Fluminense x Olímpia - Cano

Argentino Germán Cano, pelo Fluminense, é uma das estrelas do Brasileirão (Foto: Lucas Merçon/Fluminense FC)

Rafael Ribeiro
13/05/2022
07:30
São Paulo (SP)

Assistir a uma partida do Campeonato Brasileiro que não tenha ao menos um estrangeiro em campo se tornou uma missão pra lá de complicada. Isso porque a edição deste ano da Série A conta com 90 gringos, número que supera em 15 o ano passado, somando atletas e treinadores. É o maior número já registrado na história da competição.


Se contar somente quem entra em campo, são 82 jogadores, sete a mais que em 2021, e superior a quatro dos outros cinco últimos anos.

Em 2020, foram 84. Em 2019, 76. Em 2018, 78. Em 2017, 77. E em 2016, 79.

Dos 20 times participantes da elite nacional, somente o Goiás não conta com um nome de outra nacionalidade.

O país que mais fornece mão de obra ao Brasil é a Argentina, que possui 20 representantes na primeira divisão. No ano anterior eram 13. Mais da metade das equipes têm ao menos um 'hermano' no elenco, sendo Botafogo, Atlético-MG e Fortaleza os clubes com a maior quantidade (3), seguido de Internacional (2), São Paulo (2), Athletico (1), Red Bull Bragantino (1), América-MG (1), Santos (1), Fluminense (1), Coritiba (1) e Atlético-GO (1).

Dos 90 nomes, oito são brasileiros naturalizados estrangeiros. Casos de Éder (Itália), André Anderson (Itália) e João Moreira (Portugal), no São Paulo; Ricardo Goulart (China), no Santos; Júnior Moraes (Ucrânia), no Corinthians; Aloísio (China), no América-MG; Marlos (Ucrânia), no Athletico-PR; Chico (Coreia do Sul), no Juventude.

Com três estrangeiros no plantel (Juan Ojeda, do Paraguai, Christian Rivas, da Venezuela, e Kelvin Osorio, da Colômbia) o Cuiabá vê a América do Sul como uma boa opção para fortalecer o grupo de atletas, conforme explica o vice-presidente do clube, Cristiano Dresch.

 - O mercado sul-americano se tornou uma ótima fonte e alternativa de captação de atletas. Estamos vendo um número cada vez maior de jogadores brasileiros saindo muito cedo do país, com 17, 18 anos, e ter essa possibilidade de encontrar bons jogadores na Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Paraguai é muito bom. Conseguimos encontrar bons valores, de muita qualidade técnica, em condições financeiras interessantes para uma Série A - disse o dirigente.

Vale destacar um hiato neste período. Em 2013, ao lado do presidente Fabio Koff, o então diretor executivo do Grêmio, Rui Costa, atualmente no campeão Paulista, São Paulo, foi quem protocolou junto à CBF o pedido para aumento no número de estrangeiros em campo, de três para cinco.

Em fevereiro deste ano, o Tricolor paulista anunciou a chegada do colombiano Andrés Colorado, volante que atua pela seleção do seu país e que veio emprestado pelo Cortuluá-COL, por uma temporada, com opção de compra no fim do contrato, por US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,22 mi). O jogador é visto com bom potencial para se destacar com a camisa do time do Morumbi, que também contratou o brasileiro naturalizado italiano, André Anderson.

 - O Internacional sempre foi um celeiro de atletas vindos de países vizinhos em nossa história. Hoje mesmo temos profissionais de quatro nacionalidades diferentes em nosso grupo e não creio que isso aconteça apenas pela questão financeira ou pelo leque maior de opções que temos na América do Sul, mas muito mais pelo crescimento técnico e o quanto isso pode representar em termos de resultados dentro e fora de campo - opina o presidente Colorado, Alessandro Barcellos.

O advogado especializado Eduardo Carlezzo, sócio do Carlezzo Advogados, escritório que assessorou juridicamente nos últimos meses as transferências de Matias Lacava (Academia Puerto Cabello para Santos), Carlos Palacios (União Espanhola para Internacional), Eduardo Vargas (Tigres para Atlético Mineiro), Cesar Pinares (Universidad Católica para Grêmio) e Benjamin Kuscevic (Universidad Católica para Palmeiras), vê a potencialidade do Campeonato Brasileiro como um atrativo.

 - Os jogadores sul-americanos querem jogar no Brasil. Há um interesse claro em disputar essa competição, seja pelo nível de jogos, superior aos demais países do continente, seja pela estrutura dos clubes, dos estádios e, também, pelos salários. No âmbito do continente americano, o Brasil, tradicionalmente, concorre com os clubes mexicanos na busca pelos melhores talentos da região. Essa concorrência, neste ano, ficou ainda mais forte pois os clubes dos Estados Unidos passaram a abrir os cofres e estão gastando altas quantias no mercado de transferências.

Técnicos estrangeiros em alta

Abel Ferreira, Antonio Mohamed e Paulo Sousa: os três principais elencos do futebol brasileiro (Atlético Mineiro, Flamengo e Palmeiras) são comandados por estrangeiros. Esse dado não é uma simples coincidência e demonstra o prestígio de técnicos do exterior, que alcançam cada vez mais espaço e notoriedade no Brasil. Os nomes tidos como “medalhões”, exemplo de Vanderlei Luxemburgo e Luiz Felipe Scolari, multicampeões e com vasta história no cenário nacional, perderam o status de destaque que tinham antes.

Nos últimos anos, os treinadores portugueses, em especial, foram donos de um sucesso absoluto em território brasileiro. Jorge Jesus, no Flamengo, conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro, em 2019, e se despediu do clube carioca no ano seguinte, com cinco títulos conquistados e apenas quatro derrotas. Pelo Palmeiras, Abel Ferreira, que veio do PAOK em 2020, conquistou o bicampeonato da Libertadores, além da Copa do Brasil.

Hoje, dos 20 times que disputam a Série A do Campeonato Brasileiro, oito deles são treinados por estrangeiros. Recentemente, o Corinthians anunciou o técnico português Vítor Pereira. Já o Santos contou com a chegada do argentino Fabián Bustos. O Botafogo, por sua vez, apresentou o português Luís Castro.

 - Para mim, o trabalho é muito mais importante do que o talento. Acho que no Botafogo há muita gente com talento e com trabalho. Isso facilita mais as coisas. Escolhi o Botafogo e realmente tive outros convites, mas escolhi o Botafogo, escolhi estar aqui - afirmou Castro em sua apresentação.

A última temporada do Brasileirão já evidenciou o interesse dos clubes por técnicos do exterior. Quebrando recorde, a edição de 2021 chegou à marca de sete gringos, percentual jamais visto na competição. Um dos nomes de grande sucesso foi do argentino Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza, responsável por comandar a equipe do Leão que alcançou uma campanha histórica no Campeonato Brasileiro, garantindo uma vaga inédita na fase de grupos da Libertadores, além de chegar na semifinal da Copa do Brasil.

 - Quando o Vojvoda chegou, logo de cara nós percebemos uma dinâmica diferente de trabalho. Os jogadores se adaptaram muito bem e gostaram, principalmente, da intensidade dos treinamentos no dia a dia. Acho que, ao longo da temporada passada, alcançamos um futebol agressivo e tivemos condições de competir, mesmo com um elenco mais modesto, com grandes times do futebol brasileiro, que era o nosso grande objetivo - afirmou Marcelo Paz, presidente do Fortaleza.

Apesar desses exemplos de treinadores que vieram de outras ligas e se adaptaram rapidamente ao futebol brasileiro, nem todos se acostumam da maneira que gostariam e, neste caso, o trabalho dos dirigentes é fundamental neste processo. Júnior Chávare, diretor de futebol, que trabalhou com o técnico argentino Diego Dabove, temporada passada, no Bahia, explica que é preciso uma atenção especial na adaptação.

- É necessário um contato mais próximo diariamente para que ele, juntamente com a comissão técnica, se sinta confortável e bem recebido para iniciar e desenvolver o trabalho em plenitude. Normalmente, um técnico estrangeiro vem com uma equipe junto e, independente do número de pessoas, é importante fazer com que todas elas sejam devidamente atendidas, simultaneamente, para que consigam se adaptar o mais rápido possível - acrescenta Chávare.

TABELA
> Confira a tabela de jogos e a classificação do Brasileirão-22

Estrangeiros
Total: 90

Colômbia (13), Argentina (20), Uruguai (17), Paraguai (10), Chile (4), Equador (8), Portugal (6), Venezuela (2), Itália (2), EUA (2), Ucrânia (2), Bolívia (1), Coréia do Sul (1) e China (2)

Athletico: 8
David Terans - URU
Nicolás Hernández - COL
Pablo Siles - URU
Bryan Garcia - EQU
Tomás Cuello - ARG
Marlos - UCR
Orejuela – COL
Agustín Canobbio - URU

Internacional: 5
Bruno Méndez - URU
Fabrício Bustos - ARG
Gabriel Mercado - ARG
Johnny - EUA
Carlos de Pena - URU

São Paulo: 8
Andrés Colorado - COL
André Anderson - ITA
Robert Arboleda - EQU
Emiliano Rigoni - ARG
João Moreira - POR
Eder - ITA
Jonathan Calleri - ARG
Gabriel Neves - URU

Atlético-MG: 5 + técnico
Junior Alonso - PAR
Nacho Fernández - ARG
Matiás Zaracho - ARG
Eduardo Vargas - CHI
Diego Godin - URU
Técnico: Antonio Mohamed - ARG

Fortaleza: 5 + técnico
Valentín Depietri - ARG
Ángelo Henríquez - CHI
Silvio Romero - ARG
Bryan Ceballos - COL
Anthony Landázuri - EQU
Técnico: Juan Pablo Vojvoda - ARG

Red Bull Bragantino: 6
César Haydar - COL
Leonardo Realpe - EQU
Jan Hurtado - VEN
Kevin Lomónaco - ARG
José Hurtado - EQU
Emiliano Martínez - URU

Palmeiras: 4 + técnico
Gustavo Gómez - PAR
Benjamín Kuscevic - CHI
Joaquín Piquerez - URU
Eduard Atuesta - COL
Técnico: Abel Ferreira-POR

América-MG: 5
Orlando Berrio - COL
Germán Conti - ARG
Raul Cáceres - PAR
Juan Pablo Ramirez - COL
Aloísio - CHINA

Santos: 6 + técnico
Carlos Sánchez - URU
Emiliano Velázquez – URU
Rodrigo Fernandez - URU
Bryan Angulo - EQU
Jhojan Julio - EQU
Ricardo Goulart - CHINA
Técnico: Fabián Bustos - ARG

Juventude: 3
Isidro Pitta - PAR
Chico - COREIA DO SUL
Óscar Ruiz - PAR

Cuiabá: 3
Juan Ojeda - PAR
Christian Rivas - VEN
Kelvin Osorio- COL

Botafogo: 6 + técnico
Gatito Fernández - PAR
Joel Carli - ARG
Renzo Saravia - ARG
Cuesta - ARG
Sebastian Joffre - BOL
Niko Hämäläinen - FIN
Técnico: Luís Castro - POR

Fluminense: 3
German Cano - ARG
Mário Pineida - EQU
Jhon Arias - COL

Flamengo: 2 + técnico
Mauricio Isla - CHI
Giorgian de Arrascaeta - URU
Técnico: Paulo Sousa - POR

Coritiba: 4 + técnico
Adrian Martínez - ARG
Guillermo de los Santos - URU
Matías Galarza - PAR
Pablo Garcia - URU
Técnico: Gustavo Morínigo – PAR

Atlético-GO: 3
Brian Montenegro - PAR
Leandro Barcia - URU
Diego Churín - ARG

Avaí: 2
Ayrton Cougo- URU
Jonathan Copete - COL

Corinthians: 3 + técnico
Rafael Ramos - POR
Víctor Cantillo - COL
Júnior Moraes - UCR
Técnico: Vítor Pereira - POR

Ceará: 1
Stiven Mendoza - COL

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