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Gestão Esportiva na Prática: Futebol em 2 km – A jornada de Pedro e o valor do instinto

No jogo das métricas, o oportunismo ainda vale ouro

PorFelipe Ximenes
Colunista
Rio de Janeiro (RJ)
23/07/2025 06:30

Autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, esse texto não reflete necessariamente a opinião do Lance!
Pedro comemorando o gol da vitória contra o Fluminense (Foto:Adriano Fontes/Flamengo)
Pedro comemora o gol da vitória contra o Fluminense (Foto: Adriano Fontes / Flamengo)

Na semana passada, a análise fria de uma corrida acendeu uma fogueira no Flamengo. Filipe Luís, técnico do clube, foi direto na coletiva após a vitória sobre o São Paulo - como é do seu perfil: Pedro precisava entregar mais. E apresentou dados para sustentar sua visão - quilometragem, intensidade, comprometimento.

Foi o suficiente para instaurar o tribunal público do "caso" Pedro. Em vez de conversas no vestiário, vieram julgamentos na mídia, debates nas redes e vaias no Maracanã. Como se o esforço de um atleta pudesse ser traduzido apenas por satélites e sensores. Como se o futebol fosse uma ciência exata.

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Pedro respondeu. Se posicionou. Conversou com seus companheiros. E, sobretudo, se apoiou na sua fé.

Dias depois, o Flamengo foi derrotado pelo Santos. Pedro, condenado. Filipe, criticado. E no meio do caos, ainda apareceu Neymar - não o craque, mas o amigo - para abraçar Filipe, como quem diz: "Você não está sozinho". Mais uma chuva de críticas e julgamentos. Filipe já estava sendo levado de prodígio a treinador que ainda não tirou as chuteiras.

No domingo seguinte, o Flamengo enfrentaria o Fluminense. Um clássico que carregava mais do que rivalidade: era o primeiro Fla x Flu, após um Mundial frustrante - onde seu rival regional ficou à sua frente no torneio. O ambiente estava pesado. Pedro foi novamente relacionado para o banco de reservas. Cenário pronto para vaias, novos julgamentos e tensão à flor da pele rubro-negra.

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Daí entra em cena o futebol, esse dramaturgo genial, que adora reviravoltas. E coube a ele, Pedro, mudar o roteiro. Recebeu do treinador 20 minutos, deve ter percorrido cerca de 2 km - número tímido para os vigilantes do GPS -, mas o suficiente para estar no lugar certo, na hora certa. Escanteio. Desvio. Instinto. Gol.

Gol de centroavante. Estilo Romário. Gol de quem transforma pouco em tudo. A bola veio quadrada sete dias antes, o contexto era torto, mas Pedro, com técnica e fé, dominou a jogada e colocou ela para dentro. Vitória para o Flamengo e, em uma semana que tinha todos os ingredientes para terminar com um gosto amargo para o clube da Gávea, a bola saiu dos pés de Pedro direto para as redes, e para o treinador e diretoria do clube, redonda e com três pontos na bagagem. 

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Mais uma aula do futebol 

Enquanto discutirmos somente os dados, seguiremos esquecendo do invisível. Da alma. Da coragem de acreditar quando ninguém mais acredita. No mundo dos algoritmos, o imponderável ainda dita o placar. Os números seguirão importantes. A sensibilidade e a visão sistêmica de quem trabalha no futebol, seguirão fundamentais.

Obrigado, futebol. Por ser maior do que as planilhas. E por nos lembrar, sempre, que o essencial, ainda escapa dos radares e segue sendo invisível aos olhos.

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Pedro no Flamengo contra o Fluminense (Foto: Alexandre Loureiro/AGIF)
Pedro fez o gol da vitória no Fla-Flu (Foto: Alexandre Loureiro/AGIF)

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Felipe Ximenes escreve sua coluna no Lance! todas as quartas-feiras. Confira outras postagens do colunista:

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