Luiza Sá e Vinicius Faustini
08/07/2016
07:15
Rio de Janeiro (RJ)

No aniversário de dois anos do 7 a 1, é inevitável lembrar de tudo que aconteceu durante esse tempo. Desde a contatação muito criticada do técnico Dunga, os onze jogos sem perder, a eliminação para o Paraguai nos pênaltis na Copa América 2015, até o vexame na Copa América Centenário, quando o Brasil caiu diante do Peru ainda na primeira fase.

Caso as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, terminassem hoje, a Seleção acabaria em sexto e ficaria, pela primeira vez na história, fora do Mundial. São 2 vitórias, 3 empates e 1 derrota.


Repórter do L! e ex-jogador Tostão comentam sobre o tempo perdido nesse período, levando em conta o que aconteceu de lá para cá:

Tostão, campeão do mundo em 1970:

- Além de ter pouquíssimo progresso após o fracasso no Mundial de 2014, a Seleção Brasileira ainda perdeu sua supremacia em campo. Os adversários sul-americanos cresceram e, com o futebol passando por uma reciclagem, o Brasil ainda lida com ranços, como pouca qualidade individual.

Esta chegada de Tite, que é símbolo de um novo ciclo de treinadores no país, devia acontecer já depois da Copa de 2014. Em uma Seleção Brasileira que não tem tantos jogadores individuais e precisa de um trabalho coletivo, sua chegada parece uma busca por melhora em campo.

Apesar deste atraso de dois anos, ainda dá tempo para ele moldar uma boa Seleção Brasileira, abrindo espaço para jogadores com potencial e que se encaixem em seu padrão de jogo.

Igor Siqueira, repórter do LANCE!

- Quão bom seria se a constatação fosse positiva dois anos depois do maior vexame da história da Seleção Brasileira. Mas não é, apesar da contratação de Tite indicar que a curva, enfim, será para cima. Até o momento, 8/7/2016, o que se viu foi uma Seleção Brasileira que conseguiu cavar um poço ainda mais fundo, graças a uma mescla de fatores, cujo principal foi a contratação de Dunga para reconstruir a Seleção após aquela fatídica campanha na Copa do Mundo.

Mas também, o que esperar se pouco menos de um ano depois da Copa um vice-presidente da entidade foi preso sob a acusação de corrupção e o sucessor dele também está na mira das autoridades internacionais?

Duas campanhas vexaminosas na Copa América depois, sem contar o sexto lugar nas Eliminatórias de 2018, o Brasil ainda precisa dar mais passos para sair do atoleiro e recuperar o respeito mundial.

Coisas boas foram feitas nas categorias de base da Seleção, mas isso ainda não se refletiu no time principal. Quem sabe esse efeito já possa ser sentido no time sub-23 na Rio-2016, que, por linhas tortas, acabou caindo nas mãos certas de Rogério Micale.

Ainda é necessária uma melhor preparação de treinadores, cuidado maior com os jovens talentos e consciência tática de que ficamos para trás, mas que temos capacidade de voltar a sermos protagonistas. Dizer que é ruim uma geração que conta com Neymar, Douglas Costa, Coutinho, Casemiro, entre outros, chega a ser blasfêmia. Mas ainda é preciso organização na Seleção, dentro de campo. Tite é o cara para isso.