Guilherme Cardoso
11/08/2016
16:41
Rio de Janeiro

A medalha não foi a esperada. O resultado final, muito menos. A judoca Mayra Aguiar ficou com o bronze nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira, na Arena Carioca 2, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca. Um resultado histórico para quem acabou de se tornar a primeira mulher do Brasil a ter duas láureas na modalidade, e também em todos esportes individuais pelo país. Isso com apenas 25 anos. Mas pouco para quem tinha a possibilidade de estar pelo menos na decisão.

Depois de sua terceira Olimpíada, Mayra está cada vez mais próxima de se tornar uma das maiores atletas da história do judô brasileiro. Já são dois bronzes olímpicos (Londres-2012 e Rio-2016), além de títulos de Campeonato Mundial, World Masters, Grand Slam, Grand Prix...  Isso sem contar as conquistas nas categorias de base.

A judoca queria muito mais neste ano. E a expectativa geral era por um resultado diferente. Antes dos Jogos Olímpicos, a pergunta que não queria calar era: quem levaria a melhor na decisão, a brasileira ou a americana Kayla Harrison? A questão ficou sem resposta, já que só a lutadora dos Estados Unidos chegou à luta pelo ouro.

Nada que apague tudo o que Mayra já conquistou. Afinal, ela até parece aquele soldado de filme americano forjado somente para o combate. O judô é sua vida. A luta dela, que é sargento da Marinha, não é nos campos de guerra, mas sim dentro do tatame. Antes da luta pelo bronze, ela passou pela australiana Miranda Giambelli e a alemã Luise Malzahn, até cair diante da francesa Audrey Tcheumeo. A recuperação veio minutos depois com o triunfo diante da cubana Yalennis Castillo.

- Essa torcida não tem igual. O povo brasileiro vibra demais, a gente sente isso. É bom demais lutar em casa e sair com uma medalha olímpica. A gente sabe o quanto é duro ser atleta, a gente se supera todo dia, a rotina é cansativa. Lutamos por um sonho. E muitos lutam, se doam tanto e não conseguem nem chegar numa Olimpíada. Sair daqui com uma medalha então é muito gratificante - comentou a judoca logo após o fim da conquista.

Sobre a derrota para Audrey Tcheumeo na semifinal, Mayra descartou interferência na luta que garantiu o bronze e ainda minimizou a cor da medalha:

- Raiva a gente não pode ter numa luta, senão acabamos errando muito. A semifinal eu pequei em pensar demais, pensei muito na pegada e ela acabou me complicando justamente na pegada. Mas fui bem para a luta seguinte, focada na medalha olímpica. Essa medalha não tem cor, medalha olímpica é medalha olímpica - declarou.

Ao contrário do jeito carrancudo dos personagens cinematográficos, a judoca brasileira não esconde seus sentimentos. Em um dia de competição, muitos deles podem ser observados: a concentração e foco para entrar na área de competição (com direito a alguns tapas no próprio rosto), a determinação para encontrar as adversárias para a aplicação de um golpe, a paciência para esperar o momento certo de buscar um ataque, a cara de choro após um tropeço e a alegria após mais uma conquista olímpica.

Não poderia ser diferente para alguém que desde os 14 anos luta profissionalmente. As primeiras grandes glórias pela Seleção Brasileira vieram um pouco depois, aos 16, com a prata nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. De lá para cá, não faltaram conquistas.

Antes dos Jogos do Rio, Mayra dizia estar tranquila e satisfeita com tudo o que já tinha realizado na carreira. Ela tinha razão. Mas ainda havia espaço para mais realizações. Agora, a questão que não quer calar: onde Mayra vai parar?