Patito

Patito volta da Malásia para preencher perda de três homens de ataque do Peixe  em 2016(Foto: Divulgação/Johor)

Gabriel Carneiro e Lucas Strabko
03/01/2016
08:00
São Paulo (SP)

A dificuldade do Santos para encontrar reforços para 2016 é motivo de preocupação para alguns, mas felicidade para outros. Aos 25 anos e com menos concorrência do que em qualquer outro momento de seus quatro anos de contrato, Patito Rodríguez se reapresenta ao CT Rei Pelé nesta quarta-feira. A volta do argentino foi um pedido do técnico Dorival Júnior, que deseja observar melhor o jogador que foi alvo de um investimento de R$ 6 milhões da diretoria do Santos na temporada de 2012.

Patito aguardava ansioso por esse "día que me quieras" do Peixe. Observado desde a base do Independiente (ARG), o atacante foi emprestado duas vezes durante seu vínculo de quatro anos, ao Estudiantes (ARG) e ao Johor, da Malásia, de onde volta em 2016. Pelo Santos foram só dois gols marcados em 44 jogos, e agora a ambição de escrever uma nova história no seu último semestre sob contrato.

– Ir tão cedo para um clube tão grande como o Santos, o Real Madrid da América do Sul, pode ter jogado contra ele. Se ele não foi 100% exitoso, o culpado é ele em algumas situações e em outras não. Mas agora o Patrício está muito entusiasmado, quer mostrar o melhor dele, e provar até para ele mesmo – conta, ao LANCE!, Marcos Gonzalez, preparador físico pessoal de Patito, contratado para recuperá-lo de uma lesão no calcanhar direito e deixá-lo em condições de jogo para a pré-temporada do Peixe em 2016.

O trabalho de Gonzalez com Patito é semelhante ao que Ricardo Rosa, ex-profissional do próprio Santos, realiza com Neymar hoje: complementação dos trabalhos do clube focados na individualidade.

Titular do Santos durante poucos meses e só com Muricy Ramalho, Patito tem seis meses para provar que pode ser útil. A torcida, conquistada logo na chegada pelo carisma do argentino, torce para que desta vez seja diferente. Dorival deseja uma nova opção. E Patito? “Por una cabeza” do sucesso.

Patito e Marcos
Patito e Marcos Gonzalez, o preparador (Foto: Reprodução/Instagram)

Desde quando você conhece o Patito?
Eu o conheço desde 2006, quando ele tinha 17 anos e ainda estava nos juvenis do Independiente, onde eu era preparador físico. Faço trabalhos pessoais com ele desde 2007, nos períodos de descanso e de pré-temporada. Em março do ano passado saí do Independiente e ele me chamou para ser o preparador físico pessoal dele.

Por que você acha que ele te chamou para fazer os trabalhos pessoais?
Eu o conheço muito, sei como trabalhar com ele. Na primeira instância, nas temporadas em que se preparou comigo, rendeu um montão. Essa pode ter sido a sensação dele. Na segunda instância, minha forma estreita de ser na forma profissional, sempre controlando a alimentação e o descanso. Na terceira instância, porque ele crê que nunca vai romper a barreira do profissionalismo.

Quando você acha que foi o melhor momento da carreira do Patito?
Em 2010, quando ganhou a Copa Sul-Americana. Na Malásia, estava fazendo uma temporada muito boa, jogando todos os jogos, jogando bem. Mas nós esperamos que esse semestre seja o melhor de todos. O Patrício está perto de 2010 no físico e mais maduro dentro de campo, com menos esforço, pode fazer mais.

O que você acha do Patito?
Tem qualidades enormes, mais para o futebol brasileiro do que para o argentino. Hoje, tanto Patrício quanto eu estamos muito animados com essa possibilidade nova, vamos encarar com 100% de profissionalismo.

Fisicamente, o que você acha do Patito agora?
Bem, salvo pelas festas de final de ano. Quando chegamos da Malásia, recuperamos a lesão que ele teve no calcanhar direito, uma fissurinha de trabalho, que não preocupa nada. E não paramos de treinar fisicamente. Agora está faltando a parte técnica e tática. De um a dez, creio que ele está com 8oito pontos.

Como é o Patito nos treinos?
O que posso te dizer é que ele entrega 100% o que tem. Patrício mudou muito a forma de entender o treinamento. Ele sabe que tem que treinar 100% para jogar bem no final de semana. Ir tão cedo para um clube tão grande como o Santos, o Real Madrid da América do Sul, pode ter jogado contra ele. Se ele não foi 100% exitoso, o culpado é ele em algumas situações e em outras não. Mas agora o Patrício está muito entusiasmado, quer mostrar o melhor dele, e provar até para ele mesmo.

Como eram os trabalhos com o Patito?
Na Malásia, era só um dia. Levantávamos muito cedo, tomávamos café e ele treinava pela manhã. Almoçávamos ao meio-dia, fazíamos a "siesta" às quatro horas e depois treinava com o clube. Os trabalhos consistiam em colocar o Patrício em forma para o próximo treino e para o próximo jogo. Na Argentina, por causa da lesão, foi trabalhar sob dois pilares: força e resistência. Eram três ou quatro vezes por semana, divididos no Parque Municipal, um ginásio e um campo de gramado sintético.

Você virá para o Brasil com ele?
Sim, vou dia 5 para São Paulo com ele, para preparar toda a bateria de trabalho, sempre apontando para o clube. Nosso caso simplesmente é parecido com o do Ricardo e do Neymar, é um complemento do treino. Falo com o Ricardo de três a quatro vezes por semana para trocar informações e metas. Temos uma boa relação.

Qual a meta para 2016 com o Patito?
Entre 30 e 40 jogos no ano e que o rendimento esteja acima dos sete pontos. Que dê muitas alegrias para a torcida do Santos.

Como o Patito está sobre a volta ao Santos?
Muito feliz. Nos inteiramos que havia uma possibilidade de retornar, que o treinador havia falado bem dele. O Patrício colocou como objetivo voltar ao Santos, demonstrar toda condição que tem, provar para ele mesmo. Ele teve outras propostas, mas quis voltar.