Botafogo entra em recuperação judicial após decisão da Justiça
Pedido foi feito pela SAF alvinegra

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A Justiça do Rio de Janeiro aceitou o pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo e iniciou oficialmente o processo nesta quinta-feira (14). A decisão foi assinada pelo juiz Marcelo Mondego de Carvalho Lima, da 2ª Vara Empresarial da Capital.
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Na decisão, o magistrado deferiu o processamento da recuperação judicial e determinou a suspensão de execuções e cobranças contra a SAF por 180 dias, período conhecido como "stay period", mecanismo previsto na Lei de Recuperação Judicial.
O documento revela um cenário financeiro delicado vivido pelo clube. Segundo a SAF Botafogo, a dívida sujeita ao processo de recuperação judicial é de aproximadamente R$ 1,286 bilhão. O passivo total, porém, ultrapassa R$ 2,5 bilhões, incluindo débitos tributários e outras obrigações financeiras.
Na petição e na nota oficial divulgada pelo clube, o Botafogo atribuiu parte central da crise à gestão da Eagle Football e de John Textor. Pela primeira vez de forma pública e direta, a SAF acusou a administração anterior de promover um processo de "descapitalização" do clube.
Segundo o Botafogo, mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao clube dentro da estrutura financeira do Grupo Eagle, enquanto outras equipes do conglomerado recebiam investimentos milionários. O texto cita especificamente o Lyon, da França, que teria recebido cerca de 90 milhões de dólares (aproximadamente R$ 459 milhões) em aportes recentes.
A decisão judicial também detalha como funcionava o modelo financeiro do grupo. O Botafogo afirma que a Eagle utilizava um sistema de caixa único, compartilhado entre os clubes da rede, permitindo transferências internas de recursos. O clube argumenta que o rompimento desse sistema pelo Lyon agravou drasticamente a crise financeira da SAF carioca.
Outro ponto citado no processo envolve os transfer bans impostos pela Fifa. O Botafogo sustenta que as sanções internacionais aceleraram o pedido de recuperação judicial, principalmente pelo risco de bloqueios, vencimentos antecipados de dívidas e paralisação operacional do clube. 
— O instituto jurídico visa possibilitar condições para que a empresa continue operando para satisfação das obrigações sociais — diz trecho da decisão judicial. 
O documento ainda faz um longo histórico recente do Botafogo, lembrando a transformação vivida após a criação da SAF em 2022, que culminou nos títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2024. 
Mesmo assim, a Justiça reconheceu que o clube atravessa hoje uma situação considerada de grave crise econômico-financeira, agravada pela perda de receitas, problemas de fluxo de caixa e aumento da insegurança operacional.
Além da recuperação judicial, o Botafogo também oficializou mudanças internas. Eduardo Iglesias foi nomeado novo diretor-geral da SAF após Assembleia Geral Extraordinária realizada nesta quinta-feira. Ele substitui Durcesio Mello, que ocupava o cargo interinamente desde o afastamento de John Textor.
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Veja a nota do Botafogo:
A SAF Botafogo informa que, em continuidade ao processo de reorganização financeira já iniciado com o ajuizamento de medida cautelar, protocolou, na noite desta quinta-feira (14), pedido de Recuperação Judicial como medida necessária para proteger o clube, preservar suas atividades, garantir o cumprimento de suas obrigações e assegurar a continuidade do projeto esportivo do Botafogo.
A decisão foi tomada diante do grave cenário financeiro enfrentado pela companhia, agravado por sucessivos bloqueios, riscos decorrentes de transfer bans impostos no âmbito da FIFA, vencimentos antecipados de obrigações financeiras e severas restrições de caixa que passaram a comprometer a própria operação cotidiana do clube.
Com o ajuizamento da Recuperação Judicial, a SAF Botafogo ingressa em uma nova etapa de reorganização estruturada, com maior estabilidade jurídica e financeira para condução de negociações com credores, investidores e parceiros estratégicos.
A medida também permite o início formal da elaboração e discussão de um plano de Recuperação Judicial, que será submetido aos credores na forma da lei, criando um ambiente de previsibilidade, supervisão judicial e proteção institucional necessário para o reequilíbrio financeiro da companhia.
Além disso, o efetivo pedido de Recuperação Judicial era medida indispensável diante das recentes sanções desportivas sofridas pelo clube, incluindo transfer bans impostos no âmbito da FIFA. A própria FIFA esclareceu que a tutela cautelar anteriormente deferida não produzia os efeitos jurídicos equivalentes ao processamento da Recuperação Judicial, razão pela qual a SAF Botafogo precisou avançar imediatamente para esta nova fase, como forma de proteger suas atividades esportivas, preservar sua competitividade e evitar prejuízos ainda mais severos ao clube.
Nos últimos meses, a SAF Botafogo sofreu forte processo de descapitalização dentro da estrutura do Grupo Eagle. Mais de R$ 900 milhões deixaram de retornar ao Botafogo, ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários para manutenção de suas atividades e competitividade esportiva.
Enquanto outros ativos do grupo receberam investimentos substanciais — incluindo aportes recentes de aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon — o Botafogo permaneceu, por mais de um ano, sem qualquer injeção relevante de recursos, mesmo diante de reiterados alertas sobre a deterioração do caixa e os riscos concretos à continuidade operacional da SAF
A Eagle Football, sua administração e seus representantes diretos tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira enfrentada pela SAF Botafogo.
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