Luiza Sá
08/07/2016
07:00
Rio de Janeiro (RJ)

A Era Dunga foi marcada por altos e baixos e muita desconfiança. Com um início bom, de onze vitórias seguidas, ele acabou vendo seus comandados fracassarem na Copa América do Chile. Nas Eliminatórias, o rendimento da Seleção é aquém do esperado e a Copa América Centenário acabou sendo o fim da linha para ele.

Carlos Alberto Vieira, editor do LANCE!: Dias após o vexame, a CBF promove a "grande mudança". Chegam Gilmar Rinaldi e Dunga

Após a Copa do Mundo, a ideia geral era a de que o Brasil precisava de uma grande mudança depois de derrotas retumbantes para Alemanha e Holanda. Na semana seguinte ao Mundial, o então presidente da CBF José Maria Marin tratou de fazer uma coletiva na sede da CBF que ficou apinhada de gente. Ele apresentou o novo homem forte do futebol, Gilmar Rinaldi. Empresário de jogador e que largara o ofício um dia antes de aceitar, o terceiro goleiro da Seleção na Campanha do Tetra foi muito criticado e disse que faria grandes mudanças. Dias depois nova coletiva na qual ele apresentou o treinador Dunga, que chegou a ser sondado para comandar a Venezuela e que voltava ao cargo que era dele entre 2006 e 2010. Não era bem uma grande mudança.


O trabalho de Dunga começou com jogos nos Estados Unidos e m setembro de 2014. Dois amistosos e duas vitórias magras. A primeira contra Colômbia em Miami, 1 a 0 gol de Neymar. A outra contra e Equador em Nova Jersey, novo 1 a 0 gol de Willian. Não foram grandes partidas, O destaque foi a boa presença de Miranda na zaga. Também deu para notar que o treinador queria dar a ideia de trabalho pesado e os treinamentos foram muito mais pegados do que aqueles na época de Felipão. O primeiro, em Miami, durou quase duas horas. O segundo, um pouco mais.
Mas deu para ver que Dunga teve problemas de comunicação com a imprensa. As coisas não era muito claras. O estranho corte do lateral-direito Maicon foi o maior exemplo. Um comunicado antes de uma zona mista e sem explicação. gerou até mesmo uma esdrúxula história envolvendo uma brincadeira com Elias que obrigou o volante no fim da noite a desmentir o boato que se espalhara por redes sociais. E era claro que o lateral-esquerdo Marcelo parecia incomodado, pois o treinador o convocara, mas oportunidades em treinos e jogos não existiam para ele. O motivo? Impossível saber. Ali, naqueles dois primeiros amistosos, já dava para perceber que clareza nas informações não seria um dos pontos fortes da Era Dunga.

Bernardo Cruz, repórter do LANCE!: Copa América 2015 e o primeiro grande vexame

Mês da Copa América. Dentro de campo, a Seleção sofre sua primeira crise sobre o comando de Dunga. Com um futebol aquém do esperado, a equipe brasileira cai para o Paraguai nas quartas de final. O treinador começa a ser questionado pela primeira vez. Thiago Silva sai como um dos vilões e o histórico faz com que o zagueiro do PSG não volte a ser chamado.

Além disso, Neymar, por confusão após a derrota contra a Colômbia, é suspenso por quatro jogos. Não bastasse isso, o aspecto fora de campo divide os holofotes. Com medo de prisão, Del Nero não viaja com a delegação para a competição.

Luiza Sá, repórter do LANCE!: Copa América Centenário e a demissão de Dunga

A edição especial da Copa América era a última oportunidade que o técnico Dunga tinha para lutar por sua permanência na Seleção. Logo em sua estreia, o Brasil já mostrou que aquela seria mais uma competição difícil. Um empate em 0 a 0 com o Equador e com direito a gol mal anulado pelo juiz. A falha bisonha de Alisson não fez com que o goleiro perdesse seu lugar entre os titulares, como se era pensado.

No jogo seguinte, o placar que tanto assombra os brasileiros se repetiu, mas desta vez a favor. 7 a 1 em cima do fraco Haiti e por aí ficavam os únicos gols marcados por ambas as seleções durante todo o torneio. No último jogo, apesar de melhor, a Canarinho acabou eliminada. Com um gol de mão de Ruidíaz e o placar de 1 a 0 para o Peru, a Copa América Centenário terminou para o Brasil.

No fim, mais um vexame para a lista e a demissão de Dunga, treinador que durante toda sua passagem não conseguiu convencer. Poucos dias depois, o técnico Tite foi anunciado, nome este que, na opinião de muitos, deveria ter sido contratado logo após a humilhação na Copa do Mundo de 2014.