Anselmi diz que Potosí 'dificultou' classificação do Botafogo na Libertadores
Técnico alvinegro melhora do adversário na segunda etapa, mas elogia atuação do Glorioso

Técnico do Botafogo, Martín Anselmi admitiu dificuldades durante a vitória por 2 a 0 sobre o Nacional Potosí nesta quarta-feira (25), no Estádio Nilton Santos, que rendeu ao time a classificação para a terceira fase da Libertadores. Em entrevista coletiva após a partida, o treinador elogiou a postura da equipe, mas afirmou que o adversário cresceu e fez mudanças táticas que alteraram o cenário no segundo tempo.
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— É preciso ver o jogo novamente para ter uma resposta mais precisa. Não acho que tenha sido todo o segundo tempo ruim. Entramos bem na segunda etapa, tivemos algumas oportunidades para fazer o terceiro gol e tentamos nos defender com a bola. Depois, eles cresceram no jogo, tiraram a bola da gente e não soubemos como recuperá-la. Tentamos pressionar em um 3 contra 3 na construção. Identificamos que, no início, eles construíam com dois mais um volante; depois, esse volante se posicionava formando uma saída de três; os laterais vinham por dentro e recuavam; acumulavam muita gente na última linha. Isso faz com que o time se parta, porque começaram a colocar seis jogadores na última linha, e isso gera dúvida nos momentos de pressão — destacou Anselmi.
— Não era fácil pressionar dessa forma. A minha ideia era pressionar e recuperar a bola, mas também tínhamos que entender que a Libertadores tem muita tensão envolvida, muitas coisas acumuladas. E, às vezes, não é a forma como eu gosto de terminar um jogo, de fechar uma partida. Mas tínhamos que ganhar, e nem sempre é possível conseguir tudo o que se quer. Se você me pergunta, eu gostaria de ter terminado mais no campo adversário, não necessariamente com mais gols ou com uma vantagem maior no placar, chutado mais no gol deles — seguiu o treinador do Botafogo.
— Também preciso entender os meus jogadores. Terminamos muito cansados. Eles estão fazendo um esforço muito grande. O mais importante era segurar o placar. Fizemos um grande esforço no primeiro tempo. Como você disse, talvez devêssemos ter feito pelo menos mais um gol para ir ao intervalo com uma vantagem maior. No segundo tempo, é verdade que, a partir da parada para hidratação, eles souberam jogar e controlar o jogo pela posse de bola. Não sei se controlaram pelas chances criadas, porque a única grande chegada que lembro foi a bola no travessão, que, se não me engano, veio de uma perda nossa, não de um ataque organizado deles — concluiu o técnico alvinegro.
Questionado sobre Danilo, autor do gol que deu a classificação ao Botafogo, Martín Anselmi elogiou o volante, mas aproveitou a oportunidade para destacar outros nomes do time.
— Claro que o Danilo é muito importante, mas não é o único. O time é quem faz a diferença. Temos o Santi, o Alan, o Chris Ramos, o Marçal. Temos muitos jogadores que ainda não conseguimos ter nessa sequência e que fizeram falta nesses jogos. O Danilo é um jogador de alto nível, que quando está em campo faz a diferença. Mas existe uma equipe por trás, que acompanha e faz o trabalho para que ele possa cumprir a função dele. Somos um time, e quanto mais jogadores pudermos ter à disposição, melhor, porque isso significa que temos uma boa concorrência interna. E a concorrência interna é sempre positiva, porque eleva o nível dos jogadores e nos dá mais opções para fazer mudanças — declarou o treinador.

Outras respostas de Martín Anselmi após Botafogo x Nacional Potosí
Linha de três e opção por Mateo Ponte
— Nós construímos com três, mas no primeiro tempo defendemos com quatro. Ponte jogou como lateral. Se eu coloco um zagueiro a mais, não posso defender com quatro jogadores, e eu queria defender assim. No primeiro tempo, defendemos no 4--2-3-1, 4-4-2 por vezes. Se eu coloco o Justino ou o Ythallo, não consigo defender dessa forma. Meu trabalho como treinador é ter todas as possibilidades. Eu gosto muito de analisar o rival, mas, nesse caso, não tenho muita informação, não estão jogando ainda o Campeonato Boliviano, eles tinham vantagem em casa. Eu achava que eles iam jogar com cinco atrás e atacar com quatro, mas tinha que estar preparado para qualquer mudança que iam fazer. A versatilidade que me dá o Mateo nesse caso, além de ser um jogador importante… Nós também estamos preparados para uma construção com dois, dependendo da pressão do Potosí. Todas essas coisas eu penso quando armo uma escalação. Se você me pergunta: por que escolhi construir a três no início do jogo? Porque queria ter o controle do jogo, o jogo é muito longo. Eu sabia que, se construísse com dois jogadores e perdesse a bola, a transição deles ia criar espaço. Tenho que analisar tudo. Eu queria ter o controle do jogo para fazer um jogo de ter a bola e causar danos. É muito mais amplo. De outra parte, o Justino e o Ythallo são jogadores jovens, estão aqui para evoluir e nos dar um suporte. Minha tarefa é ajudar. O Justino jogou, ele gostou, teve sua estreia na Libertadores. Então, calma! São jovens, mas acredito muito neles. Senão, eu não colocaria o Justino hoje.
Ausência do Neto entre os relacionados
— Não temos nenhum jogador titular no Botafogo. O Léo Linck foi alguns dias antes para a Bolívia na semana passada e acho que merecia outra chance hoje. O Raul também foi bem contra o Boavista e também merecia uma oportunidade. Mas as coisas podem mudar, eles têm que competir.
Sentimento de estreia na Libertadores
— Acho que o futebol brasileiro não deixa muito espaço para o sentimento. Amanhã eu já terei outro sentimento. Vamos celebrar, é um pequeno presente para nossa torcida, que nos acompanhou e nos deu seu apoio. E também é um presente para nós, que vínhamos trabalhando e nos esforçando para conseguir uma recompensa. Hoje tivemos essa recompensa, só nós sabemos como foi toda essa sequência, como foi o trabalho interno no clube e como foi a viagem para a Bolívia, não é fácil jogar lá. Meu sentimento… obviamente estou feliz porque conseguimos lutar e virar. Mas também, nesse perfeccionismo com o qual trabalho, que talvez não seja bom, acho que temos muita coisa para melhorar. Meu sentimento é pensar nas coisas que temos que fazer para seguir melhorando.
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Posicionamento de Alex Telles
— Fico feliz por ele, jogar ali não é fácil. Tem que fazer muito esforço, estou conversando muito com ele. Para jogar nessa posição, precisa de muita força. Eu achava que com essa linha de cinco eu queria jogar com Vitinho e Telles, mas também com o Ponte pelo meio. Mas também que Montoro e Barrera saltem dúvida nos zagueiros se devem sair ou não, que abram espaço. Depois mudou, fizemos outra linha, com diferença de altura na linha. Defensivamente, ele foi muito bem, o Vitinho também. Estou contente, está fazendo um bom trabalho. Depois, jovens muito bons também. Às vezes podemos jogar com dois, com o Villalba como extremo, por exemplo.
O que falta para Matheus Martins melhorar no último terço
— Tem que estar tranquilo. Ele ataca bem a profundidade, mas tem que saber que tem que defender e fez um bom trabalho. Não é fácil atacar uma linha de cinco e ele soube os momentos certos para isso. Os gols vão chegar. São situações diferentes: o jogo contra o Flamengo, o jogo da Bolívia, hoje… Mas ele está fazendo as coisas para conseguir fazer os gols e, como todo centroavante, um dia o gol chega.
Faz trabalho ofensivo específico com Vitinho?
— Primeiramente, acho que o Vitinho é um jogador muito inteligente. Gosto de conversar com ele, gosto de falar de futebol. Ele gosta do jogo. Para mim, é sempre bom ter jogadores que gostam de falar do jogo. Ele ataca muito bem a profundidade, por vezes fica chateado porque a bola não chega. Ele quer que chegue mais. Nós trabalhamos muito no vídeo para que os companheiros olhem o Vitinho quando ataca a profundidade. Ele tem que entender que às vezes vai se esforçar, não vai receber a bola e tem que seguir. Falei na pergunta anterior, tanto ele quanto o Telles estão evoluindo nessa posição. Para mim, não é nenhuma surpresa o que o Vitinho pode fazer na direita. Pode defender, pode atacar, pode passar, pode cruzar. Para mim, é um jogador muito importante. Hoje ninguém falou do Newton, mas acho que ele é um jogador que não mede esforços, que faz um trabalho invisível, que rouba as bolas. Tem que falar de Danilo, de Bastos… Temos que falar de todo o elenco, não só de um jogador. Para um jogador fazer alguma coisa, precisa dos seus companheiros. Para o Vitinho fazer bem as coisas, ele precisa dos companheiros.
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