Fellipe Lucena
30/05/2016
15:26
São Paulo (SP)

Dudu é muito veloz, sabe se movimentar por várias áreas do gramado e aparece para concluir jogadas. Não há mais dúvidas de que pode render muito bem na faixa central do gramado, como um armador. Basta observar a melhora dos números do camisa 7 depois que Marcelo Oliveira o tirou da ponta e o colocou na meia, em 2015, e a declaração que o próprio deu ao LANCE! na última quinta:

- Eu gosto mais, fico mais perto do gol, posso movimentar para os dois lados do campo. Pela esquerda, a gente fica muito focado em jogar só por ali e ajudar a marcar. Pelo meio, eu posso voltar para marcar e posso ir tanto para o lado direito quanto para o lado esquerdo. 

Dudu pode ser meia, mas não espere enxergar nele um pensador. Foi dessa figura que o Palmeiras sentiu falta na derrota para o São Paulo. O time não tinha Cleiton Xavier, este sim um articulador, e precisava de alguém para fazer Róger Guedes e Gabriel Jesus "entrarem" no jogo. Cuca imaginava que este alguém pudesse ser Dudu, mas ele não conseguiu e foi citado nominalmente pelo técnico na hora de explicar a fraca atuação do time:

- Dudu não teve uma produção ofensiva boa, errou passes, não foi uma boa partida. Esses passes errados geraram muitos contra-ataque para o São Paulo e isso nos prejudicou.

Ao saber das declarações, o jogador disse que "sempre acham alguém para criticar". Sim, houve um princípio de atrito entre duas figuras de personalidade forte. Não é a primeira vez: Dudu disparou contra Cuca ao ser substituído logo no início do jogo contra o Red Bull, mas um exame no dia seguinte revelou que ele sofrera uma lesão importante na coxa direita. Aquele episódio foi facilmente contornado e espera-se que este também seja. Trata-se de algo menos importante do que as lições que um Choque-Rei amplamente dominado pelo São Paulo pode deixar.

Sim, Dudu jogou mal e foi muito ineficiente na função que o técnico esperava para ele. Não, Dudu não pode ser considerado o maior culpado pelo resultado. Primeiro porque outros atletas foram muito mal. Além disso, a ausência de um passador fatalmente o prejudicaria. Esse passador (Moisés) entrou no intervalo, mas ajudou pouco porque precisou se desdobrar, uma vez que o meio de campo já não tinha nenhum exímio marcador. O mesmo Cuca que ganhou o jogo contra o Fluminense com suas substituições dessa vez acabou abrindo caminho para o domínio tricolor.


Obviamente não se pode tirar os méritos do adversário, que teve todos os seus meio-campistas em grande tarde. E encarar um Paulo Henrique Ganso inspirado com um meio pouco combativo às vezes configura suicídio. 

Cuca imagina que Gabriel Jesus já estará nos Estados Unidos com a Seleção Brasileira na quinta-feira, data do confronto com o Grêmio, no Pacaembu. Se Cleiton Xavier não voltar, Moisés deve estar em campo. Protegidos por dois volantes, ele e Dudu poderão se mexer e armar o time juntos. O oponente é o líder do Brasileirão, mas espera-se ver um time mais competitivo com o ímpeto de Dudu e a inteligência de Moisés no meio.