Vagner Love em media day do Corinthians

Vagner Love era só sorrisos durante o media day do Corinthians nesta segunda-feira (Foto: Guilherme Amaro)

Guilherme Amaro e Yago Rudá
22/04/2019
16:31
São Paulo (SP)

Vagner Love era só sorrisos nesta segunda-feira, um dia após marcar o gol que deu o título paulista ao Corinthians. À vontade ao ser abordado sobre diversos assuntos, o atacante de 34 anos "jogou a isca" para renovar seu contrato que irá até o fim de 2020. Ele falou até em se aposentar no Timão.

- Eu tenho contrato até o final do ano que vem. Se o presidente quiser já renovar agora, a gente está aí, né?! (risos) Ó eu jogando a isca, vai que ele morde (risos). O presidente Andrés Sanchez, se quiser renovar, estou aí para renovar mais um ano, dois, três... Se puder encerrar a carreira no Corinthians, eu quero muito - disse o atacante, que teve a primeira passagem pelo clube em 2015, quando ganhou o Brasileirão, e voltou neste ano.

- O Corinthians, para mim, é diferente de tudo e de todos. Todo mundo é contra o Corinthians. Quando a gente ganha, é uma parada diferente. Ficamos contentes, porque a gente sabe a proporção. Isso aqui prova: tem mais de dez veículos de imprensa aqui. É diferente, temos que aproveitar esse momento - acrescentou.

Após dar entrevista a várias emissoras de televisão, Love se enfiou entre os jornalistas de sites, jornais e rádios enquanto Cássio era o entrevistado. O atacante desejou ganhar mais títulos no Corinthians ao lado do goleiro na última "pergunta".

A partir daí, foi a vez de Love falar por quase 20 minutos e arrancar risos em diversas respostas. O atacante contou como foi a comemoração, projetou festejar mais e disse que o Corinthians vai brigar por mais títulos nesta temporada. Confira abaixo a entrevista dele nesta segunda-feira:

Qual o grande mérito do Corinthians neste título?
Trabalho. Trabalhamos muito, muitas vezes abdicamos de estar com a família para estar aqui trabalhando e concentrando. Mesmo sabendo que não fizemos uma excelente campanha, sabemos que trabalhos e conquistamos o objetivo que era o título. O grupo está de parabéns e graças a Deus fomos abençoados de conquistar esse título.

Considera-se predestinado?
Predestinado, privilegiado, abençoado. Muito orgulhoso de participar desse grupo, ter voltado ao Corinthians e conquistar mais um título. Agradeço a Deus por ele ter me dado esse dom de jogar futebol e poder ser decisivo fazendo um gol numa final de campeonato.

O gol foi mais bonito do que o do Elias em 2015 contra o mesmo São Paulo na Libertadores?
Eu vi, estavam até me mostrando agora. Foi muito parecido. O Elias vem tabelando de trás e recebe o passe do Jadson, mas a finalização foi muito parecida. Aquele gol foi muito importante naquela época e esse também. (Mais bonito) Porque foi o do título, né, mano?! Então foi mais bonito, lógico. Conheço o Elias há muitos anos, desde os 15 ou 16 anos. Começamos juntos na base, só que eu falei para ele que o meu foi mais bonito.

Você nunca reclamou de não atuar como centroavante e vem jogando pelos lados...
De repente não entraria no jogo. Até pela fase que o Gustavo vem tendo, vem fazendo gols, é o dono da posição. Se eu tivesse reclamado, de repente não entraria nessa decisão. Pela minha experiência, é o que eu falo sempre: quero estar em campo ajudando da melhor forma possível. Agradeço a Deus pelo dom e a força que eu tenho para poder fazer qualquer tipo de função. Quero estar em campo e ajudar. Fui decisivo e consegui ajudar o Corinthians a conquistar mais um título.

Como foi a comemoração?
Foi legal, mas dá para a gente comemorar mais um pouquinho hoje. O Thiaguinho estava comigo ontem, teve um show em São José dos Campos, ele me chamou, é corintiano roxo. Eu falei que estava na minha casa com meus amigos e minha família tomando minha cervejinha. Ele falou que estava indo. Ficamos na resenha, tomando uma cervejinha e ouvindo uma boa música. Comemoramos bastante.

Em 2015, vocês festejaram na sua casa no Rio de Janeiro...
Fizemos uma festa da p****. O Rio de Janeiro ficou pequeno aquele dia. Em casa, pagodão comendo solto, o Tite tomou várias caipirinhas lá em casa. Ontem não tivemos oportunidade de reunir todo mundo, mas é legal. O gol foi bonito naquela época, decisivo também, do título. Mas esse foi mais importante da maneira que foi, aos 43 para 44 do segundo tempo. Fico muito feliz por isso.

Eu gosto de reunir a rapaziada. Contra o Vasco, consegui reunir por estar no Rio de Janeiro, minha casa, minha terra, consegui reunir todo mundo. Ontem, por todo mundo estar com a família, a comemoração foi mais tranquila, mas vamos armar alguma coisa geral.

Foi seu gol mais bonito pelo Corinthians?
Mais bonito? Eu tive gols bonitos que eu me recordo. Contra o Racing foi muito bonito. Teve gols importantes em 2015 também. Mas esse gol se não foi o mais está na lista, no top 5.

Qual a importância do Carille?
É muito grande. O Carille é um cara sensacional no dia a dia. Não do Carille treinador, e sim como pessoa, pai de família, homem. Ele é muito correto com todos. É difícil lidar com 30 e poucos jogadores, e ele sabe lidar, sabe fazer com que a gente tenha um bom convívio no dia a dia. Isso é difícil nos clubes, e o Corinthians tem isso, criou essa identidade, essa família, e o Carille consegue fazer isso. Ele é muito importante para a gente. Peço que ele tenha muito tempo aqui no Corinthians porque tenho certeza de que ele vai conquistar mais títulos importantes aqui.

Você que comandou a playlist antes do jogo?
A playlist de ontem do ônibus foi minha. Pagode redondo. Rolou Thiago Soares, um baita de compositor e cantor. E depois o Cássio complementou, porque ele é o rei da playlist do vestiário. Não teve uma música específica, mas o Cássio vem mandando muito bem na playlist nossa, embalou nosso título com certeza.

Sabia o que fazer na comemoração do gol?
Não. Não sabia para onde ir. Se eu corria, se eu parava, se eu chorava, se eu pulava, se beijava a aliança para dar moral para a nega. Fiquei desnorteado. Nem sei de que forma eu comemorei naquele momento. Depois todo mundo me abraçando é que vem "poxa, fiz o gol que está fazendo a gente conquistar o título, e meus amigos que convivem no meu dia a dia estavam todos me abraçando". Fiquei muito feliz por isso.

Por que gosta tanto do Corinthians?
O que me dá amor pelo clube? O convívio, dia a dia, as pessoas que trabalham aqui. Todos são importantes. O cara que está cortando grama é importante, porque ele deixa a grama perfeita para a gente trabalhar. Não desmerecendo os outros clubes, mas aqui no Corinthians é diferente. O convívio e respeito que temos um pelo outro são diferentes. Todo mundo se cumprimenta e se abraça. Um ajuda o outro quando está para baixo. E isso é com todos aqui dentro. Por isso que eu falo que o Corinthians é diferente de tudo. E o que a torcida do Corinthians faz é coisa de louco mesmo.

Acha que dá para brigar por todos os títulos?
É difícil, muito mesmo. O último que ganhou três títulos em um ano foi o Cruzeiro em 2003. A gente sabe a dificuldade que é, mas o Corinthians entra sempre para brigar. Temos que reverter uma situação muito difícil na Copa do Brasil, temos chances por estar em casa, conseguimos uma boa classificação contra o Racing lá. Estamos preparados para isso. E tem o Campeonato Brasileiro que vai começar, são grandes jogos. Se fizer bons jogos em casa e pontuar fora, tem totais chances de conquistar o título brasileiro também.

Quem são os favoritos?
Tem vários clubes que vão brigar pelo título. Principalmente os campeões dos estaduais; Corinthians, Grêmio, Flamengo, Cruzeiro... E pega os que não foram campeões: Inter, Atlético-MG, Palmeiras... Coloco aí no mínimo de oito a dez times que têm condições de brigar pelo título brasileiro.

O Corinthians, por ter se reformulado, está tendo essa dificuldade de pegar o jeito de jogar. Competitividade não está faltando, estamos entrando concentrados, faltam alguns aspectos técnicos que podemos melhorar, e a gente sabe disso. Hoje, parando para ver, acho que o Cruzeiro é um time que vem jogando muito bem, tem grandes jogadores e vai brigar por títulos.

Acha que está faltando centroavantes no Brasil?
Dei uma entrevista há um tempo que me perguntaram sobre isso. Está faltando centroavante centroavante. Alguns times estão jogando sem centroavante de origem. Daí você pega o Ricardo Oliveira que está muito bem, o Fred também. Eu hoje não estou jogando na minha posição de origem, mas fiz gol de centroavante. Você pega a diferença da idade nossa para os centroavantes de hoje é muito grande. Tem o Gustavo, o Pedro do Fluminense... O Gabigol não considero um centroavante centroavante, ele roda mais. Centroavante de origem são o Gustavo, Pedro e o Pablo, que fez uma excelente temporada no Atlético-PR e hoje está no São Paulo. A diferença de idade nossa é de dez a 15 anos. Está faltando uma safra melhor de centroavantes.