Gabriel - Palmeiras (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Em Itu, Gabriel já pôde usar chuteiras, mas ainda longe do grupo (FOTO: Cesar Greco/Palmeiras)

Fellipe Lucena
17/01/2016
08:12
Itu (SP)

A bola rolava em um dos campos da Academia de Futebol quando Gabriel interrompeu sua caminhada até a sala de musculação para passar alguns minutos observando os companheiros. Questionado pela reportagem do L! sobre a recuperação da cirurgia no joelho esquerdo, disse que já não sentia dor e contou que abriria mão de parte das férias para não atrasar o tratamento. Falou com maturidade, mas sem esconder a saudade:

- Outro dia coloquei a chuteira dentro de casa para matar a vontade. É muito ruim ficar fora.

Dois meses depois daquela conversa, que aconteceu em novembro, Gabriel continua com saudade. Mas agora já pode ir ao gramado de chuteiras para fazer alguns exercícios, inclusive com bola. Em alguns dias, será liberado para treinar com os colegas. Em mais alguns, voltará a fazer o que gosta.

- Eu ainda não visualizei o jogo em que vou estar pronto. Ainda quero voltar a treinar para ver o estágio em que estou. Na estreia do Paulista, dia 31, não vai ter completado seis meses da cirurgia. Completo seis meses dia 5 de fevereiro. A princípio, depois dessa data eu vou estar liberado para jogar, mas pode ser que seja antes - disse o camisa 18, em novo bate-papo com o LANCE!, desta vez durante o período de treino em Itu.

O primeiro jogo depois de a cirurgia completar seis meses será pela terceira rodada do Paulistão, dia 10 de fevereiro, contra o Oeste, em Rio Preto. Se a transição da preparação física para os treinos com bola for eficiente, ele terá chance já na segunda rodada, contra o São Bento, no Allianz Parque, dia 3.

O elenco embarca na terça-feira para o Uruguai, onde disputará um quadrangular amistoso. Gabriel não poderá jogar, mas quer ir.

- Não sei nem como expressar o tamanho da minha saudade. Eu só sei que está chegando a hora.

Ele já conhece a Libertadores

Principal objetivo do Palmeiras em 2016, a Copa Libertadores não será novidade para Gabriel. Ele disputou a edição de 2014 pelo Botafogo, mas não passou da fase de grupos.

- Essa vai ser a segunda da minha carreira e espero que seja melhor. São clubes diferentes, mentalidades totalmente diferentes, e tenho certeza que o Palmeiras vai entrar decidido a ganhar o título. Acredito nessa conquista, pelo grupo que temos, pela mentalidade do clube, pela torcida, pelo estádio. O Palmeiras vai chegar para brigar - comentou ele, que cita uma outra dificuldade além do conhecido “jogo mais pegado” que caracteriza o torneio sul-americano.

"Sinto que estou menos ansioso do que da outra vez", diz o volante, sobre a Libertadores

- Eu tive a experiência de jogar em uma altitude, em Quito, coisa que só a Libertadores tem. Você sente um pouco no começo, no aquecimento. O time sentiu um pouco, eu também, por ser a primeira vez. Mas no decorrer da partida foi normal. Vai de atleta a atleta, eu não senti tanto - diz.

- Sinto que estou menos ansioso do que na outra vez. Pô, a primeira vez que você vai jogar a Libertadores gera muita expectativa, você não sabe como é. Só quem viveu isso sabe como é - finalizou o camisa 18.

Confira um bate-bola exclusivo com Gabriel:

Como foi o trabalho nas férias?
Eu tive praticamente metade das férias, porque treinei até o dia 23 de dezembro com o preparador físico aqui do Palmeiras, o Thiago (Santi, que agora é fisiologista). Fizemos o tratamento em Campinas. O Palmeiras e eu conversamos e achamos melhor descansar apenas uma semana, que foi a do Natal e do Ano Novo. Foi muito importante para mim, uma decisão acertada, porque se eu tivesse parado com certeza não estaria no estágio em que estou, de fase final de tratamento. Agora falta pouco para voltar.

De 0 a 100, como você está?
Acredito que está chegando perto dos 100%. Estou com cinco meses já completos. A gente sabe que são seis meses, então tem quase mais um mês para trabalhar a transição para os treinos com o grupo. A gente tem que respeitar esse tempo para não jogar cinco meses no lixo por uma decisão precipitada. Eu, junto com os fisioterapeutas, os médicos e a comissão, estamos conversando todos os dias para fazer o cronograma certinho para a minha volta ser a melhor possível. Não adianta voltar rápido e não voltar 100%. Quero voltar 100%, porque vou ser cobrado 100%.

Vai para o Uruguai?
Devo viajar com o grupo. Jogar esses amistosos é certeza que não, porque não estou treinando com o grupo, mas acredito que vou viajar e treinar lá. Espero que eu viaje, porque é sempre importante estar junto com o grupo.

Os jogadores que estão chegando falam sempre do Mundial no fim do ano. Você também pensa nisso?

Tem que pensar, mas eu procuro dizer que temos que pensar sempre na próxima partida. Se a equipe fizer todo treinamento como se fosse o último, a gente vai conquistar vitórias, vai conquistar títulos. É difícil falar hoje, mas a equipe que nós temos já provou que pode ser campeã em qualquer competição. Tem que ter isso em mente. A equipe está mais madura, mais entrosada do que no ano passado. A gente está preparado para ser campeão, porque não adianta só brigar e não ser campeão.

Está com saudade do Allianz Parque?

Até arrepia. Não sei descrever. Passei por coisas ali, fui assistir a jogos, e ver do lado de fora é muito ruim.