Alessandro Corinthians

Alessandro foi dirigente do Corinthians por cinco anos (Foto: Daniel Augusto Jr)

Guilherme Amaro e Marcio Porto
03/01/2019
15:21
São Paulo (SP)

A volta aos trabalhos do Corinthians em 2019 teve um anúncio emocionado antes de início dos treinos. O gerente de futebol Alessandro Nunes se despediu após 11 anos no clube - seis como jogador e cinco como dirigentes. O ex-atacante Emerson Sheik e o ex-zagueiro Vilson assumirão a função a partir desta temporada.

Ainda há a chance de Eduardo Ferreira, ex-diretor do Corinthians, voltar ao departamento de futebol. A ideia é que ele fique responsável pela equipe sub-23, projeto de criação do clube para 2019.

- A gente vem fazendo uma reformulação no departamento. Tivemos uma reunião e resolvemos que a gente para esse ciclo aqui, em comum acordo, é um grande amigo, um cara que só tenho a agradecer - anunciou o diretor de futebol Duílio Monteiro Alves.

- Aproveito a oportunidade para agradecer ao Alessandro, o último atleta do país a levantar a taça do Mundial. Sai um grande amigo, um grande gerente, mas permanece nossa amizade. O Corinthians só tem a dizer muito obrigado por tudo. É um dos momentos mais emocionantes que eu tenho na minha história aqui - completou o diretor adjunto Jorge Kalil.

Após o anúncio dos diretores, foi a vez de Alessandro se despedir. Embora pessoas ligadas ao presidente Andrés Sanchez especulassem a saída de Alessandro desde que Andrés voltou ao clube em fevereiro, o gerente negou qualquer atrito.

- Confesso que, após 11 anos, esse talvez seja o momento mais ansioso e emocionante para mim. Não é fácil ficar 11 anos em uma instituição, independentemente da função. Nesse momento comunico a vocês a minha saída. É uma saída orgulhosa, me dediquei muito ao clube, independentemente da posição, sendo atleta ou não, sei que a torcida do Corinthians vai entender. Não foram poucos os títulos, tenho orgulho de cada um deles. Tivemos um bate-papo muito positivo, e chegamos ao entendimento da minha não sequência no departamento. Me sinto muito orgulhoso por ter participado durante cinco anos do departamento de futebol do Corinthians, é um privilégio ter essa oportunidade. Tenho total gratidão, e que os torcedores tenham convicção que o clube vai seguir vitorioso - disse Alessandro.

- Meu contrato finalizou em dezembro, e nós sentamos hoje para fazer a apresentação de tudo que planejamos. Foi um mês de muita reflexão minha, eu vejo como necessário, para mim seria mais confortável ter uma longevidade muito grande. Tenho que pensar não somente no clube, como também no profissional Alessandro. Fazer gestão é muito difícil, mas muito prazeroso, é o que eu gosto. Foi nessa linha de entendimento do Corinthians e do Alessandro. Estamos com muita naturalidade - acrescentou.

Alessandro afirmou que quer seguir na função de gestor e desconversou sobre o possível interesse do Flamengo. Ele também disse que não trabalhará em um rival do Corinthians antes de passar por outro clube.

- Respeitosamente falando sobre o Flamengo, não fico surpreso pelo tempo que eu fiquei, foi um clube que me projetou, é natural. Não foi nesse fim de ano que saíram. Mas sobre meu futuro nada tenho a falar nesse momento, sou um cara conservador, jamais colocaria alguma possibilidade, acho que temos que falar só quando acontece - declarou Alessandro, que ressaltou a sua história pelo Corinthians ao ser perguntado sobre trabalhar em um rival.

- Se hoje me coloco como profissional nessa área de gestão, abro um leque importante, mas não posso ignorar o que eu construí e tenho de identificação com o Corinthians. Não vejo chance de trabalhar em São Paulo sem antes rodar um pouquinho. Não me sentiria bem, sinceramente, com muito respeito aos clubes - disse.

Alessandro deixa o Corinthians com 11 títulos. Como jogador, conquistou Mundial e Libertadores em 2012, Brasileirão em 2011, Paulistão em 2009 e 2013, Copa do Brasil em 2009 e Série B em 2008. Como dirigente, conquistou o Brasileirão em 2015 e 2017, e Paulistão 2017 e 2018.

Emerson Sheik e Vilson viram dirigentes

Após encerrarem suas carreiras ao final de 2017, Sheik e Vilson vão trabalhar na diretoria do Corinthians a partir desta temporada. Duílio Monteiro Alves falou que os dois jogadores têm perfil de dirigentes.

- O Emerson Sheik é pela história que tem, por tudo que já fez no Corinthians, e por a gente identificar que ele tem esse perfil. O Vilson também é pelo perfil, um cara diferenciado, inteligente, nos ajudou muito no dia a dia, e acreditamos que ele pode entregar o que procuramos. É mais pelo perfil e pelo que a gente viu convivendo - disse Duílio.

O presidente Andrés Sanchez também falou sobre a mudança:

- Alessandro foi importantíssimo como jogador, também como dirigente. Agora, está há 12 anos no clube. Para oxigenar para a gente, para ele. De comum acordo. Seguir a vida. Vai ser boa para ele, para nós o tempo vai dizer. O Vilson vai ficar no lugar dele. O Sheik não, vai trabalhar com coordenação sub-23, sub-20, mais ligado ao Fábio (Carille), vamos colocar isso aqui. Os garotos mudaram bastante e o Sheik tem a características para isso - disse Andrés.