ANÁLISE: mesmo com classificação do Corinthians na Sul-Americana, Luxa mostra de vez que é um negacionista da bola
Mesmo tomando um vareio do Estudiantes e vencendo na disputa por pênaltis, o treinador corintiano acredita que a estretégia adotada para o jogo na Argentina deu certo

A análise de uma partida de futebol precisa necessariamente ir além dos 90 minutos e do placar. Nesse caso, é impossível desassociar a entrevista coletiva que o técnico Luxa deu após a classificação à semifinal da Conmebol Sul-Americana do jogo contra o Estudiantes, da Argentina, em La Plata.
Desde o primeiro minuto da entrevista, Vanderlei Luxemburgo nega fatos que parecem (e são) óbvios para quem assistiu o jogo. E sem precisar de um grande conhecimento do futebol para chegar a algumas conclusões e da desconexão do treinador corintiano com a realidade.
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Luxa nega até mesmo o resultado quando abre a coletiva dizendo que 'a estratégia deu certo, pois 'errado é quando não se consegue o resultado'. O Timão não conseguiu. Perdeu no tempo normal. Empatou no agregado. E a classificação só veio através dos pênaltis, que é um critério de desempate.
E isso sem levar em consideração, neste momento, o vareio tomado pela equipe alvinegra, que deu espaço para 29 finalizações do adversário, sendo 15 em direção ao gol, quatro na trave e, pelo menos, outras quatro obrigando defesas difíceis do goleiro Cássio. Esses pontos serão levados mais em consideração em alguns parágrafos abaixo.
Antes, é importante frisar que Luxemburgo deixou claro na entrevista que usou a disputa por pênaltis como estratégia, mesmo desconsiderando a importância de se treinar costumeiramente o quesito.
- Pênalti não adianta você treinar muito. Confiança de chegar na hora e saber bater - disse Vanderlei em dado momento.
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Ou seja, a ideia do técnico foi basicamente se escorar no bom aproveitamento do seu goleiro, Cássio, que possui ótimo histórico em defender penalidades. Assim, o próprio Luxa, que costuma tanto falar que do outro lado há um adversário, desconsiderou que jogava contra o Estudiantes, que conta com Mariano Andújar, um arqueiro tão experiente quanto o corintiano.
Na disputa por pênaltis, cada goleiro defendeu uma cobrança, e o Corinthians contou com a ajuda do travessão que barrou duas dos argentinos. O poste, que já havia sido essencial para levar o Timão até a marca da cal, após a equipe brasileira tomar um vareio dos Pinchas no tempo normal. Uma superioridade que foi muito além da modesta que o clube do Parque São Jorge teve no jogo de ida, em São Paulo.
E como não é um elemento empírico, a sorte não pode ser considerada na hora de analisar o futebol. Ainda que ela exista e seja fundamental na história do esporte bretão, é algo que não se consegue prever. E mesmo o futebol sendo cercado pela tal 'maravilhosa injustiça', que muitas vezes permite que se vença o pior, se escorar nisso é se apegar nas exceções e não trabalhar para fazer valer a regra.
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Voltando às estatísticas acima: foram 29 finalizações que o Corinthians cedeu ao Estudiantes. Dessas, 15 foram em direção ao gol. Muitas delas fizeram Cássio trabalhar com dificuldades. Quatro delas pararam na trave, sendo que em duas o próprio goleiro admitiu na zona mista, após o jogo, que nem viu.
Esses números são suficientes para quebrar qualquer argumento - se há algum - que Luxemburgo possa ter de que a estratégia corintiana em La Plata deu certo. O técnico do Timão nada mais do que negando todos os fatos possíveis em uma partida de futebol. E isso por não ter a humildade necessária de admitir que a sua equipe mais uma vez não jogou bem um confronto decisivo, como foi contra o São Paulo, pela semifinal da Copa do Brasil.
No Morumbi, Luxa admitiu que o adversário foi melhor e que a sua equipe 'entrou a 20 (quilômetros por hora), enquanto o Tricolor a 200'. O que parecia, finalmente, um momento lúcido de Vanderlei Luxemburgo, reconhecendo a inferioridade técnica apresentada pelo seu time em campo, se mostrou um lapso quando o treinador se escora na partida contra a equipe do Morumbi ao analisar a derrota, ainda que com a classificação, para o Estudiantes.
- Contra o São Paulo, deixamos de jogar um tempo de decisão. Aqui tomamos um gol com 50 segundos e mudou a estratégia. Futebol tem uma coisa que é emocional. Eu queria terminar o primeiro tempo perdendo por 1 a 0 para o São Paulo - disse Luxa, na Argentina.
Luxemburgo tem muitos méritos em sua passagem atual pelo Corinthians. Controlou bastidores, blindou o elenco, e até mesmo a diretoria, de críticas pesadas e. Principalmente, ele deu espaço para alguns garotos desabrocharem rapidamente, em uma velocidade que dificilmente outro técnico conseguiria. Mas todos esses pontos positivos têm a ver com gestão, e não com o trabalho de campo, que é muito ruim.
Dentro das quatro linhas, o Corinthians é um deserto de ideias. E até mesmo a estratégia que se defender não deu certo, pois um time que adota a postura de se fechar e esperar o adversário não pode dar tantos espaços e deixá-lo chegar tanto. Jogar defensivamente não é pecado, mas é necessário que se tenha qualidade até para ser retranqueiro. Luxa mostrou contra o Estudiantes e, antes, diante do São Paulo, pela Copa do Brasil, que nem isso possui.
E é por isso que o treinador corintiano evita falar de futebol na coletiva e vive negando fatos. E ele, que está na história do futebol brasileiro como um dos grandes treinadores, hoje não passa de um negacionista da bola.

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