LANCE!
29/01/2018
21:42
Rio de Janeiro (RJ)

O maior ídolo do atual elenco do Botafogo anunciou que vai pendurar as chuteiras. Aos 35 anos, Jefferson declarou, na noite desta segunda-feira, que vai atuar somente até o fim desta temporada. A afirmação do atual titular da meta alvinegra foi para a Fox Sports, mas o camisa 1 começou a tocar no tema de maneira mais explicativa. Ao longo da conversa é que a certeza foi revelada.

- A partir do momento em que você não tem mais foco, não adianta ter 32, 35, 39, que para. Enquanto tiver objetivo vai embora - explicou.

Em seguida, o goleiro foi questionado sobre o que pesava mais nessa hora. E completou minimizando a questão física, que lhe comprometeu durante mais de um ano.

- Creio que é mais cabeça do que físico. Enquanto a cabeça está funcionando o físico vai atrás. O contrário não adianta... estar bem o físico e a cabeça não estar boa - acrescentou.

Depois a pergunta foi sobre o foco. Até onde o foco do camisa 1 iria.

- Meu foco vai até o fim do ano. Já declarei que meu objetivo é encerrar a carreira aqui no Botafogo. Tenho objetivos grandes aqui, já disse que meu foco aqui no Botafogo vai até o fim do ano - afirmou, sendo questionado mais uma vez sobre se, após este "foco", se parar de jogar era uma consequência. E disse:

- A princípio, sim. Quero enfrentar outros desafios, outros propósitos, outras coisas na minha vida - comentou, respondendo posteriormente sobre quais outras coisas seriam essas:

- Família, amigos... aquilo que o futebol priva muito de fazer. A gente não tem data, dias, nada. Gosto muito do que faço, não vou, quando parar, falar que o futebol é isso ou aqui... me divirto muito - explicou.

Finalmente, o ex-meio-campista Zinho perguntou se ele estava mesmo decidido a parar. A resposta foi:

- Está decidido - afirmou, simples.

- Não tem volta? - questionou Zinho.

- Não tem volta - completou Jefferson.

O INDÍCIO
Ao LANCE!, em entrevista exclusiva publicada no último mês de abril e dividida em duas partes neste link e neste link, a possibilidade já havia sido deixada no ar. Na ocasião, a possibilidade de disputar o que ele entendia ser a última Copa do Mundo da carreira lhe norteava.

A HISTÓRIA
Jefferson está na segunda passagem pelo Botafogo. Na primeira, era uma revelação do Cruzeiro e esteve emprestado entre 2003 e 2005. Reserva de Max durante a Série B, assumiu a titularidade e teve grandes atuações até ser vendido pela Raposa ao futebol turco.

Foram dois clubes no país euro-asiático: o Trabsonspor e o Konyaspor. Neste período, o carinho da torcida alvinegra só aumentava enquanto os substitutos não davam conta. O próprio Max, Lopes, Castillo, Roger, Marcos Leandro, Júlio César, Renan... até o próprio Jefferson voltar, em 2009, e ser importante para a equipe escapar do rebaixamento à Série B do Campeonato Brasileiro.

No ano seguinte, defendeu o pênalti de Adriano na final da Taça Rio (mesmo jogo da cavadinha de Loco Abreu), e se tornou um dos heróis daquela conquista estadual - o Glorioso já havia conquistado a Taça Guanabara. Foi se consolidando como goleiro de Seleção Brasileira, pegou até pênalti de Messi e foi convocado para a Copa do Mundo de 2014.

Quando o Glorioso foi rebaixado para a Série B nacional, em 2014, permaneceu no clube e renovou o contrato, que ia até o fim de 2015, para até o fim de 2017. Ao continuar no clube que é mais identificado mesmo após um rebaixamento, repetiu feitos de outros grandes goleiros: o veterano Buffon, na Juventus (Itália), e o já aposentado Marcos (Palmeiras).

Em 2016, Jefferson sofreu um duro golpe. Uma lesão rara no tríceps do braço esquerdo lhe obrigou a passar por duas cirurgias e ficar mais de um ano parado. Viu Sidão ser contratado e ser titular na conquista da vaga para a Copa Libertadores de 2017. Viu, do banco de reservas, Gatito Fernández fazer grande temporada. Mas voltou de forma triunfal.

Ainda no ano passado, sob grande dúvidas, o primeiro jogo após o retorno foi contra o Atlético-MG, no Estádio Nilton Santos. O pênalti defendido não deixou dúvidas. Era o mesmo velho e histórico goleiro. Após a aposentadoria, a cafeteria que abriu no interior paulista deve ser o foco maior do ainda camisa 1 da Estrela Solitária.