icons.title signature.placeholder Guilherme Cardoso
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26/07/2013
06:29

Nem Alan Fonteles, Yohansson Nascimento ou Terezinha Guilhermina. Apesar de faltarem três dias para o fim do Mundial de Atletismo Paralímpico, em Lyon (FRA), Verônica Hipólito roubou a cena entre os brasileiros. E com apenas 17 anos e em sua primeiro grande torneio, ela já surge como grande esperança por medalhas na Olimpíada do Rio-2016.

Apesar de correr como gente grande – como na conquista do ouro nos 200m e da prata nos 100m, ambos na categoria T38 (para paralisados cerebrais) –, ela ainda mantém a simplicidade de uma menina. Nas entrevistas, se cobra sobre um tempo não satisfatório (para ela mesma), fala da convivência com outros atletas e até se arrisca em contar algumas piadas.

Mas o que enche de orgulho Verônica não é falar de seus feitos ou as anedotas. Ela não esconde a paixão por seu pai (José Dimas), sua mãe (Josenilda) e seu irmão (Otávio). Ela garante que se não dosse por eles, não estaria em Lyon.

Até por isso, a pedido do LANCE!Net, ela escreveu uma carta para os parentes. Aproveitou para agradecer aos técnicos e demais atletas. E ainda prometeu dar o máximo no salto em distância, categoria F37/38, que ocorreria nesta madrugada.

Após competir com atletas convencionais, a brasileira entrou no esporte paralímpico apenas neste ano. Em 2008, ela descobriu um tumor na cabeça. Em 2011, sofreu com um acidente vascular cerebral (AVC). E para completar, o tumor voltou. Atualmente, ela faz tratamento com remédios.

Os pais de Verônica podem ficar tranquilos. Ela segue bem cuidada e, agora, mais vitoriosa. Após vencer pela primeira vez um tumor e um AVC, a batalha no atletismo é a menor de todas. Realmente, é uma vencedora. E com apenas 17 anos.

(Carta de Verônica para a família)


CONFIRA UM BATE-BOLA COM VERÔNICA:

LANCE!Net: Conta um pouco da sua história
Verônica Hipólito: Tive um tumor no fim de 2008. Médico disse que era para eu ter morrido ou ter perdido totalmente a visão. Ninguém sabe como não aconteceu isso comigo. Depois, em março de 2011, tive um AVC. Falaram que foi forte e não sabem explicar como eu me recuperei tão rapidamente. Fiquei com sequela em quase todo meu lado direito. Minha perna não levanta toda, meu braço quando ando não consigo mexer. E na corrida sinto queimar quando tento correr mais. Eles não sabem a causa. Ano passado, tinha retirado o tumor em 2008 e ele voltou. Estou fazendo acompanhamento com remédio. Fazia parte de um clube Santo André. No ano passado, minha amiga me chamou para treinar no Sesi-SP e fui aceita. Meu treinador perguntou o que eu tinha no braço e eu pedi desculpa. Ele falou que eu não tinha de pedir desculpa por nada. Começamos a pesquisar e ele disse que eu tinha condições de participar do esporte Paralímpico. Mas antes ele disse que queria que eu treinasse com os convencionais. Do ano passado até agora, fiz várias competições olímpicas entre nós do Sesi-SP. E nesse ano entrei para ao Paralímpico. Pelos meus treinos e por ficar com meninas do convencional, acho que consegui melhor muito meu tempo.

L!Net: Como foi a expectativa pela estreia?
VH: Estava sem acreditar até a véspera da estreia quando falaram para eu concentar. Pensei: 'Estou no Mundial'. O pessoal tem me ajudado muito. O jeito que a Seleção tem me ajuda, sei lá... Não lembro de tanta gente ter me ajudado tanto assim.

L!Net: Como é ser a mais nova da seleção?
VH: É legal (risos). Ficam brincando que eu sou a caçulinha. E a gente tem um relacionamento super legal. Vivo contando piadas. Tenho várias.

L!Net: Sua mãe ficou preocupada quando você veio ao Mundial?
VH: Todos os dias, no mínimo, cinco vezes por dia ela me manda um texto enorme no Facebook perguntando o que eu estou comendo, que horas estou comendo, o que eu estou sentindo, se estou tomando remédio, se estou tomando remédio a seco, com água, suco, como estou me sentindo para a competição... Ela me pergunta tudo. Falo que não estou morrendo. Estou na Seleção. Se ela visse como é o tratamento aqui. Falei que engordei dois quilos e disse que estava preocupada em não ir bem na corrida. Ela disse que o importante era eu estar comendo bem.

L!Net: Qual a importância da sua mãe?
VH: Meu pai (José Dimas), minha mãe (Josenilda) e meu irmão (Otávio) são importantes por eu estar aqui. Quando estava tendo AVC, quem ligou para meus pais foi meu irmão. Ele foi o primeiro a me tratar como se eu não tivesse o AVC. ELe me provocava, brincava, pegava minha comida. Ele tem 18 anos. Meu pai também se preocupava, mas nunca mostrava isso na minha frente. Quando falei que queria continuar treinando e voltar a estudar. Já estudava, mas tinha medo de ter mais dificuldade. Realmente, estou tendo mais dificuldade hoje. Ele virou para mim e disse: 'Se você quer, você faz. A única pessoa que pode impedir é você mesma'. Minha mãe sempre me lembrando dos remédios, correndo atrás de médicos, acreditanto em mim. Meu pai tenta mostrar que eu não tive AVC, assim como meu irmão, e minha mãe sempre fala para eu me cuidar. Ele falou que o importante era eu dar o meu melhor. Minha mãe falou que se eu cheguei até aqui, tinha chance de ganhar medalha. Juntei os dois: dar meu melhor e tentar ganhar medalha (risos).

L!Net: Começou a treinar quando?
VH: Antes do AVC. Fazia 75m e 250m. Não gostava dos 250m. Era para a categoria mirim. Quando entrei na categoria menores, teve os 100m e 200m. Queriam me colocar no fundo para correr os 800m. Mas eu falei que não. Desde lá para cá, vem diminuindo meu tempo. Diminuia o tempo em competição paralímpica e conseguia ir para a olimpica com mais confiança.

L!Net: O que espera para 2016?
VH: Quero estar lá. Se tudo der certo, como atual campeã e recordista mundial. Está tendo um crescimento enorme. As pessoas na seleção não são sérios o tempo todo, brincam, um corrige o outro nos treinamentos. Em 2016, nossa chance de ficar entre os cinco primeiros são enormes.

QUEM É?

Nome: Verônica Silva Hipólito

Nascimento: 2/6/1996, São Paulo-SP

Peso e altura: 49kg e 1,58m

Categoria: T38 (para paralisados cerebrais)

Conquistas no mundial: Ouro nos 200m e Prata nos 100m

*O repórter viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

Nem Alan Fonteles, Yohansson Nascimento ou Terezinha Guilhermina. Apesar de faltarem três dias para o fim do Mundial de Atletismo Paralímpico, em Lyon (FRA), Verônica Hipólito roubou a cena entre os brasileiros. E com apenas 17 anos e em sua primeiro grande torneio, ela já surge como grande esperança por medalhas na Olimpíada do Rio-2016.

Apesar de correr como gente grande – como na conquista do ouro nos 200m e da prata nos 100m, ambos na categoria T38 (para paralisados cerebrais) –, ela ainda mantém a simplicidade de uma menina. Nas entrevistas, se cobra sobre um tempo não satisfatório (para ela mesma), fala da convivência com outros atletas e até se arrisca em contar algumas piadas.

Mas o que enche de orgulho Verônica não é falar de seus feitos ou as anedotas. Ela não esconde a paixão por seu pai (José Dimas), sua mãe (Josenilda) e seu irmão (Otávio). Ela garante que se não dosse por eles, não estaria em Lyon.

Até por isso, a pedido do LANCE!Net, ela escreveu uma carta para os parentes. Aproveitou para agradecer aos técnicos e demais atletas. E ainda prometeu dar o máximo no salto em distância, categoria F37/38, que ocorreria nesta madrugada.

Após competir com atletas convencionais, a brasileira entrou no esporte paralímpico apenas neste ano. Em 2008, ela descobriu um tumor na cabeça. Em 2011, sofreu com um acidente vascular cerebral (AVC). E para completar, o tumor voltou. Atualmente, ela faz tratamento com remédios.

Os pais de Verônica podem ficar tranquilos. Ela segue bem cuidada e, agora, mais vitoriosa. Após vencer pela primeira vez um tumor e um AVC, a batalha no atletismo é a menor de todas. Realmente, é uma vencedora. E com apenas 17 anos.

(Carta de Verônica para a família)


CONFIRA UM BATE-BOLA COM VERÔNICA:

LANCE!Net: Conta um pouco da sua história
Verônica Hipólito: Tive um tumor no fim de 2008. Médico disse que era para eu ter morrido ou ter perdido totalmente a visão. Ninguém sabe como não aconteceu isso comigo. Depois, em março de 2011, tive um AVC. Falaram que foi forte e não sabem explicar como eu me recuperei tão rapidamente. Fiquei com sequela em quase todo meu lado direito. Minha perna não levanta toda, meu braço quando ando não consigo mexer. E na corrida sinto queimar quando tento correr mais. Eles não sabem a causa. Ano passado, tinha retirado o tumor em 2008 e ele voltou. Estou fazendo acompanhamento com remédio. Fazia parte de um clube Santo André. No ano passado, minha amiga me chamou para treinar no Sesi-SP e fui aceita. Meu treinador perguntou o que eu tinha no braço e eu pedi desculpa. Ele falou que eu não tinha de pedir desculpa por nada. Começamos a pesquisar e ele disse que eu tinha condições de participar do esporte Paralímpico. Mas antes ele disse que queria que eu treinasse com os convencionais. Do ano passado até agora, fiz várias competições olímpicas entre nós do Sesi-SP. E nesse ano entrei para ao Paralímpico. Pelos meus treinos e por ficar com meninas do convencional, acho que consegui melhor muito meu tempo.

L!Net: Como foi a expectativa pela estreia?
VH: Estava sem acreditar até a véspera da estreia quando falaram para eu concentar. Pensei: 'Estou no Mundial'. O pessoal tem me ajudado muito. O jeito que a Seleção tem me ajuda, sei lá... Não lembro de tanta gente ter me ajudado tanto assim.

L!Net: Como é ser a mais nova da seleção?
VH: É legal (risos). Ficam brincando que eu sou a caçulinha. E a gente tem um relacionamento super legal. Vivo contando piadas. Tenho várias.

L!Net: Sua mãe ficou preocupada quando você veio ao Mundial?
VH: Todos os dias, no mínimo, cinco vezes por dia ela me manda um texto enorme no Facebook perguntando o que eu estou comendo, que horas estou comendo, o que eu estou sentindo, se estou tomando remédio, se estou tomando remédio a seco, com água, suco, como estou me sentindo para a competição... Ela me pergunta tudo. Falo que não estou morrendo. Estou na Seleção. Se ela visse como é o tratamento aqui. Falei que engordei dois quilos e disse que estava preocupada em não ir bem na corrida. Ela disse que o importante era eu estar comendo bem.

L!Net: Qual a importância da sua mãe?
VH: Meu pai (José Dimas), minha mãe (Josenilda) e meu irmão (Otávio) são importantes por eu estar aqui. Quando estava tendo AVC, quem ligou para meus pais foi meu irmão. Ele foi o primeiro a me tratar como se eu não tivesse o AVC. ELe me provocava, brincava, pegava minha comida. Ele tem 18 anos. Meu pai também se preocupava, mas nunca mostrava isso na minha frente. Quando falei que queria continuar treinando e voltar a estudar. Já estudava, mas tinha medo de ter mais dificuldade. Realmente, estou tendo mais dificuldade hoje. Ele virou para mim e disse: 'Se você quer, você faz. A única pessoa que pode impedir é você mesma'. Minha mãe sempre me lembrando dos remédios, correndo atrás de médicos, acreditanto em mim. Meu pai tenta mostrar que eu não tive AVC, assim como meu irmão, e minha mãe sempre fala para eu me cuidar. Ele falou que o importante era eu dar o meu melhor. Minha mãe falou que se eu cheguei até aqui, tinha chance de ganhar medalha. Juntei os dois: dar meu melhor e tentar ganhar medalha (risos).

L!Net: Começou a treinar quando?
VH: Antes do AVC. Fazia 75m e 250m. Não gostava dos 250m. Era para a categoria mirim. Quando entrei na categoria menores, teve os 100m e 200m. Queriam me colocar no fundo para correr os 800m. Mas eu falei que não. Desde lá para cá, vem diminuindo meu tempo. Diminuia o tempo em competição paralímpica e conseguia ir para a olimpica com mais confiança.

L!Net: O que espera para 2016?
VH: Quero estar lá. Se tudo der certo, como atual campeã e recordista mundial. Está tendo um crescimento enorme. As pessoas na seleção não são sérios o tempo todo, brincam, um corrige o outro nos treinamentos. Em 2016, nossa chance de ficar entre os cinco primeiros são enormes.

QUEM É?

Nome: Verônica Silva Hipólito

Nascimento: 2/6/1996, São Paulo-SP

Peso e altura: 49kg e 1,58m

Categoria: T38 (para paralisados cerebrais)

Conquistas no mundial: Ouro nos 200m e Prata nos 100m

*O repórter viaja a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro