Cássio e Avelar - Corinthians x Palmeiras

Cássio e Avelar são alguns dos destaques defensivos do Corinthians nesta volta (Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians)

Alexandre Guariglia
06/08/2020
08:00
São Paulo (SP)

O empate em 0 a 0 com o Palmeiras, na última quarta-feira, pela primeira partida da final do Paulistão, foi o quinto jogo consecutivo em que o Corinthians saiu de campo sem ser vazado, confirmando a solidez defensiva da equipe. Ao mesmo tempo mostrou que o poder ofensivo do time ainda está longe de estar no mesmo patamar e voltou a fazer um segundo tempo ruim.

Ao todo, somando o tempo que ficou sem tomar gols no empate em 1 a 1 com o Ituano, na última partida antes da paralisação, o Timão está há 525 minutos sem ver uma bola balançar a sua rede. Méritos de uma defesa que tem sido cada vez mais compacta e coesa com a dupla Gil e Danilo Avelar, e com a consistência e regularidade de Carlos Augusto, que fecha como praticamente um terceiro zagueiro. Além disso, Gabriel comanda a marcação no meio.

Tiago Nunes sabe que o setor defensivo está resolvido. Se isso era um problema na primeira parte da temporada, passou a ser um alívio para poder trabalhar outros setores falhos da equipe. Isso porque, sem levar gols "bobos" e sem correr atrás do placar, dá tranquilidade para que se desenvolva o estilo pretendido pelo treinador, de mais passe e posse, mas ainda falta o equilíbrio.

Equilíbrio no sentido de ter um nível parecido de atuação no setor defensivo e no setor ofensivo, o que parece carecer de mais tempo para acontecer. Quando o ataque é eficiente e os gols saem cedo, o problema está resolvido, mas se isso não se concretiza, as dificuldades ficam evidentes, como estava ocorrendo diante do Mirassol, antes de ficar com um a menos e Éderson marcar o gol, em um chute de longe, como já havia feito contra o Oeste e contra o Red Bull.

Sem jogadores de velocidade pelas pontas e com uma transição lenta pelo meio, principalmente enquanto Luan continua abaixo da expectativa, as apostas ficam em cima dos avanços de Fagner. Apesar da boa infiltração de Ramiro em lançamento do já citado Luan no primeiro tempo do clássico, tratou-se de uma exceção e não de uma regra. A criação foi bem mais pobre.

Assim como aconteceu no primeiro Dérbi desta retomada, em 22 de julho, o Corinthians fez um primeiro tempo muito melhor do que o segundo. Naquela ocasião, quando já vencia por 1 a 0, o Alvinegro viu o rival dominar completamente a etapa final, e contou os milagres de Cássio para sair de campo com a vitória, já que não conseguia segurar a bola no ataque,

Na última quarta-feira, o placar não estava aberto e Cássio não precisou trabalhar, pois o rival tinha enorme dificuldade para finalizar as jogadas, mas a postura da equipe corintiana foi bem parecida com a do outro jogo, ausente no setor ofensivo e demasiadamente acuada na defesa, com pouca saída, já que os palmeirenses tiveram êxito em fazer a marcação alta e neutralizar as tentativas de transição. Em resumo, o time "acabou" no segundo tempo.

Tiago Nunes e seus jogadores, após o primeiro jogo da decisão, mostraram que sabem o que tem faltado ao time para que a solidez defensiva tenha correspondência no ataque. Como disse Danilo Avelar, quem errar menos, sairá vencedor, e isso vale para buscar os gols no setor ofensivo, bem como no sentido de tentar fazer dois tempos com volume de jogo parecido. Esses serão alguns dos desafios para o próximo sábado, às 16h30, no Allianz Parque.