Bruno Cassucci
12/08/2016
07:55
São Paulo (SP)

A cena não durou nem dez segundos, mas tem valor simbólico grande. Quando depois de 206 minutos jogados na Olimpíada o Brasil finalmente balançou as redes, diante da Dinamarca, o meia Rafinha se levantou rapidamente do banco de reservas e deu um longo e apertado abraço no técnico Rogério Micale. Na sequência vieram outros reservas. E titulares. E membros da comissão técnica. Todos se lembraram do treinador. Talvez por que Micale também se lembra de todos.

O início ruim da Seleção na Rio-2016 gerou incerteza e até questionamentos e críticas internas, mas Micale ainda tem prestígio e poder de convencimento perante os jogadores. A emblemática cena dos abraços foi repetida ao final do jogo, quando o comandante canarinho foi ao centro do gramado da Fonte Nova cumprimentar os atletas.

Acostumado a lidar com jovens, o técnico se vê diante do desafio de lidar com um dos maiores astros do futebol mundial, Neymar, e também com jogadores que, apesar da pouca idade, já são badalados. Para isto, aposta em manter o grupo unido e motivado.

A tentativa de valorizar a todos ficou evidente na última quarta-feira. Já com a goleada sobre a Dinamarca praticamente consumada, Micale aproveitou para "rodar" o elenco e levou a campo jogadores que ainda não haviam estreado na Olimpíada, como o zagueiro Luan e o volante Rodrigo Dourado. Assim, após três jogos, todo o elenco já atuou na Rio-2016, com exceção do goleiro reserva Uilson.

O gesto também representa uma espécie de abraço coletivo do treinador...

- Abracei a todos. Eles sabem que podem contar comigo, assim como conto com eles. Temos um respeito grande, o convívio interno é fantástico, em relação a índole e comportamento não tem um "a" para falar. Com muita luta e dedicação, esperamos conquistar algo juntos - comentou Micale.

A união, a força emocional e outras qualidades da Seleção serão postas a prova no sábado, nas quartas de final da Olimpíada, contra a Colômbia, na Arena Corinthians.