LANCE!
30/05/2016
13:11
São Paulo (SP)

Na última sexta-feira, o técnico Edgardo Bauza foi questionado no CT da Barra Funda se a velocidade do ataque do Palmeiras era uma preocupação para Diego Lugano, de 35 anos. No clássico do último domingo no Morumbi, no entanto, o que se viu foi uma supremacia do uruguaio sobre Róger Guedes, Gabriel Jesus e Dudu e a vitória do Tricolor por 1 a 0.


Assim como Patón, Lugano deu de ombros para quem desconfiou de sua atuação contra os alviverdes. Nesta segunda-feira, porém, Dios resolveu falar sobre o assunto e mostrou bom humor ao ironizar os questionamentos.

- Isso venho escutando desde que tenho 15 anos. Futebol não é corrida de 100 metros, isso deixem para Usain Bolt na Olimpíada do Rio de Janeiro. Futebol é algo mais mental, noção de ocupação de espaço. Falar que um zagueiro precisa apostar corrida com atacante é burrice, é coisa de gente ultrapassada. Se você é experiente, não precisa apostar corrida com um menino. Claro que acontecem lances específicos do jogo, mas com a experiência e a noção, não essa análise rasa, você compensa isso - explicou, sorrindo.

A alegria do zagueiro é justificável, afinal o Choque-Rei da quarta rodada do Campeonato Brasileiro foi o nono de sua carreira e a invencibilidade segue intacta - sete vitórias e dois empates. Além do Palmeiras, Lugano também nunca foi derrotado pelo Corinthians, por isso sabe a importância do São Paulo ter encerrado jejum de um ano sem vitórias em clássicos.

- A verdade é que isso incomodava. Obviamente que desta vez eram jogadores novos, mas isso arrasta todo mundo. Por sorte a gente conseguiu, com justiça, tirar esse peso das costas e somar três pontos para seguir perto das primeiras posições. Isso é fundamental em um campeonato longo e equilibrado. Depois de tanto tempo ainda manter essa invencibilidade em clássicos é muito bom para mim, mas isso se deve aos bons companheiros que tive e tenho. Não é normal, o mérito é mais dos companheiros do que meu - afirmou.

Lugano em clássicos:
​Palmeiras (7V e 2E)
Corinthians (3V e 1E)
Santos (2V, 4D e 2E)

O veterano ainda aproveitou para negar que esteja mal fisicamente e que a opção de Bauza de não deixá-lo encarar sequências de mais de dois jogos é para não correr riscos de usar atletas sem o máximo de potencial. Lugano confia no método de Patón e aposta que seguirá como peça importante, dentro e fora de campo, mas nada de rótulos de xerifão.

- Não gosto tanto de cobrar, acho que essa é uma imagem errada que as pessoas têm de mim. O melhor exemplo é dar exemplo todos os dias para que todos, dos jogadores aos funcionários, deem seu melhor. Se você faz o máximo, ninguém pode te cobrar e você fica mais perto de coisas importantes - ponderou o camisa 5, que deve ser titular quarta-feira, às 21h45, contra o Figueirense, no Orlando Scarpelli.


APOIO GRINGO
No último sábado, o português Paulo Bento, técnico do Cruzeiro, forçou seus jogadores a ignorarem as convenções do fair play durante clássico com o América-MG. O treinador alegou que um atleta americano simulou problema físico para ganhar tempo durante o empate em 1 a 1 e foi muito criticado pelos rivais. Lugano, entretanto, reforça o coro do lusitano.

- Tenho visto muitos jogadores fazendo cera, fingindo lesão e isso não é certo. Você não pode ser bonzinho sempre e devolver a bola. Se você for bonzinho sempre, passa de idiota. Essa postura deixa o jogo chato para todos, não gosto muito. Respeito o fair play, mas não pode ser idiota e deixar alguém tirar proveito disso. É preciso que os árbitros cortem um pouco disso.