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Defesa de Andrés Sanchez cita promotor corinthiano e Gaviões da Fiel contra denúncia do MP

Advogados questionam imparcialidade do processo e exposição excessiva divulgação de investigações

São Paulo (SP)
17/10/2025 10:22
Atualizado em 17/10/2025 14:37
Coletiva Andrés Sanchez Corinthians
Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

A defesa do ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, por meio do advogado Fernando José da Costa, fez uma solicitação à Justiça que não acate a denúncia do MP que o acusa de apropriação indébita, lavagem de dinheiro e crime tributário.

Segundo o documento, o pedido se baseia na forma como as provas foram obtidas, questionando a legalidade e a validade dos documentos apresentados no processo.

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O LANCE! teve acesso ao documento enviado à juíza da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital/SP. Segundo a defesa de Andrés Sanchez, a denúncia apresenta uma série de irregularidades que comprometem o devido processo legal. A primeira delas é a intensa espetacularização midiática das investigações, com cada diligência transformada em episódio público, detalhadamente divulgado à imprensa, muitas vezes antes mesmo de a defesa ter acesso às medidas, expondo os investigados de forma prematura.

Outro ponto destacado é a possível parcialidade do promotor responsável pelo caso. De acordo com a defesa, ele é torcedor assíduo do Corinthians e adotou desde o início uma narrativa de "farra com o dinheiro dos associados", o que poderia caracterizar interesse pessoal na causa e comprometer a impessoalidade exigida do órgão acusador, atraindo suspeição.

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A situação se agrava com a presença de membros da torcida organizada Gaviões da Fiel nos eventos investigados. Para a defesa, a participação de torcedores, somada à ampla cobertura da mídia, aumentou a repercussão social do caso, elevando os riscos de exposição indevida e de pré-julgamento do acusado, ferindo princípios básicos do direito de ampla defesa.

A defesa também questiona a legalidade das provas apresentadas na denúncia. Parte significativa do processo teria sido instruída com dados sigilosos, como extratos bancários, obtidos diretamente pelo Ministério Público sem a necessária submissão à reserva de jurisdição, configurando, segundo os advogados, prova obtida de forma ilícita.

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Por fim, entre os argumentos apresentados, Fernando José da Costa, advogado de Andrés Sanchez, destaca que parte das provas que embasam a denúncia não teriam sido obtidas por vias legais. Inicialmente, informações financeiras do ex-presidente do Corinthians surgiram em vazamentos nas redes sociais, incluindo perfis no Twitter/X, antes mesmo de qualquer medida formal do Ministério Público. Embora o clube tenha posteriormente fornecido documentos ao órgão, a defesa sustenta que a sequência dos fatos compromete a legalidade das provas e pede, por esse motivo, a anulação de parte do processo.

Andres Sanchez
Defesa enviou documento ao MP (Imagem: Corinthians TV)

Veja abaixo trechos do documento

Espetacularização midiática
Feita essa breve síntese, causa perplexidade a forma como as investigações que ensejaram a presente denúncia foram conduzidas sob intensa espetacularização midiática, convertendo cada diligência em episódio público, exposto detalhadamente à imprensa, sem qualquer resguardo à discrição que se exige de procedimentos de natureza criminal. O curso da apuração, passo a passo, foi divulgado em tempo real – muitas vezes, antes mesmo de a defesa ter acesso às medidas – promovendo-se verdadeiro roteiro de exposição dos investigados.

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Promotor corinthiano
É exatamente o que se projeta neste caso, pois o próprio acusador, publicamente identificado como torcedor assíduo e, sendo assim, possivelmente associado do SCCP, adotou desde o início a matriz retórica da "farra com o dinheiro dos associados". Em outras palavras, não se trata apenas de identificação afetiva com o clube, mas de potencial condição de cointeressado/vítima na própria causa, o que rompe a impessoalidade exigida do órgão acusador e atrai a suspeição.

Presença Gaviões
A gravidade do episódio se acentua ao se constatar que, para além de ampla cobertura da mídia, o evento contou ainda com a participação de membros de torcidas organizadas — em especial da Gaviões da Fiel —, ampliando a repercussão social e potencializando os riscos de exposição indevida e de pré-julgamento do acusado.

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Provas vazadas
Primeiro, porque a denúncia se apoia em prova obtida de forma ilícita — notadamente por estar instruída, em grande parte, com dados sigilosos (extratos bancários) obtidos mediante requisição direta do Ministério Público, sem a necessária submissão à reserva de jurisdição.


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