Igor Siqueira
18/12/2016
08:21
Rio de Janeiro (RJ)

A missão mais desafiadora ele conseguiu cumprir. Agora, credenciado pela medalha de ouro olímpica, Rogério Micale inicia um novo ciclo de objetivos junto à Seleção Brasileira sub-20. Concentrado com o grupo na Granja Comary e preparando a equipe para o Sul-Americano, em janeiro, no Equador, Micale fala sobre o que espera do time e dos reflexos da conquista olímpica, como por exemplo o fim do questionamento sobre a formação de jogadores no país.

Como você projeta o trabalho no Sul-Americano?
É uma continuidade, mas não deixa de ser algo novo. É uma geração que inicia um processo, vamos tentar uma classificação para o Mundial. Já faz algum tempo que não vencemos o Sul-Americano. Sempre vamos avançando em requisitos para se fazer futebol. Há conceitos que devem estar bem estabelecidos para que sejam agregados outros, novas tendências com as quais o mundo tem atuado. Temos jogadores de alto nível.

No Mundial-2015, você herdou de última hora o time do Gallo e foi vice-campeão. No Pan, a mesma coisa e foi bronze. Na Olimpíada, era o Dunga, você assumiu e ficou com o ouro. Agora a tranquilidade é maior para montar o time?

Por todos esses resultados, vou pedir alguém para escalar para mim... (risos) Acho que pode ser o Paulinho (analista de desempenho)... Voltando ao assunto, não tivemos tanto tempo. Tivemos três oportunidades de estar com o grupo. Estamos acompanhando essa geração desde as categorias de base. Conheço os jogadores. Podemos iniciar um processo bom. Vamos tentar repetir conceitos. Vamos tentar melhorar os resultados. É difícil. No Mundial, fomos vice é melhor que isso é ser campeão. E na Olimpíada, é ser bicampeão.

Projetando uma classificação ao Mundial, você espera contar com Gabriel Jesus? Ele tem idade...

Gabriel Jesus era o mais jovem da Seleção sub-20 do último Mundial. Foi o destaque. Estava sendo preparado para essa safra. Mas, como ele é acima da média, o processo foi adiantado. Fico muito feliz. Mas ele já passou desse processo, já está na principal, titular, o timing dele é outro. temos que abrir espaço para outros, temos que ver outros para que possam estar no futuro com o Tite.

Esse grupo de jogadores não tem um expoente, como Neymar e Jesus foram em times passados. Isso te preocupa?

Temos uma seleção homogênea, é um grupo de bons jogadores que estão em processo de desenvolvimento e podem chegar à excelência. Não vejo, como tivemos, algo como o Neymar ou o Gabriel Jesus. Faz parte. Nenhuma seleção consegue revelar um fora de série a todo momento. Mas quem sabe com trabalho poderemos falar de um novo expoente.

Que tipo de legado o ouro olímpico e os bons resultados da base trouxeram?

Todo mundo estava com uma expectativa de reviravolta, estávamos vindo de situações ruins, muita cobrança. Ali na Olimpíada despertou o torcedor. Esse é o grande legado: voltar a parar para ver a nossa Seleção. Pelo menos uma parte nós deixamos para trás. Não ouço mais que o Brasil não forma mais jogadores.

Precisava ser com tanto sofrimento, nos pênaltis?

Olhando hoje, não foi melhor? Agora, sabendo o que vai acontecer, eu dou risada. Já vi o Weverton pegando o pênalti umas 50 vezes. Mas se a bola do Neymar não entra, eu teria que arrumar algum lugar do mundo para trabalhar, uma escolinha. Viramos rapidamente heróis ou vilões. Se a bola da Alemanha tivesse entrado e a nossa não, não sei nem como seria a sequência, até mesmo da principal.

Você tem consciência de que, além de obter resultados esportivos, tem um papel dentro da política da CBF?

Penso demais é na área técnica. É o meu trabalho, no que eu foco as minhas forças. Eu durmo muito pouco quando estou na Seleção. Minha energia é para o futebol. O que me compete é a área técnica. É nisso que eu canalizo minha energia. Se ficar pensando em todos os aspectos, é complicado.

Reparou que chamou sete jogadores de times do Rio e todos do meio para frente?

Eu não olho estado, não olho clube. Eu trago, vejo, olho qualidade, com foco nas partes técnica, tática, comportamental. Essa questão de estado eu não dou importância.


CONVOCADOS, POR EQUIPES

Flamengo - 3 (Felipe Vizeu, Matheus Sávio e Lucas Paquetá)
São Paulo - 3 (David Neres, Lyanco e Lucas Perri)
Corinthians - 2 (Guilherme Arana e Léo Santos)
Fluminense - 2 (Richarlison e Douglas)
Vasco - 2 (Douglas Luiz e Caio Monteiro)
Palmeiras - 1 (Artur)
Santos - 1 (Robson)
Vitória - 1 (Caíque)
Atlético-MG - 1 (Cleiton)
Coritiba - 1 (Dodô)
Juventus-ITA - 1 (Rogério)
Avaí - 1 (Gabriel)
Braga-POR - 1 (Lucas Cunha)
Sport - 1 (Everton Felipe)
Ponte Preta - 1 (Maycon)
Atlético de Madrid-ESP - 1 (Caio Henrique)