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Análise: Flamengo tem mais sorte do que juízo e sai no lucro em La Plata

Rubro-Negro terá de melhorar para decidir a vaga no Maracanã

PorLucas Bayer•Rio de Janeiro (RJ)
16/10/2026 05:00

O Flamengo teve mais sorte do que juízo no empate sem gols com o Estudiantes, nesta quinta-feira (15), em La Plata, pelo jogo de ida da semifinal da Libertadores. Com uma atuação muito abaixo do esperado, o time de Leonardo Jardim sofreu diante dos argentinos, apresentou instabilidade defensiva e pouco conseguiu produzir no ataque. O resultado, diante do desempenho, acabou sendo um alívio para o Rubro-Negro.

O placar de 0 a 0 mantém a disputa pela vaga na final em aberto e dá ao Flamengo a oportunidade de decidir a classificação diante de sua torcida, na próxima quinta-feira, no Maracanã. Mas o desempenho na Argentina precisa servir de alerta. Se o resultado foi positivo pelo contexto da partida, o futebol apresentado esteve longe de convencer.

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Primeiro tempo ligou um alerta

O primeiro tempo foi especialmente preocupante. O Flamengo teve dificuldades para controlar o jogo e voltou a mostrar fragilidade nas bolas aéreas. O Estudiantes levou vantagem nesse fundamento, ganhou disputas pelo alto e encontrou caminhos para incomodar a defesa rubro-negra. A equipe brasileira sofreu para conter as investidas dos argentinos e deixou a sensação de que poderia ter saído de campo com um prejuízo maior.

Nesse cenário, o Flamengo contou com a sorte. O Estudiantes não demonstrou eficiência técnica suficiente para transformar as situações criadas em um resultado favorável. Diante de um adversário mais preciso no último terço, os problemas defensivos poderiam ter custado caro.

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Jogadores do Flamengo contra o Estudiantes
Jogadores do Flamengo contra o Estudiantes (Foto: Adriano Fontes/Flamengo)

Arbitragem polêmica

A arbitragem também foi motivo de reclamação. O paraguaio Juan Gabriel Benítez teve uma atuação ruim e acumulou decisões contestadas pelos dois lados. Jogadores do Flamengo reclamaram de possíveis pênaltis e de cartões que, na avaliação rubro-negra, deveriam ter sido aplicados. Paquetá também teve o short puxado durante a partida, em um lance no qual os flamenguistas cobraram uma advertência.

Do outro lado, os argentinos também protestaram, incluindo em um lance envolvendo Paquetá e uma possível cotovelada ou ombrada em um jogador do Estudiantes. As reclamações não ficaram restritas a uma equipe, e a arbitragem terminou como um dos pontos negativos da partida.

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Ainda assim, a atuação do árbitro não deve esconder o que o Flamengo apresentou com a bola rolando. A equipe teve problemas para se defender, não conseguiu impor seu jogo e passou boa parte da partida sem encontrar soluções ofensivas.

Plano de Jardim não funcionou?

No segundo tempo, o cenário não mudou de maneira significativa. O Rubro-Negro continuou com dificuldades para construir jogadas e encontrar espaços na defesa adversária. A estratégia de Leonardo Jardim, que apostou em Bruno Henrique como titular para explorar a velocidade, não funcionou como esperado. O atacante foi pouco acionado, e o time não conseguiu aproveitar suas características para ameaçar o Estudiantes com regularidade.

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Pelas beiradas, Samuel Lino e Carrascal também tiveram uma noite pouco inspirada. Os dois não conseguiram dar a profundidade e a criatividade que o time precisava para sair da pressão argentina. Sem conseguir conectar o meio-campo ao ataque, o Rubro-Negro produziu pouco e teve dificuldades para transformar suas posses em oportunidades de perigo.

O meio-campo também sentiu a ausência de Jorginho, suspenso. Saúl, escolhido para substituí-lo, não teve uma atuação desastrosa, mas o Flamengo perdeu parte da organização e da capacidade de controlar o ritmo que o titular oferece. A falta de Arrascaeta, lesionado, também pesou: sem o uruguaio, a equipe perdeu uma referência importante na criação e teve ainda mais dificuldade para encontrar soluções diante da marcação adversária.

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Olhar para o copo meio cheio

O copo meio cheio é o resultado. O Flamengo conseguiu suportar a pressão fora de casa e voltou de La Plata sem sofrer gols. Em uma semifinal continental, sair de um estádio complicado com um empate mantém o objetivo ao alcance e coloca a decisão no Maracanã, diante da própria torcida.

Mas é preciso separar o resultado do desempenho. O 0 a 0 deixa o Flamengo em boas condições para buscar a vaga, porém não significa que a equipe tenha feito uma partida segura. Pelo contrário: o time escapou de um cenário mais complicado e precisará corrigir problemas importantes para não correr riscos desnecessários no Rio de Janeiro.

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Bruno Henrique em Estudiantes x Flamengo
Bruno Henrique em Estudiantes x Flamengo (Foto: Adriano Fontes/Flamengo)

A classificação está aberta, e o Flamengo tem condições de avançar diante de sua torcida. Para isso, porém, precisará apresentar uma versão muito melhor do que a vista na Argentina. Em La Plata, o Rubro-Negro teve mais sorte do que juízo. No Maracanã, não poderá depender da mesma combinação.

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