-se na sexta-feira.

Internamente, há satisfação com o trabalho de Diniz. Nos últimos dias, o presidente Mario Bittencourt reiterou a confiança no profissional, desmentindo o que chamou de "fake news" as informações de que estaria em contato com Dorival Jr. Para os torcedores, algumas escolhas na formação do onze inicial são controversas. Agora, o Fluminense se prepara para uma difícil sequência. Nas próximas duas semanas tem pela frente as oitavas de final da Sul-Americana contra o Peñarol. Entre os duelos, que começa na terça-feira em Montevidéu, às 21h30, enfrenta São Paulo e Internacional, ambos no Maracanã.