LANCE!
09/04/2018
12:45
São Paulo (SP)

Leônidas da Silva, atacante que imortalizou a bicicleta no futebol, jogou as Copas do Mundo de 1934 e 1938. Em 34, na Itália, a Seleção Brasileira caiu ainda na primeira partida, contra a Espanha. Porém, em 38, na França, o Brasil foi longe e levou o terceiro lugar liderado pelo "Diamante Negro". Leônidas foi o artilheiro da Copa de 1938, com sete gols, e tornou-se o primeiro jogador brasileiro com destaque em um Mundial e goleador máximo da competição.

O cara da Copa - Leônidas da Silva
(Imagem: Arte LANCE!)

Na Copa de 1934, Leônidas tinha apenas 20 anos e foi titular no jogo entre Brasil e Espanha. A Copa já começava nas oitavas, em mata-mata, e a Seleção perdeu por 3 a 1. Leônidas foi titular e fez o último gol do duelo. Quatro anos depois, o "Homem Borracha" não só foi titular, como protagonista. Com a mesma fórmula de 34, o Brasil encarou a Polônia nas oitavas. Em confronto decidido na prorrogação, a Seleção levou a melhor por 6 a 5. O "Diamante" fez três gols naquele jogo, dois deles na prorrogação. E o último foi inusitado.

Com uma forte chuva que caía em Estrasburgo, a chuteira de Leônidas acabou rasgando, descolando a sola, como "uma boca de jacaré". Sem conseguir pegar outro par no número 36 com agilidade, ele ficou descalço e foi para a área, marcando o sexto gol do Brasil no jogo. Depois, ele voltou a ficar calçado.

- Ia ser cobrada uma falta contra a Polônia e eu fiquei desuniformizado (sic). Chovia, o juiz não percebeu. Nós não tínhamos meias brancas, jogávamos de meias pretas. Então, com a lama, o juiz talvez não tenha observado. Eu fiquei na jogada, a bola bateu na barreira, voltou para mim e eu complementei o lance e fiz o gol - disse Leônidas, em entrevista à TV Cultura na década de 1970.


Nas quartas, o Brasil enfrentou a Tchecoslováquia. O jogo terminou 1 a 1, com gol de Leônidas, e como o empate persistiu na prorrogação, uma partida de desempate foi marcada para dois dias depois. Nela, Leônidas fez um e o Brasil ganhou por 2 a 1. Na semifinal, contra a Itália, apostando que o Brasil passaria para a decisão, o técnico Ademar Pimenta resolveu poupar Leônidas. Na época, o futebol não tinha substituições e o atacante nada pôde fazer para evitar derrota do Brasil por 2 a 1. Ainda restava, porém, a disputa pelo terceiro lugar.

O Brasil encarou a Suécia com Leônidas de volta. Descansado, o atacante teve uma atuação mágica. A Seleção ganhou por 4 a 2 e o "Diamante" marcou dois. Na volta ao Brasil, a delegação foi recebida por uma multidão. Leônidas foi o mais procurado por autoridades para fotos. O atacante também foi eleito o jogador mais popular do Brasil num concurso realizado pelo Cigarro Magnólia. Um ano depois, no embalo do destaque na Copa, a Lacta criou o chocolate "Diamante Negro", que passou a ser o produto mais vendido do país, dando a Leônidas a quantia de 20 contos de réis – um valor considerável para a época.