Buffarini - San Lorenzo

Buffarini havia renovado com o San Lorenzo em janeiro deste ano (Foto: San Lorenzo/Divulgação)

Bruno Grossi e Thiago Salata 
20/07/2016
19:43
São Paulo (SP)

A madrugada desta quarta-feira já havia começado quando o São Paulo divulgou nota oficial para anunciar a contratação do atacante Andrés Chávez, do Boca Juniors (ARG). No mesmo comunicado, com destaque inclusive no título, o Tricolor dizia estar à espera da Fifa para oficializar o também argentino Julio Buffarini, do San Lorenzo (ARG), como outro reforço.

"Por uma divergência no sistema TMS FIFA o registro do atleta ainda não foi concretizado. O São Paulo já enviou à CBF (responsável pelo encaminhamento à FIFA), toda a documentação necessária para consumar a transferência, o que deverá ocorrer nos próximos dias", explicava a nota do clube paulista, sobre o conflito no sistema remoto de transferências internacionais.

Mas qual a razão para tal divergência, que agora ameaça a contratação do lateral-direito? Uma das versões é que o diretor-executivo Gustavo Oliveira tentou barganhar ao máximo com o San Lorenzo, tentando reduzir os U$ 2 milhões (cerca de R$ 6,5 milhões) exigidos para ter Buffarini. Os argentinos pediam o valor desde segunda-feira, mas o dirigente tricolor era resistente.

O cabo de guerra se estendeu por horas na terça-feira, quando Gustavo resolveu ceder para atender o desejo do técnico Edgardo Bauza. Os clubes se acertaram, prepararam a documentação e concluíram a operação no TMS às 23h59, segundos antes do fim da janela de contratações internacionais no Brasil. Mas para a novela terminar feliz era preciso mais um passo.

A Confederação Brasileira de Futebol tem como dever monitorar transações do tipo, principalmente quando o prazo é curto para a resolução. A validação da entidade, no entanto, foi registrada no TMS somente nos primeiros minutos desta quarta, ultrapassando a data-limite para os clubes brasileiros contratarem reforços de outros países. 

O São Paulo, então, se defende ao dizer que cumpriu o prazo exigido. Caberá à CBF argumentar com a Fifa sobre o desencontro, em discussão que deve se arrastar nos próximos dias. Como, na teoria, os clubes não tiveram culpa, uma "validade de exceção" pode ser concedida pela Fifa.

Alan Kardec
Venda de Alan Kardec também teve problema na reta final da operação, mas foi resolvida (Foto: Marcello Zambrana/AGIF)

E há confiança entre os tricolores para que o processo seja autorizado, mesmo que a estratégia de barganhar também tenha colaborado com o desencontro no fim da operação. Para a CBF, não resolver o caso significará deixar na mão um de seus associados mais influentes e aumentará a imagem de que deixa os clubes sempre à deriva. É com essa pressão que o São Paulo espera triunfar.

O caso pode ser resolvido somente na próxima semana, já que é mais complexo do que o da venda de Alan Kardec na última sexta-feira. Na ocasião, foi o próprio TMS que saiu do ar minutos antes do fim da janela de transferências para a China. O clube paulista precisou tirar um "print" da página que apresentava o erro no sistema, reconhecido pela Fifa. Quatro dias depois, a venda ao Chonqing Lifan foi sacramentada.