Gabriel Carneiro e Russel Dias
25/11/2015
07:00
São Paulo (SP)

Ainda há quem rotule Gabigol como promessa mesmo com 124 jogos e 41 gols como profissional do Santos. Ainda há quem rotule Gabigol como promessa mesmo com a artilharia da Seleção Brasileira olímpica em 2015. Ainda há quem rotule Gabigol como promessa, mas ele já é muita realidade.

Aos 19 anos, o camisa 10 do Santos é forte candidato a decidir a maior competição mata-mata do Brasil em um dos clássicos mais tradicionais da história, contra o Palmeiras. O jogo de ida das finais da Copa do Brasil será nesta quarta-feira, às 22h, na Vila Belmiro. E a realidade Gabigol entende a missão.

– É difícil, muita rivalidade. No Paulista foi complicado ganhar deles, então tem que ter pés no chão e muito foco. É saber que cada bola é a última para poder ser campeão – disse Gabigol, em longo papo com o LANCE!.

Mesmo jovem, o atacante já é o maior artilheiro do Santos na história da Copa do Brasil, superando referências como Neymar e Robinho. Principal goleador da Copa do Brasil do ano passado, quando o Peixe parou nas semifinais, ele também já é o artilheiro da edição de 2015 com sete gols. Outro fator que chama atenção no precoce camisa 10 é o poder de decisão: ele marcou gols em pelo menos um jogo das últimas quatro fases da Copa do Brasil, inclusive diante de outros rivais históricos, como Corinthians e São Paulo. Em resumo, Gabigol já provou que é decisivo. Só falta sua coroação definitiva.

– Se tinha um ano de confirmação para mim, era este. Ano passado fui artilheiro, apareci bem. Mas este ano é a confirmação que está dando certo. Primeiro título, Seleção... No contexto geral, vai ser o melhor ano da minha vida e um ano de confirmação se a gente for campeão. Não vou mentir que sou sonhador. Quero muito ser campeão, quero muito realizar mais este objetivo – relata.

Gabigol se firmou como titular no meio do ano, após a saída de Robinho. Os gols e bons jogos o levaram à Seleção olímpica, na qual fechou 2015 como artilheiro. O primeiro título no Peixe foi o Paulista, mas na reserva. A chance agora é de taça nacional. Como titular. E camisa 10! A promessa se cumpre.

BATE-BOLA com GABIGOL
ATACANTE DO SANTOS, AO L!


Aos 19 anos, como evitar a ansiedade antes de um jogo assim?
Coloquei na minha cabeça o que o Dorival sempre diz: cada jogo é uma final. É uma final domingo, outra quarta. Tem que jogar bem. Não tem como ficar ansioso quando se briga por tudo, como é o time do Santos. Tem que batalhar e deixar rolar.

Atrapalha ou ajuda o Santos ter tantos jovens dentro do elenco?
Quando se tem experiência, mudam algumas coisas. Mas aqui fizemos a mescla de juventude com experiência. E aqui até quem é jovem já tem experiência. Dentro de um grupo todo mundo é igual, independente de idade.

Outros times campeões pelo Santos sempre tiveram muitos jovens. Esse time tem a vocação?
Sim. Nosso time tem grandes jogadores, novos e experientes. O grupo é bom e forte, e tem amizade. Independentemente de ser menino ou não, o Santos está bem representado. Não são só os Meninos da Vila.

Você esteve com o Gabriel Jesus há poucos dias na Seleção. Conversaram sobre o clássico na final?
Não, não. Queríamos ajudar a Seleção, só isso. Todos querem ser campeões, mas por um tempo se esquece dos clubes para servir bem à Seleção. Ele é um menino legal, criamos amizade, mas sem falar de final. Sei que você vai perguntas, mas não tem aposta (risos).

O ano de 2015 tem sido de fato um ano de confirmação, já que você foi até reserva no Santos?
O importante é que o Santos me deu confiança, então nunca deixei de treinar quando não estava jogando. Isso que me levou a estar bem nesse momento, poder suportar os jogos inteiros. Tenho que agradecer a Deus e ao Dorival pela confiança.

Ainda está faltando o gol contra o Palmeiras neste ano, certo?
Isso é do jogo. Quero fazer gol sempre e ajudar o Santos, independente do time. Clássico é especial, mas não tem ansiedade. Quero ser campeão independente do gol ou de quem fizer.

O que foi mais marcante para você na Copa do Brasil de 2015?
Tive vários momentos esse ano. Os gols nos clássicos, quando passei o Neymar na artilharia. Cara... difícil citar um. Tive vários momentos felizes que vou guardar para sempre na memória.

Talvez contra o Corinthians?
Foi importante para mim. Contra o Sport eu tinha feito dois, não era clássico, mas eu estava precisando, era um momento de afirmação. Em Itaquera foi legal também porque foi na casa deles. Selou a vaga. O do Corinthians na Vila ficou mais marcado junto com o que passei o Neymar.