Irã deixa Copa com críticas aos EUA e despedida emocionante no México
Eliminada na fase de grupos, seleção iraniana agradece apoio dos mexicanos

A participação do Irã na Copa do Mundo chegou ao fim cercada por emoção, agradecimentos e novas críticas aos Estados Unidos. Eliminada ainda na fase de grupos após não conseguir avançar entre os melhores terceiros colocados, a seleção iraniana encerrou sua passagem pelo torneio nesta terça-feira (30) com uma despedida calorosa em Tijuana, cidade mexicana que serviu de base para a equipe durante a competição.
Antes de deixar o hotel que hospedou a delegação ao longo do Mundial, jogadores e membros da comissão técnica voltaram a receber o carinho de torcedores que se reuniram do lado de fora para prestar apoio. O clima foi de reconhecimento à campanha da equipe, que enfrentou dificuldades dentro e fora de campo durante as últimas semanas.
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O técnico Amir Ghalenoei fez questão de agradecer à população local e destacou a relação criada entre a seleção iraniana e os moradores da cidade mexicana. Em sua despedida, o treinador afirmou que a receptividade encontrada no país ficará marcada na memória da delegação e classificou a experiência em Tijuana como um dos pontos mais positivos da trajetória iraniana na Copa.
Apesar da eliminação precoce, o comandante valorizou a postura de seus jogadores e ressaltou que o time deixa o torneio de cabeça erguida. Segundo ele, o desempenho apresentado pela equipe recebeu reconhecimento de personalidades do futebol internacional, mesmo sem a classificação para a fase eliminatória.

A saída do Irã do Mundial também foi marcada por um novo capítulo da tensão política envolvendo o país e autoridades norte-americanas. A Federação Iraniana de Futebol divulgou um comunicado oficial reagindo às declarações do secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, que comemorou publicamente a eliminação da equipe asiática da competição.
Na nota, a entidade criticou a postura do representante do governo norte-americano e afirmou que os comentários reforçam a percepção de que a seleção iraniana enfrentou um ambiente desfavorável durante sua participação na Copa do Mundo. A federação ainda acusou autoridades dos Estados Unidos de adotarem atitudes incompatíveis com a responsabilidade de um país envolvido na organização de um evento esportivo de alcance global.
As reclamações da delegação não são recentes. Desde o início do torneio, dirigentes e integrantes da comissão técnica relataram obstáculos provocados pelo contexto geopolítico envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O conflito entre os países impactou diretamente o planejamento da equipe, que precisou alterar sua estrutura logística poucos meses antes do Mundial.
Inicialmente, a seleção iraniana pretendia utilizar Tucson, no estado do Arizona, como centro de treinamento durante a Copa. Entretanto, diante das dificuldades geradas pela escalada das tensões diplomáticas e militares, a equipe transferiu sua base para Tijuana, no México. Além da mudança de sede, o Irã também enfrentou problemas relacionados a deslocamentos, vistos e compromissos preparatórios cancelados antes da competição.
Dentro de campo, os iranianos encerraram a campanha com três pontos no Grupo G. O desempenho não foi suficiente para colocar a equipe entre os classificados ao mata-mata, mas a seleção deixa o torneio com a sensação de ter superado desafios que ultrapassaram as quatro linhas. Na despedida do México, o sentimento predominante entre jogadores, comissão técnica e torcedores foi de gratidão pelo apoio recebido durante um dos períodos mais turbulentos da história recente do futebol iraniano.
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